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  • Maré Alta no Pantanal

    Maré Alta no Pantanal

    Participei, na última semana, do Maré de Agilidade Edição Pantanal. Faz tempo que parei de publicar rendicontis – prestações de contas de minhas participações em eventos. A experiência agora foi muito diferente. Por isso merece este post.

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    Estou curado. Foi assim que encerrei a palestra de sábado. Me referia ao meu jeito ‘bicho do mato’ – são raras as vezes em que participo de eventos coletivos. As razões são várias e algumas não merecem nosso tempo. Tenho algumas restrições (pré-conceitos?) e existem algumas caçarolas bem vedadas. Raramente sou convidado para eventos de Análise de Negócios, por exemplo. Apesar de seus organizadores viverem elogiando, pelo menos pessoalmente, minha “inestimável contribuição” para a disciplina. Exageram no elogio e na distância. Há tempo estou conformado e confortável com essa fronteira – cada um no seu canto, a sua maneira, tentando aprender e colaborar. Qual não foi minha surpresa quando Saulo Arruda (@sauloarruda), da Jera Software Ágil, me convidou para a Edição Pantanal do Maré de Agilidade. Afinal, se sou estrangeiro na “minha área”, o que dizer de minha relação com a Comunidade Ágil?

    Saulo encomendou dois produtos: uma versão especial do FAN (programa para Formação de Analistas de Negócios) e uma palestra. O FAN deveria falar de maneira mais direta com o público de um evento Ágil. A palestra tinha que puxar o papo para outros domínios. Decidi aproveitar a oportunidade para testar o FAN4Scrum. Teria uma carga horária de 12 horas para tanto.

    Contei com 35 participantes no curso, uma turma bastante diversificada, motivada e compreensiva. Explico, de trás pra frente: era de fato um teste do programa de treinamento, e eles ficaram sabendo disso logo nos primeiros minutos de aula. No último dia precisei de uma horinha adicional. Todos toparam chegar mais cedo e sair mais tarde. Estavam motivados porque são carentes desse tipo de papo. E, exatamente por isso, exploraram bem a oportunidade. Nas três manhãs a interação foi constante e, quero crer, muito proveitosa. Por fim, a turma era bastante heterogênea. Tinha gente da administração pública e da iniciativa privada; haviam gerentes, escritor(es), desenvolvedores, professores e… analistas. Sempre curto uma turma com origens e anseios diversos. O papo fica mais rico.

    Descobri que o FAN4Scrum, ao contrário do FDP (Formação de Donos de Produtos), não funcionará com carga mínima (7 horas). A menos que eu me contradiga e elimine 50% do programa, hehe. Ou apele para uma solução que não me agrada: tornar o FAN um pré-requisito para este curso. Trouxe para casa um saboroso problema que preciso resolver até o início do próximo semestre, quando espero lançar o FAN4Scrum em outras praças.

    Meus cinco dias em Campo Grande foram uma combinação de altos papos, muita comida boa, uma quantidade saudável de cerveja e, nas tardes vagas, muito trabalho. Decidi que montaria só lá, em cima da hora, a palestra de cinquenta minutos que apresentaria no sábado. O tema, que virou uma gaiola, precisou ser definido com antecedência. E cometi o “Analistas de Negócios no Mundo Ágil”. Não precisei de muito tempo para descobrir a ‘varada n’água’ que o título representava. Soa muito 2007 ou 2008 essa dicotomia. Por que eu desperdiçaria uma oportunidade daquelas voltando páginas?

    Fui alertado que 99% do público do evento de sábado, estimado em 180 pessoas, seria formado por desenvolvedores. Eu esperaria algo diferente do Maré de Agilidade? Sei que o alerta veio, principalmente, por causa do título da palestra. E de um detalhe: ela seria a primeira do dia!

    Depois da abertura tocada pela dupla¹ @Jeffmor & @Porkaria, a bola estava comigo. Auditório praticamente lotado, não demorei para perceber que era o mais velho ali (apesar dos cabelos brancos do @AleGomes). Havia a possibilidade de uma única alma viva estar ali por causa do título de minha palestra? Melhor não perguntar. Preferi deslizar uma série de 10 slides que traziam no título: “This isn’t a Troll”. Tipo: ok, sou meio estranho no ninho, mas acho que esses assuntos precisam ser debatidos. E lá se foram: Todo projeto precisa de Times de Produtos (formados por PO’s e AN’s, por que não?); “Arquitetura é importante demais para ser deixada apenas nas mãos do arquiteto.” (James Coplien); “User Stories não são suficientes” (idem); Casos de uso são legais, completos e ágeis pra caramba!; e, em outras palavras, “temos pouca grana para bons projetos porque as empresas torram fortunas mantendo código porco”.

    Pintado frito recheado com provolone². Acho que pareceu confuso assim. Mas, pela reação geral, acho que entreguei o meu peixe.

    Agora a sessão “jogando pra galera”: foi legal poder conhecer pessoalmente, além dos citados acima e pela ordem, Felipe Rodrigues (@Felipero), Celso “Carioca” Martins (@Celsoavmartins), Alexandre Gomes e Paulo Silveira (@Paulo_Caelum), além de toda a turma muito hospitaleira de Campo Grande. Também pude rever um antigo contato, o Gustavo Malheiros (@Gumalheiros). Por fim, mas não menos importante, é preciso destacar o trabalho do pessoal da Jera na organização do Maré. Em três palavras: Show de Bola! E põe na conta a minha “cura”. Inté!

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    Observações:

    1. Ney Matogrosso (do Sul!) e Luan Santana que se cuidem! Com JeffMor nas cordas e vocais e Porkaria na bateria, formando um tipo de White Stripes pantaneiro-pop-folk-alternativo influenciado pela Sandy e pelo Júnior, vem aí a próxima bomba que agitará o mundo do Sertanejo Universitário (blergh!). Vocês PERDEM por esperar!
    2. Pintado frito recheado com provolone. Pode parecer estranho, mas é um tira-gosto acachapante.
    3. A foto acima foi tirada pelo @AleGomes lá do fundão do auditório. Se vc prestar atenção, perceberá nossos White Stripes lá na frente do palco, numa performance “a capela”.
    4. Uma ideia me acompanha desde sábado, inspirada pelo Maré de Agilidade. Me livrei dela lá no GRAFFiTi.
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    Apesar de tentar obedecer o padrão, minha noção de “Ano Novo” não ocorre entre dezembro e janeiro. Começo a visualizar o próximo ano ‘letivo’ em julho ou agosto. Até dois meses depois eu preciso ter um bom desenho sobre como eu quero estar quando o próximo ano acabar. Tão ou mais importante que as metas financeiras (que, no final das contas, nunca se realizam mesmo) são os objetivos de estudo e das conversas que ele pode gerar. Há uma década adquiri o hábito de desenvolver um tema por ano. Faço uma imersão e depois tento repassar o que aprendi em artigos e eventos. Como já fiz no ano passado, neste artigo vou escancarar (um pouquinho) meus planos para 2011.

    Planos que devem ser especiais porque em 2011 completo 25 anos de relacionamento com esta área chamada genericamente de Tecnologia da Informação. Pois é, Bodas de Prata! No namoro fui programador. Noivado na marra se deu quando me converteram em gerente de projetos. Há cinco anos, quando voltei para minha terra natal e me converti em consultor independente (sem patrão nem sogra), resolvi que era casório mesmo.

    Ano especial significa um pouco mais de ambição. Boa ambição. Ao analisar a evolução histórica das visitas ao finito foi fácil perceber uma inevitável estabilização. Não posso forçar a barra ou questionar convicções e estilo para tentar conquistar quem não gosta de meu trabalho. Não. Em relação ao finito a minha principal preocupação será não perder quem eu consegui atrair. Para isso eu sei que devo continuar entregando o que eles esperam, em torno dos temas já consolidados (Análise de Negócios, Gerenciamento de Projetos e Engenharia de Software, principalmente).

    Mas quem me conhece sabe que esse papo de estabilização e mesmice não tem nada a ver comigo. No início do ano passado tentei explorar algumas ideias diferentes, em artigos e eventos. Falo principalmente dos fracassados “Jogo dos 7 Erros” e do épico do “Seu Moreira”. Quebrei a cara. Como sou teimoso como um bom burro mineiro, tentarei lançar o jogo novamente. Motivado principalmente por participantes do FAN que falaram: “eu quero”. Mas meu cardápio, como eu antecipei em meados de 2010,  tem novas opções:

    • FDP – Formação de Donos de Produtos: único produto que já testei em 2010 (com resultado pra lá de positivo). Ele seguirá em testes beta por mais duas ou três edições. O que eu não havia contado até agora é que este evento foi um chute de longa distância para testar outro lançamento, o
    • FAN4Scrum: sim, a formação de analistas de negócios para trabalho específico com o framework Scrum. Ele se sobrepõe de certa maneira ao FDP, mas tem um perfil bem diferente. Enfatizo técnicas de desenvolvimento de requisitos e histórias. O ‘4’ no nome tem outro significado: celebra o 4º ano do programa FAN. A primeira versão (aberta) será uma oficina com 7 horas de duração.
    • FLiP – Formação de Líderes de Projetos: há tempos ensaio meu retorno ao tema Gerenciamento de Projetos. É meu tiro mais arriscado porque se trata de uma área em fase de estranha ebulição. O alto risco justificará uma estratégia de testes diferente daquela que utilizei no lançamento do FDP. Conto mais em breve.
    • Análise de Negócios – Linguagem Chave para Executivos: oficina que desenvolvo a quatro mãos com o Sérgio Storch, da ContentDigital. Em quase todas edições do FAN ouvi o seguinte: “Queria muito que meu gerente estivesse aqui”. Este evento foi desenhado para eles e outros executivos, de TI ou não. Melhor dizendo: está em fase de desenho. Mas sairá ainda no primeiro semestre.

    Outros temas ‘xodó’ passaram todo o ano de 2010 clamando por um pouco de atenção: Gestão do Conhecimento; o “i” de TI; Software como Negócio; Software como Ativo; e, jogando no ventilador, TI, Vida Digital, Carreira e Negócios de uma maneira geral. Confesso que não sei o que pode sair daqui. Talvez eu lance alguns artigos e palestras sobre alguns desses temas. Minha única certeza é que ressuscitei o GRAFFiTi para que ele possa servir como um repositório de assuntos aleatórios. Conto neste artigo um pouco das minhas intenções. Aquelas que já conheço, hehe. Ah, migrei para lá a sequência da conversa que comecei ao comentar o livro “Capital Intelectual“. Aquele papo sobre fábricas de software e coisa e tal. Está em “Cadeia, Rede ou Oficina de Valor?

    Muita coisa para uma cabecinha só? Depende: 2011 é o ano do Coelho, e Coelho é símbolo de agilidade e fertilidade. Saber aproveitar e utilizar melhor o tempo é uma qualidade cada vez mais necessária (particularmente depois de determinada idade). E, como já dizia o poeta, “Disciplina é Liberdade”. Aquele modelinho que utilizo há tempos – Lucro | Troco | Truco – ajuda bastante. O novo GRAFFiTi ainda é apenas um “truco”. Merecerá só 10% de meu tempo. O restante seguirá aqui, nos estudos, artigos e eventos do finito. Precisa dizer que seguirei contando com você? Feliz 2011. Inté!

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    Observações:

    1. É muito difícil escrever e pensar de verdade em um “Feliz 2011” vendo o terror dos últimos dias na região serrana do Rio, em São Paulo e aqui no Sul de Minas. Entristece mais a certeza de que daqui poucos dias a grande mídia mudará de assunto (Carnaval!) e só voltará a se preocupar quando desgraças começarem a marcar o próximo verão. Quem pensa que é o “4º Poder” e que como tal tem poder de fiscalização deveria entender que é tão responsável pela inexistência de políticas de prevenção quanto os governos. Repito: tão responsável quanto. Nossa “grande” mídia não é só babona, interesseira e pobre não. É irresponsável também.
    2. A imagem utilizada, No 11 – black on white, é da Kirsty Hall.
  • Muita Areia no Caminhãozinho do AN

    De todas as sugestões que apresento no FAN, a que causa mais espanto e suspiros é: um analista de negócios (AN) não deveria cuidar de mais de dois projetos ao mesmo tempo. Dois projetos pequenos! Invariavelmente a casa cai neste momento. E o burburinho parte, principalmente, de profissionais que atuam em médias e grandes empresas. Alguns deles são responsáveis por 10 ou mais projetos. Maluquice pura.

    Não entendo como eles podem tocar tantos projetos simultaneamente. E, considerando que essas empresas contam com algumas dezenas de AN’s, não entendo como elas conseguem disparar e cuidar de tantas iniciativas.

    O burburinho vira debate quando emendo uma segunda recomendação: AN’s deveriam trabalhar sempre em duplas. Uma rápida conta de padaria, que tanto caracteriza a matemática dos novos tempos, deve deixar todos aturdidos: “Hoje tenho 100 projetos e 10 AN’s. Você está sugerindo que eu contrate 190 analistas?!?” Isso sim seria uma bela política para geração de (bons) empregos. Mas reconheço sua inviabilidade.

    É fato que a sobrecarga insana de trabalho não é um privilégio dos AN’s. Infelizmente, é outra característica do século XXI. Mas ninguém deveria aceitar isso como um fato consumado e pronto. No caso específico dos AN’s não é difícil descobrir e tentar corrigir as razões de tanto trabalho¹.

    Em primeiro lugar é preciso dizer que nenhuma empresa tem tantos projetos assim. Projetos, com ‘P’ maiúsculo, devem representar apenas algo entre 10% e 20% de toda a demanda. O restante trata de alterações ou evoluções em soluções existentes, nos famigerados sistemas legados. E por que as empresas estariam utilizando analistas de negócios para cuidar de solicitações de manutenção em aplicações?

    Uma desculpa razoável seria a competência desses profissionais para o desenvolvimento de requisitos. O que muitas organizações não entendem é que não existem, na grande maioria dessas solicitações, requisitos. Não no sentido de existirem necessidades verdes o suficiente para justificar todo o processo de maturação intrínseco à Análise de Negócios. Noventa e tantos por cento das novas necessidades dos usuários são simples e diretas, como por exemplo: “coloca um novo campo assim nesta tela”. Gastar AN’s com solicitações dessa natureza é um belo desperdício.

    Sabe-se lá por que cargas d’água inventaram um novo nome para atendentes de help-desk. Sim, porque solicitações de manutenção deveriam ficar no âmbito daquele grupo que um dia batizamos “help desk”.

    Ouço de algumas empresas que parte das solicitações tem real necessidade de Análise do Negócio. Ok, mas quantas? Duvido que sejam 10% delas. E insisto: é desperdício. Mas entendo: começaram a colocar AN’s para desempenhar essa função na vã esperança de melhorar um cadinho a qualidade do atendimento. Acontece que a solução virou um tiro de bazuca no pezão: AN’s estão aprendendo a desenvolver um monte de coisa. Leem o BABoK ou participam do FAN e absorvem dezenas de ferramentas que podem tornar seu dia a dia menos desagradável. Pena que sejam coisas que agregam muito pouco ou nada quando o trampo é só de manutenção de sistemas. Pior: são coisas que custam tempo e dinheiro.

    Uma grande, imensa empresa tupiniquim se prepara para experimentar um novo desenho. Deve instituir a figura dos Analistas de Demandas ou algo parecido. Seria o meio termo entre analistas de negócios e atendentes de help-desk. Não sei se a solução não deveria ser simplesmente uma melhor preparação do pessoal de suporte. Uma preparação que passasse obrigatoriamente pela especialização. Por exemplo: o cara que atende chamados sobre impressoras não pode ser o mesmo que recebe solicitações para o SAP/R3. Parece óbvio, mas não é tanto assim em alguns lugares que conheço.

    Não há processo ou ferramenta que substitua um simples “Não!”

    Um segundo fator que contribui muito para a sobrecarga de AN’s é a incapacidade que algumas organizações têm de falar “Não”. Em tempos de nervos à flor da pele, competição interna sanguinolenta, políticas demasiadamente corretas e grave miopia onde deveria existir só *Visão*,  a impressão que fica é que todas as demandas e projetos são prioritários, vitais e pra ontem. Uma peneirinha meio esburacada já ajudaria muito. Gastamos tanto com soluções para gestão de portfólios, PMO’s e afins, e seguimos sem a mínima capacidade de dizer qual projeto merece mais atenção e recursos. Enquanto uma organização não aprender a colocar suas iniciativas e demandas em uma fila indiana (uma atrás da outra, sem exceção) ela seguirá com a sensação de sempre ter mais trabalho do que recursos disponíveis para executá-lo².

    Justificando as Sugestões

    “Que tal sugerir que cada dupla de AN’s tenha um mordomo ao seu dispor?” Já ouvi algo parecido, de um colega que interpretou de maneira um tanto precipitada minhas sugestões. Não defendo sombra e água fresca para AN’s. Apenas insisto que eles não conseguirão provar seu valor se: i) Trabalharem em mais de um projeto (ou dois projetos pequenos); e ii) Não trabalharem em duplas. Por favor, me permita justificar.

    Defendo que todo projeto de software seja desenvolvido seguindo um modelo Iterativo e Incremental. Deve estar implícita nesta sugestão a necessidade dos AN’s permanecerem no projeto do primeiro até o último dia. E, a menos que o projeto seja pequenininho, é impossível que os AN’s cuidem (bem) de mais de um. Repito: impossível.

    Pense nas principais tarefas desempenhadas por um AN: entender um negócio e determinado problema ou oportunidade; e entender o usuário, suas necessidades e restrições. Ambos “entendimentos” ocorrem simultaneamente, em diversas situações. Vamos simplificar e usar o modo mais corriqueiro: o AN entrevistando um usuário. Ele deve prestar atenção em seu interlocutor e conduzir a entrevista. O “olho no olho” é importante, assim como a leitura de sinais, caretas e tiques. A explicitação da conversa, seu registro na forma de diagramas, especificações de casos de uso etc, é igualmente importante. E demanda a mesma fatia de atenção. Como um AN pode desempenhar bem, simultaneamente, duas funções tão distintas?³

    Já experimentei de tudo para substituir a explicitação anotada: gravação de áudio, vídeo etc. Nada substitui uma segunda cabeça. Ao término de uma entrevista, no momento da análise dos requisitos aprendidos, ela completa o entendimento, ajuda a destacar pontos obscuros e dúvidas. Enfim, duas cabeças sempre serão melhor que uma.

    Outra justificativa para o uso de duplas é o melhor aproveitamento das habilidades de cada um. Tem analista que parece ter nascido para a socialização: é bom de papo, transmite segurança e sabe lidar com usuários e clientes. Outros são talentosos na redação e desenho. É relativamente raro encontrar um AN que faça muito bem as duas coisas. Como é impossível que ele faça bem as duas coisas simultaneamente, por que não equipá-lo com seu par ideal?

    Eu sei, a implementação dessas sugestões tem que entrar na fila. As empresas que pretendem obter o máximo da Análise de Negócios devem ter outras prioridades: i) Aprender a dizer “Não!”; ii) Colocar os projetos em fila indiana; e iii) Separar o hoje (operação) do amanhã (projetos). E não é que a Análise de Negócios pode ajudá-las até nisso? Bom, acabei de arrumar mais areia para os abarrotados caminhõezinhos dos AN’s. Inté!

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    Observações:

    1. Eu quis dizer que a identificação dos problemas é fácil. Sua solução, nem tanto.
    2. Perguntinha retórica mas necessária: capacity planning só vale para máquinas?
    3. Vira e mexe me deparo com uma solução curiosa: o AN diz que anota tudo rapidinho, priorizando o contato “olho no olho” com o usuário ou cliente. Depois volta para casa e “passa tudo a limpo”, inclusive escrevendo os casos de uso. Esforço total: 4 horas, por exemplo. Se ele tivesse um par que o isentasse da anotação, ciente de que “passar a limpo” é desperdício e que especificações de casos de uso são construídas na frente do usuário, consumiria as mesmas 4 horas.
    4. A imagem utilizada, Colorful toy trucks parked in a circle é de Horia Varlan e foi obtida no Flickr.
  • FAN – Ano III

    Como foi antecipado, a estreia do novo formato do FAN acontecerá neste final de semana, em São Paulo. Além do conteúdo programático, mexi também na estrutura do treinamento e no visual do material de apoio. Destaco neste artigo as principais modificações e as justificativas para elas.

    O programa para Formação de Analistas de Negócios é um eterno trabalho em desenvolvimento. Aliás, eu acho que todo programa de treinamento é ou deveria ser assim. Sempre encontraremos algo que pode ou precisa ser melhorado. Durante os dois primeiros anos o conteúdo foi diferente em todas as turmas, para desespero do pessoal que confecciona as apostilas. A primeira grande alteração se deu após a quinta edição, quando dobramos a carga horária. A principal reclamação que recebíamos via fichas de avaliação era: “Puxa, a gente gostaria de exercitar suas sugestões”. Esticamos a duração do treinamento para poder incluir os módulos práticos.

    Alteramos também o material didático. Além das apostilas, os alunos também recebiam material de apoio para execução dos exercícios. Não bloquinhos de rascunho, como de costume, mas modelos que, apesar de extremamente simples, apoiavam o aprendizado ao reforçar os conceitos apresentados.

    Depois veio “The Back of the Napkin”, de Dan Roam (Portfolio, 2008), e com ele um novo método para o trabalho de modelagem de negócios. O núcleo das sugestões, baseado no uso da UML e sua extensão EPBE (Eriksson-Penker Business Extensions), foi mantido. Mas o método do pensamento visual facilitou tanto o aprendizado quanto a aplicação prática e imediata da modelagem de negócios.

    Só em agosto de 2009 eu resolvi “congelar” o conteúdo do FAN. Queria testar sua estabilidade em turmas abertas e fechadas. O “descanso” e relativo distanciamento do material foi proveitoso. Há pouco mais de um mês, quando o reencontrei, sabia exatamente o que alterar.

    A sequência do treinamento é madura, está bem resolvida. Mas slides envelhecem! Cerca de 70% dos slides têm a idade do FAN! De tanto apresentar o material, sempre com alguma variação, aprendi uma separação mais adequada entre o que vai na apresentação e o que é falado. É uma reengenharia gostosa de fazer, cheia de surpresas. Tem momentos em que 5 slides vão para o lixo. No momento seguinte, 7 novos slides berram para ver a luz. Ou seja, o tamanho da apresentação utilizada seguirá parecido: imenso.

    Aproveitei o esforço para “dar um tapa” no visual do material didático. Se os slides já eram minimalistas pra caramba, agora eles ficaram mini-minimalistas. Influência viciante de duas obras: “Presentation Zen”, de Garr Reynolds (New Rider Press, 2008) e “The Presentation Secrets of Steve Jobs”, de Carmine Gallo (McGraw-Hill, 2010). Treinamentos como o FAN são muito cansativos. Dois dias inteiros consecutivos fazem com que os alunos percam muita coisa, principalmente ao final dos dois dias. E a gente sabe que bullets, cores, efeitos e muita ladainha escrita e falada cansam. É claro que um treinamento assim tem muito pouco em comum com os imbatíveis keynotes do Steve Jobs, por exemplo. Mesmo assim, as duas obras citadas ajudaram a desenvolver um material de apoio que: i) Cansa menos; ii) Registra aquilo que é estritamente fundamental; iii) É de fato *Visual*; e iv) Foge das perigosas e feias armadilhas do Powerpoint e afins. Estou muito satisfeito com o produto final. Tanto que em breve, finalmente (!), vou liberar uma versão light na área de downloads deste site e também no Slideshare. Só peço que aguardem um pouquinho, até a conclusão do teste de verdade que farei neste final de semana.

    A distribuição dos exercícios também ajuda a tornar o evento mais produtivo e agradável. Distribuídos de maneira homogênea e com duração fixa, eles acabam ditando um ritmo. Sim, tô surrupiando aqui uma prática muito eficaz dos projetos guiados por métodos ágeis. O ritmo constante, estou apostando, deve tornar os exercícios ainda mais produtivos e eficazes. E, de quebra, os alunos mergulharão um pouco mais no modelo iterativo e incremental de desenvolvimento. As versões anteriores do FAN também tinham essa intenção. Mas existiam módulos muito extensos de teoria, seguidos de dois ou três exercícios consecutivos. Consegui encontrar um formato mais equilibrado. E sem nenhum prejuízo para a parte teórica. Ok, chega de blablablá. Que venham os testadores! Inté.

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    “Pô Paulo, que sacanagem! Se você tivesse avisado a gente teria aguardado essa nova versão…”

    Pessoal, a AUI! (angústia pelos upgrades infinitos) veio para ficar. Você acaba de gastar aquela bela grana num celular novinho e daqui a uma semana  aparecerá um melhor e mais feito pra ti. Será sempre assim. No caso fo FAN não se preocupem porque: i) Todo o material estará disponível para vocês, através de nosso grupo AN.br; e, ii) Estou programando dois eventos de atualização que serão disponibilizados para todos os 2.000+ participantes das turmas anteriores do FAN. Um deles será “na faixa”, “vasco”, “grátis”. Aguardem!

  • Eventos: Os Novos e o Velho

    Direto ao ponto: estão liberadas as inscrições para 3 eventos em São Paulo, dois novos e o velho conhecido FAN.

    O Jogo dos 7 Erros para Líderes de Projetos é um dos novos. É uma oficina (workshop) com duração de um dia e formato um pouco diferente. Brincamos com o velho jogo dos 7 erros – aquele onde devemos descobrir diferenças entre duas imagens. Na oficina cada erro aparecerá em uma situação diferente. E cada situação tratará de um tema desafiador e recorrente na vida dos líderes e gerentes de projetos.

    É um jogo mas está longe de ser brincadeira de criança. Os exercícios, elaborados individualmente, são de médio ou alto graus de dificuldade. E são baseados em situações reais. Cada situação terá duração de uma hora e será encerrada com um bate-papo entre os participantes.

    A outra novidade tem o mesmo formato: O Jogo dos 7 Erros para Analistas de Negócios. Não é requerida participação no FAN. Mas é desejável que os participantes tenham experiência em Análise de Negócios.

    Os dois jogos estão sendo lançados em caráter “Beta”. Ou seja, trata-se de um teste realmente. Daí o precinho especial (R$ 199 para clientes da Tempo Real Eventos e R$ 249 para estreantes). Além disso, cada evento contará com a presença de 5 convidados especiais. Na linha de uma famosa revista de informática, talvez estejamos inventando uma nova profissão: Crítico de Oficinas! Será esta a função dos convidados. Se você se interessou pelo desafio, tente sua estréia aqui, deixando um comentário crítico / criativo sobre os novos eventos. Se for aprovado, a vaga é sua.

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    E o velho FAN dá as caras novamente, rumo ao seu 3º ano de vida. Será a 18ª turma em São Paulo – com certeza um dos recordes da Tempo Real Eventos. Legal que se trate de um velho (na nossa área 3 anos pode ser muito tempo) que ainda está sabendo envelhecer. Esta turma marcará a estréia da versão 1.1 do programa. Em  números absolutos, trata-se da 4ª versão diferente desta oficina de 14 horas.

    Aliás, vale lembrar que é o mesmo evento que será apresentado pela primeira vez em Brasília, nos dias 9 e 10 de abril.

    Críticas, dúvidas ou sugestões podem ser colocadas aqui mesmo, na forma de comentários. Ou através do email: [email protected]

    Desde já agradeço. Inté!

  • {finito} 2010

    Resoluções retardatárias? Pois é, meu planejamento atrasou um pouco. O ano começou diferente dos anteriores, com turma fechada do FAN acontecendo em Sampa. E a maioria das minhas ideias para 2010 requer um tempo de maturação e até versões ‘beta’. Como de costume, vou escancarar aqui algumas delas. Para quê? Uai, o feedback antecipado de potenciais usuários e clientes é sempre bem-vindo, certo?

    O Blog

    Alguns costumes e manias não resistem a um bom teste unitário. Sei lá porque um dia decidi que publicaria aqui apenas artigos mais trabalhados que, invariavelmente, também são longos (quase sempre com mais de 1000 palavras). Artigos assim costumam demandar algo entre uma e quatro semanas de elaboração. Não de redação e edição, claro, mas de pesquisa e compilação. O problema com este enfoque é que deixo de falar sobre um monte de assuntos que, desconfio, também interessariam aos leitores fiéis ou ocasionais. Portanto, aguardem mais e menores blues, digo posts. O que não significará o fim daqueles verborrágicos, para tristeza dos apressados.

    Outro velho projeto que deve finalmente vingar é a criação de outras seções aqui no finito. Duas aparecem no topo do blog backlog: 1) Bibliografia Comentada, com dicas de leitura e trilhas de estudo; e 2) Bate-papo com profissonais da área e usuários. Penso na transcrição totalmente sem edição de prosas facilitadas por IM’s e afins. O primeiro convidado parece não ter gostado muito da ideia mas insistirei. As duas novas seções pretendem trazer vozes e pontos de vista distintos deste que aqui rabisca.

    Cursos e Palestras

    Não foi o que planejei 4 anos atrás, quando iniciei a carreira solo. Mas os Cursos e Palestras se transformaram em minha vaca leiteira – no Lucro e não no Troco¹. Ao invés de nadar contra a maré, é preferível que eu reforce minhas ofertas. Principalmente para tentar me distanciar do oceano vermelho de sangue que caracteriza esse mercado. Gosto do modelo utilizado no FAN – eventos curtos e práticos. Mas a estabilidade dos times que estão ganhando é uma perigosa ilusão. Está aqui o desafio que mais tem ocupado meu tempo nas últimas semanas.

    Devo lançar simultaneamente, ainda neste primeiro trimestre, dois novos eventos. Serão dirigidos para públicos diferentes mas vão compartilhar o mesmo formato e nome: “O Jogo dos 7 Erros“. Um será voltado para líderes de projetos e outro para meu público-xodó, os analistas de negócios. O formato é de um jogo realmente. Cada erro merecerá uma hora. Os exercícios tomarão metade do tempo. O restante será utilizado na apresentação do erro, casos e para o debate com a turma. Como o formato é muito novo os eventos serão lançados como ‘beta’ e terão preços especiais. Aliás, tudo será novo e o teste é mais que necessário. Inclusive ou principalmente do material didático. As primeiras turmas devem acontecer em São Paulo.

    As novas ofertas não significam que o FAN irá para escanteio, pelo contrário. Novas turmas serão abertas, a partir de abril, em São Paulo e Brasília.

    Serviços

    É curioso como meus “patinhos feios” atraem atenção quando apresentados de maneira menos formal. Particularmente o conjunto de serviços que identifico como Administração de Ativos. Ou seja: erro feio na mensagem que transmito aqui e no material de marketing que desenvolvi. Duas providências: 1) Alterar a apresentação “formal” dos serviços; e 2) Lançar, no segundo semestre, eventos que mostrem de maneira mais clara a importância de alguns temas, particularmente a Administração de Ativos e a Engenharia de Processos. Pacotes de treinamento + consultoria devem ser a melhor resposta. Mas eu tratei de deixar bem baixas minhas expectativas para 2010.

    E o livro, sai ou não sai?

    Transparência é jóia e dá retorno. Mas também pode te deixar assim, sem ter onde esconder a cara quando alguma coisa não vai bem. Hoje eu entendo porque Nicholas Negroponte e Louis Gerstner resolveram nunca mais escrever depois de lançarem seus primeiros livros. “É o Negócio, Beócio!” é de longe o pior projeto que já assumi em minha vida. E eu tratei de torná-lo cada vez pior, prometendo prazos mesmo quando não era cobrado por isso. Acabei por transformá-lo em um verdadeiro pesadelo quando deixei os alvos ficarem móveis. Justo eu, que insisto com os 4 ventos que um projeto não pode dar certo se não tem objetivos bem claros.

    Pois bem, o livro já foi escrito 4 vezes. Acho que já contei isso aqui. Duas versões não mereceram a luz do sol e foram direto para o lixo (shift+del mesmo). Alguns capítulos da última versão foram publicados. Mas, apesar do feedback relativamente favorável, alterei a estrutura e me perdi novamente. Tudo fica um tanto surreal quando me lembro que em apenas 4 meses, no longínquo 2007, eu escrevi uma versão quase completa. Hoje tenho a sensação de estar muito próximo da estaca zero.
    E olha que até capa(s) ele já tem²!

    Inicialmente o livro seria um “Guia para a Formação de Analistas de Negócios”. Quando comecei a aceitar que este deve ser também o meu último livro resolvi que ele podia ser um pouco mais abrangente. Ambiguidade é risco. E aquele “pouco” da penúltima frase virou um imenso problema. O lado bom do desabafo aqui é que, além de tirar um grande peso de meus ombros, dá ânimo para pegar no trampo de novo.

    Epílogo?

    Que nada! Prólogo para um 2010 que promete. Mas antes de começar eu preciso agradecer a todos que fizeram de 2009 um ano bem legal e produtivo: Leitores do finito, participantes do FAN e do grupo AN.br, clientes, parceiros e amigos. Espero que tenhamos boas desculpas para novos encontros.

    Observações

    1. Lucro | Troco | Truco é uma versão tropicalizada daquele esquema “70% 20% 10%” que seria utilizado pela Google. Dedico 70% do meu tempo em ofertas que representam meu negócio principal, o Lucro. O Troco, que ocupa 20%,  é aquela receita básica e normalmente pequena que serve para pagar despesas fixas. E o Truco é uma ideia maluca qualquer que só merecerá mais de 10% do tempo quando mostrar potencial para virar Lucro ou Troco. Junto com o esquema Conteúdo -> Conversas -> Transações, este conceito dá forma ao núcleo do modelo de negócios do finito.
      Pois é, formalizei lá em cima que Cursos e Palestras passam a merecer 70% do meu tempo. Pelo menos até o início do 2º semestre.
    2. As capas foram desenvolvidas pela Sabiá. Me apresentaram 6 sugestões e até hoje o máximo que consegui foi eliminar duas. É provável que o livro saia com 2 capas oficiais, uma para descolados e outra para… hmm… menos descolados, hehe…
    3. O finito ganhou chaves?!? {finito}
      Têm algum significado?
  • Fracasso 2.0

    Sequência do papo sobre “O Novo Gerente de Projetos“. Segunda parte de um total de três (ou quatro).

    Em todas as turmas do FAN, quando mostrando como todos os requisitos devem derivar dos objetivos do negócio, sempre comentei o seguinte: meu currículo apresenta projetos que tiveram problemas com prazos e orçamentos. Alguns maiores, outros nem tanto. Só me sentiria envergonhado se apresentasse ali algum projeto que tivesse falhado na realização dos objetivos do negócio.

    A comunidade de gerenciamento de projetos tem demonstrado maior preocupação com o Valor gerado para os negócios. Dentre vários artigos e outros trabalhos distingue-se, por exemplo, “Diferenciando os Alinhamentos Estratégicos de Projetos“, de Ana Helena Moreira e Fabio Medeiros, publicado na MundoPM de Abr/Mai de 2009. Eles demonstram como a Proposição de Valor de uma organização, da qual derivam as estratégias, deve direcionar “o foco e o conteúdo dos elementos do gerenciamento de projetos”. Aliás, o título do editorial da mesma edição, assinado por Zózimo, é “Valor“.

    O PMBoK¹ não dá margens para dúvidas quando registra que “projetos são meios para a realização de metas ou objetivos da organização”. Nem quando afirma que o gerente “entrega projetos balanceando requisitos de escopo, prazos, qualidade e custos”. Ele falha, em minha opinião, quando não explicita que tal “balanceamento” deveria ser orientado pelos objetivos do negócio. Na realidade, o grande problema do PMBoK é não fazer refletir em seus processos a devida preocupação com a satisfação das metas e objetivos da organização.

    Alinha-se ao PMBoK o Chaos Report, relatório publicado pelo Standish Group desde 1994. Alinha-se? Sim, ao considerar que um projeto *falha* quando atrasa e/ou estoura orçamento e/ou não entrega todo o escopo *planejado*. Ambos os trabalhos ainda apresentam em seu “espírito” uma preocupação exagerada com o plano. Contra desvios são recomendadas “ações corretivas”, o que deixa entender que o plano está sempre correto; Equivocada seria a execução.

    Apesar da qualidade aparecer entre itens que precisam ser “balanceados”, tanto PMBoK quanto o Chaos Report nos remetem ao velho “Triângulo de Ferro” do gerenciamento de projetos: Escopo, Prazos e Custo. Esses três itens configuram as principais preocupações de um gerente de projetos. E elas estão explicitamente refletidas nas várias práticas e processos sugeridos não só nos dois trabalhos mas em vários outros que tratam o gerenciamento de projetos.

    O primeiro dos 12 princípios do Manifesto Ágil diz que: “Nossa maior prioridade é satisfazer o cliente através da entrega antecipada e contínua de software valioso”. Valioso no sentido de que o produto entregue realmente representa um meio eficaz para a busca dos objetivos do negócio. Vários métodos, frameworks e práticas derivados do Manifesto Ágil atestam tal preocupação. Mas alguns parecem limitar a percepção de valor à medição do ROI (Retorno sobre o Investimento). É suficiente?

    O Novo Triângulo

    Um Novo Triângulo para o Gerenciamento de Projetos
    Um Novo Triângulo para o Gerenciamento de Projetos

    Jim Highsmith, em “Agile Project Management – Second Edition²“, sugere a adoção de um “novo triângulo”, de algo que de fato represente as principais preocupações de um novo gerente ou líder de projetos. Para ele, as três pontas deste novo triângulo são: Valor, Qualidade e Restrições. Segue uma breve explicação sobre cada uma:

    • Valor: representa diretamente a contribuição para a realização dos objetivos do negócio. Quando tratamos de um sistema para uso próprio, avaliamos e valorizamos a eficácia com a qual ele ajudará a empresa na busca pelos seus objetivos.
      Quando a principal saída de um projeto é um produto ou serviço para uso de terceiros, o Valor indica tanto a satisfação destes quanto a realização das estratégias comerciais.
      Aqui é importante destacar que o Valor também representa a Qualidade Extrínseca ou externa do produto ou serviço. Essa qualidade é imediatamente percebida pelo cliente e não é a mesma citada como segunda ponta do triângulo.
    • Qualidade: esta é a Qualidade Intrínseca ou interna do produto, e refere-se principalmente à sua confiabilidade e capacidade de adaptação. Por exemplo: um produto pode ser muito bem recebido por um cliente no primeiro momento – seu Valor foi percebido pelo cliente. No entanto, quando mudanças são necessárias mas de difícil e cara implementação, consideramos que a qualidade do produto é baixa, sofrível ou inexistente.
    • Restrições: e quem disse que o velho triângulo deveria ir para o lixo? Muito pelo contrário. É aqui, formando a terceira ponta do novo triângulo, que manifestamos nossa preocupação com Escopo, Prazos e Custos. Como reforça Jim, utilizando o mesmo padrão de apresentação dos valores do Manifesto Ágil, a colocação das restrições como apenas uma ponta do novo triângulo não significa dizer que elas não são importantes. Mas é considerável o impacto na crença de que a realização sem desvios do escopo, prazos e custos previstos seriam suficientes para determinar o sucesso de um projeto.
      E esta não é a única mudança. Além do livro de Jim, um outro trabalho a ser publicado em 2010, “Agile Product Management with Scrum³“, sugere um interessante tratamento das restrições. Das três – escopo, prazos e custos – uma é mais relevante para a realização dos objetivos do negócio. Apenas ela deveria ser fixada. As outras duas seriam tratadas com certa flexibilidade. Por exemplo: o prazo, o time-to-market, é considerado crucial para o sucesso de determinado produto. Sendo assim, tanto o escopo quanto os custos poderiam variar. É claro que não se trata de flexibilização total (e insana). Mas o cliente ou patrocinador aceitaria a flutuação dentro de uma faixa pré-estabelecida. Os custos ficariam entre $ 80 e $ 120, por exemplo. Também seria aceitável o possível corte de algumas funcionalidades opcionais (ou secundárias). Tudo para que o prazo, neste exemplo a restrição mais importante para o negócio, fosse atendido plenamente.

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    Me parece inevitável uma revisão da definição de fracasso pelo Standish Group. Assim como espero um PMBoK mais orientado para a adaptação do que para ações corretivas (que visam a colocação do trabalho nos “trilhos” de um plano). Como insiste Jim Highsmith em mais de um trecho do livro, “planos (e arquiteturas) devem funcionar como guias e não como camisas-de-força”.

    Do outro lado, do Mundo Ágil, espero a compreensão de que o ROI (Retorno sobre o Investimento) não é a única unidade de medida ou preocupação que deve nortear um projeto ou mesmo indicar seu sucesso ou fracasso.

    Mas… devo me segurar. Afinal, prometi uma série de artigos com provocações e questionamentos, não com conclusões. Portanto, deixo algumas questões: Como você mede o sucesso de seus projetos? E o fracasso? Você realmente acredita que um projeto cancelado significa um fracasso? Planos não realizados em sua plenitude são fracassos? Essas percepções são compartilhadas por todas as partes interessadas?

    O papo seguirá. O próximo artigo será “O Mundo Mudou“. Inté!

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    Referências

    1. Guide to the Project Management Body of Knowledge – PMBoK® Guide, Fourth Edition.
      PMI – Project Management Institute. 2009.
    2. Agile Project Management – Second Edition.
      Jim Highsmith. Addison-Wesley, 2010.
    3. Agile Product Management with Scrum
      Roman Pichler. Addison-Wesley, 2010.

    A figura utilizada no topo do artigo, flikr2298, é do Flikr e liberada como Creative Commons (by).

  • Sobre Conversas e Comunidades

    De todos os modelos de negócio que vi nos últimos anos, apenas um merece minha mão no fogo e meus suados centavos. Conheci sua versão consolidada através do blog Confused of Calcutta, de JP Rangaswami. Dada sua amplitude, talvez seja mais correto chamá-lo de metamodelo. É o seguinte:

    Gere conteúdo. Se ele for bom, conversas surgirão em torno dele. As conversas serão duradouras, se forem boas. Elas gerarão transações, se forem realmente boas.

    A simplicidade do modelo não deveria enganá-lo. Sua implementação não é nada fácil nem rápida. Mas não pense que é a geração de conteúdo a parte mais complicada. Apesar de alguns poucos preguiçosos que vivem de surrupiar material alheio sinalizarem o oposto, o fato é que criar conteúdo – ter assunto – é a etapa mais simples do modelo acima. Ainda mais numa área fervilhante e diversificada como a nossa.

    Difícil mesmo é iniciar e manter conversas. Mesmo que o assunto seja bom e promissor. E as razões para essa dificuldade são óbvias: conversas demandam tempo, e tempo é um recurso muito escasso atualmente; conversas requerem atenção, e como andamos distraídos e/ou sobrecarregados!

    A boa administração do que é escasso e do que é abundante é tema recorrente tanto do JP quanto de Seth Godin, outro provocador obrigatório. A lei existe desde que nos entendemos por gente: o que é escasso é obrigatoriamente mais caro. Então, por favor, valorize seu tempo! Valorize meu tempo! No bullshit!, diriam nossos amigos do norte.

    O programa FAN (Formação de Analistas de Negócios) foi desenhado de acordo com esse modelo. Eu não queria que as conversas terminassem depois das 7, 14 ou 20 horas de um evento. Cerca de 25% dos participantes também não. Por isso aceitaram participar de um grupo de discussão que tinha só essa grande missão: esticar o papo.

    Em 2 anos e 3 meses nós trocamos 4.166 mensagens. Hoje somos pouco mais de 500 participantes. Impossível mensurar o que aprendi e quanto enriqueci o conteúdo a partir dessas conversas. Só sei dizer que é muita, muita coisa. Também não sei dizer o quanto os outros integrantes do grupo ganharam. Mas quero desconfiar que não é pouco. Se fosse, já teriam abandonado o barco.

    O curioso dos grupos, de todos eles, é que a grande maioria dos integrantes é relativamente silenciosa. Quando provocados, costumam dizer “não sou muito ativo(a), mas gosto muito das discussões”. Confesso um certo incômodo com tamanha passividade, mas já desisti de achar uma forma de reduzi-la.

    O grupo sempre foi um diferencial do programa FAN. Até hoje ele era exclusivo para os participantes dos eventos promovidos por mim. E a razão da trava nunca foi comercial: eu queria apenas uma uniformidade de interesses e vocabulário. Essa homogeneidade não faz mais sentido e o grupo topou ser aberto para o público em geral.

    Portanto, se você aceitou esse lero-lero até aqui, talvez aceite também nosso convite para participar do AN.br, uma comunidade virtual que debate a Análise de Negócios, profissões correlatas, Modelagem de Negócios, Pensamento Visual, Engenharia de Requisitos e Viabilização de Projetos. Se for o caso, por favor, solicite sua inscrição através deste link, informando que recebeu o convite através do finito.

    E, já que estamos aqui, posso surrupiar mais 15 minutos de seu escasso tempo? É que estou fazendo uma pequena pesquisa sobre projetos e a Análise de Negócios no Brasil. São apenas 23 questões, a maioria demandando apenas um clique. Quem participar terá acesso integral ao resultado da pesquisa, além de concorrer aos seguintes prêmios: 3 vagas em eventos FAN e 5 agendas personalizadas (desenhadas especificamente para analistas de negócios e product owners). Para tanto, basta que você envie um email para [email protected], confirmando que respondeu ao questionário. Clique aqui para participar.

    É conversando que a gente se entende. E se estou com orelhas tão grandes, é só pra te escutar melhor. Inté!

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    A imagem utilizada, FOWA Sketch, é de KaiChanVong, e foi surrupiada legalmente, se é que você me entende.

  • FAN :: Os Novos Módulos do Programa

    O programa de Formação de Analistas de Negócios (FAN) nasceu para ser alicerce, fonte e processo de criação de meu primeiro livro. Seu inesperado sucesso1 fez com que ele ganhasse vida própria. Quando ele foi lançado ainda não era um programa. Era só uma imensa palestra com 7 horas de duração, erroneamente identificada como “workshop”. Críticas e sugestões de vários participantes levaram a criação de duas oficinas de verdade: Modelagem de Negócios e Engenharia de Requisitos. Desenvolvi versões com 14, 35 e 70 horas, configurando assim um programa para formação de AN’s. Dezoito meses e mais de 1200 participantes depois, chega a hora de rever o programa e propor novos caminhos. Incrementais, claro, porque os módulos atuais continuam valendo.

    Em agosto do ano passado eu publiquei aqui uma sugestão de roadmap para AN’s. Era ao mesmo tempo um plano e uma provocação. Poucas mas boas ideias foram apresentadas. Mas chega a ser curiosa a distância entre as alternativas fruto de um cutucão e as oportunidades / necessidades percebidas. Na primeira reunião pública do Capítulo SP do IIBA2 (International Institute of Business Analysis) muitos participantes cobraram reconhecimento da profissão / função. De certa forma ficou implícita na solicitação uma melhor definição do perfil, formação e responsabilidades dos AN’s. Algumas das threads mais longas e quentes de nosso grupo de discussões e fórum tratam exatamente deste ponto: quem é e o que faz um AN? Ao conversar com colaboradores de empresas dos mais diversos segmentos e portes, percebi as mesmas questões. E os mais diversos cenários.

    Há quem use o AN como se fosse um analista de sistemas, cobrando deste o domínio e desenho da solução. Em algumas empresas o AN parece guarda-costas ou válvula de escape do pessoal de suporte. Em outras é bode expiatório e sparring de usuários insatisfeitos e desenvolvedores idem. Para não dizer que tudo é negativo ou distorcido quando se trata de análise de negócios, vale ressaltar também que algumas organizações cobram de seus AN’s o que realmente deve ser cobrado: o entendimento do negócio e dos usuários e a comunicação desta compreensão para todas as partes interessadas de um projeto.

    Como ainda há muita desinformação e contrainformação quando o assunto é análise de negócios, resolvi editar uma 3ª versão daquele palestrão de 7 horas. Chamado “FAN Especial”, sua primeira turma está programada para a próxima quarta-feira, 11/fev, em São Paulo. Com ele tento matar 2 coelhinhos com a mesma cajadada:

    • Explicar para as empresas, particularmente gerentes de TI, gerentes de desenvolvimento e coordenadores de projetos: i) quem é o AN; ii) quais são suas responsabilidades na empresa e em projetos; e, iii) porque ele é importante, especialmente em projetos de software.
    • Apresentar a função / profissão para analistas (de negócios, de sistemas, de requisitos, de processos…) e debater: i) o corpo de conhecimentos “oficial” (BABoK); ii) modelagem de negócios e engenharia de requisitos; e, iii) como as empresas estão contratando e estruturando o trabalho do AN.

    Mas 7 horas são realmente necessárias? Sim, isso possibilitará um maior aprofundamento em todos os tópicos. Há também uma generosa fatia de tempo separada exclusivamente para os debates. Mas a principal mudança desta versão 3.0 do “palestrão” é a sequência de apresentação. Nas anteriores eu apresentava o AN, modelagem e requisitos em três partes com fronteiras bem delimitadas. Agora vou apresentar o trabalho do AN como ele realmente ocorre, do início ao fim de um projeto. As práticas e métodos serão apresentados como em um grande estudo de caso. Esta ordem permite apresentar, além do cenário ideal, armadilhas e equívocos que têm caracterizado o uso de AN’s pelas organizações.

    Mas este formato nos leva a mesma situação apresentada lá no primeiro parágrafo: e se a turma quiser “sujar” as mãos, praticando um pouco daquilo que está sendo sugerido? Indicá-los o formato padrão, o par de oficinas com 14 horas de duração, não seria muito legal de minha parte. Afinal, nas oficinas eu repito toda a parte teórica. Pensando nisso, Tempo Real Eventos e eu resolvemos colocar no ar o “FAN – Mão na Massa“, um evento 100% prático. Os participantes serão apresentados a um problema de negócio e devem resolvê-lo em 7 horas, exercitando as principais ferramentas que estão a disposição do analista de negócios. A estréia deste evento em São Paulo está agendada para o dia 24 de março, véspera do lançamento do meu livro na mesma cidade.

    O “Mão na Massa” será o primeiro evento do programa com um pré-requisito obrigatório: os participantes devem ter assistido algum outro módulo do programa FAN. Sem a base teórica destes eventos, é praticamente impossível aproveitar bem esta oficina. Que não será restrita ao público do “palestrão”. Todos que participaram dos workshops podem tirar proveito deste novo formato: a dinâmica é diferente – não tem aquele esquema “teoria – exercício – teoria…” que os caracteriza. É realmente 100% prático, o que garante uma experiência bem diferente das anteriores. Esta versão “Mão na Massa” foi testada em Florianópolis3, em dezembro. Como o resultado foi muito positivo, resolvi liberá-lo em formato comercial.

    E tudo indica que este será o caminho de evolução do FAN, com pequenos módulos específicos. Cursos tradicionais, com 35 ou 70 horas de duração, são de difícil comercialização. A crise atual complica ainda mais a viablização de treinamentos mais longos. Os módulos do FAN, mais curtos e consequentemente mais baratos, são uma boa alternativa. Mas minha principal preocupação é com a utilidade deles: que os alunos consigam adotar as sugestões no dia ou no projeto seguinte. AN que é AN de verdade sabe que o retorno sobre o investimento deve ser nítido.

    .:.

    Notas:

    1. Sucesso que devo a todos os participantes do programa FAN. Neste mercado só podemos considerar *cliente* aquele que faz a segunda compra. E ainda indica os serviços para colegas e amigos. Vale ressaltar também o incrível trabalho da “sócia” Tempo Real Eventos, que acreditou na proposta do FAN desde o primeiro momento.
    2. Capítulo SP que agora terá com quem conversar. Está sendo lançado o Chapter Carioca do IIBA. Parabéns e boa sorte aos pioneiros.
    3. E cabe aqui o agradecimento ao pessoal da FIESC, SESI e SENAI de Santa Catarina, que deu inestimável apoio ao evento “teste” que realizei lá. E, claro, devo agradecer também a turma que topou o desafio e mandou bem, muito bem.
  • É o Negócio, Beócio!

    Todos os participantes de meus eventos se defrontaram com o título acima. Como era o penúltimo slide e pintava lá no finalzinho do dia, nunca mereceu muita atenção. Pouquíssimos sabiam o que significa beócio. Também foram poucos os que ficaram curiosos. Segundo o Houaiss:

    be.ó.cio adj.s.m. 1.  que(m) é natural ou habitante da Beócia, região da antiga Grécia. 2. p.ext. infrm.pej. (indivíduo) grosseiro, ignorante ou ingênuo.

    Não sei se dei sorte ou realmente não fui mal interpretado, mas nunca ninguém se sentiu ofendido com o título. Realmente os participantes de meus eventos nunca foram alvo da exclamação. Pelo contrário, minha intenção era dar-lhes de presente um clichê: É o negócio, beócio! Uma frase-projétil útil toda vez que alguém se esquece quem paga a dolorosa de nossos projetos. Resolvi hoje contar as origens e explicar o codinome do meu livro.

    Bill Clinton, em um dos últimos debates contra Bush pai, bofeteou-o: É a Economia, Estúpido! Saiu vitorioso e construiu um superávit inédito na história daquele país. Bush filho assumiria a mesma cadeira tempos depois e deixaria como legado o maior déficit que aquela nação já viu. Mas essa é outra história…

    Desde que criei coragem para escrever meu primeiro livro já tinha claro quem seria o maior homenageado: meu pai, Paulo Fernando Nogueira, que nos deixou há 12 anos, quando tinha só 49 anos de idade. Contador, foi o cara que me colocou na carreira de TI e a influenciou em diversos momentos chave. Qualquer dia falo mais sobre ele. Hoje nos interessa o beócio. O “velho” era meio erudito. Herdei dele a paixão pela leitura – de jornais (de papel), livros policiais e nossos quase sempre chatos tratados técnicos. Mas ele não gastava sua erudição em papos sérios. Não, usava-a apenas como pequenas alegorias em seus papos divertidos e xingamentos. Insulto favorito: beócio! Era dirigido, principalmente, contra jogadores perna-de-pau, juízes pouco honestos e motoristas barbeiros.

    Quando defini o tema do livro, um Guia para a Formação de Analistas de Negócios, surgiu quase que imediatamente a frase-arma: “É o Negócio, Beócio!”. Tente pronunciá-la em voz alta;jogue-a na cara dos caras que começam projetos de software pelos ferros, caixinhas e código, hehe. É de fato um belo presente que ganhei e repasso. Sem custos!

    Mas, obviamente, “É o negócio, beócio” não ficaria muito bem como título de um livro para analistas de negócios. Aliás, seria de certa forma um desperdício. Penso em utilizá-la como título de uma série! Sim, uma série de livros que terá um tema em comum: a eliminação da distância entre TI e o negócio. Ou, para usar uma casa do ‘embromation bingo’ , uma série sobre “Alinhamento Estratégico”. Qual será, então, o nome do livro? Por mim ficaria “Guia para a Formação de Analistas de Negócios”. Mas uma consulta ao nosso grupo de discussão deve ser feita antes do fechamento da questão.

    Ok, Mas Cadê o Livro?

    Quero crer que minha arrogância nunca foi tão longe: logo no início do trampo de escrever o primeiro livro fui lá e cravei um prazo: 27/mar/2008. O divulguei aqui e em todos os eventos que apresentei até o final do ano passado. Influência dos processos ágeis, onde prazos e custos são “imexíveis”? hehe.. Não importa, o fato é que foi realmente um grande erro. Trata-se de um tipo de projeto que enfrento pela primeira vez. Pior: falando de um tema que ainda está em fase de ebulição / definição. Que não sirva como desculpa, mas o próprio BABoK V2 já apresenta aproximadamente 1 ano de atraso. E olha que o trabalho deles é feito a n mãos! Mas, como eu disse, não é desculpa.

    Agora sim eu consigo trabalhar com um prazo definitivo: 25 de março de 2009. É uma quarta-feira e um pequeno evento acontecerá em Sampa. Para quem gosta de curiosidades: é dia de São Dimas, o “Bom Ladrão”. Achei coerente com um texto que ‘rouba’ boas idéias de diversos autores (também ladrões). E fica a 2 dias de completar exatamente 1 ano de atraso! Mas eu quero compartilhar um pouco da experiência de se escrever um livro, agora e em futuros artigos.

    Desde o início decidi que utilizaria um processo iterativo e incremental. Tinha a intenção de tratar o projeto do livro como se deve tratar um projeto de software. Como eu não tinha um cliente pré-definido, com o tempo criei uma comunidade de clientes para o meu ‘software’. Todos os participantes dos eventos foram convidados a participar de um grupo de discussão. Hoje somos 357 pessoas de praticamente todo o Brasil. Tem até um ilustre participante em GMT -11. Quase todos os debates ali servem como feedback direto ou indireto ao meu trampo. Tanto que até acho a troca um tanto injusta… mas o grupo não reclama. No entanto, o retorno não vem da forma como eu esperava. Não vem tão mastigado, tão diretamente relacionado ao livro, que o grupo já conhece em uma versão bastante preliminar. Mas, é claro, não posso reclamar.

    Reclamo só de mim: já escrevi o livro 3 vezes! Escrevi mesmo, do zero. Uma das versões, a 0.7, saiu do computador direto para o lixo.Não á fácil achar um ponto de equilíbrio. Explico: o texto é técnico. Mas não precisa ser chato. Minha principal referência neste ponto é “A Arte do Gerenciamento de Projetos“, de Scott Berkun. É um texto moderno, sério mas leve. Digo sem medo de errar que é o livro de TI que mais gostei de ler. E, claro, gostaria que o meu tivesse o mesmo tom e utilidade. É quase uma arte, e equilíbrio é a palavra-chave. Por exemplo: a tentação de mergulhar um pouco mais em uma parte ou técnica que mais me agrada é muito grande. Mas assim eu deixaria o texto ‘cambeta’. Quem já viu meus eventos sabe que defendo (teimosamente! hehe) alguns pontos de vista (leia-se conceitos, processos, práticas e ferramentas). Mantenho o tom (teimoso!) no livro. Mas não me esqueço que equilíbrio é a palavra-chave. Aliás, esqueço e lembro, esqueço e lembro, de uma forma iterativa e incremental. É o próprio Berkun quem diz: “Planeje voltar – escrever é editar.

    Pois bem, início agora a última etapa do processo. Liberarei os capítulos individualmente para o grupo, até meados de fevereiro. É a versão 0.9, que também está sendo chamada de “release candidate”. Haverá um prazo para críticas e sugestões. As revisões ortográfica e gramatical, a cargo do mano jornalista Luiz Gustavo, acontecerão em paralelo. A única coisa que não será revelada nesta versão é a programação visual . Uma surpresa que só será revelada na versão 1.0, no próximo dia de São Dimas, 25/mar/09.

    Notas:

    1. Para quem não viu, o ‘embromation bingo’ é tema de uma hilária e provocativa campanha publicitária da IBM. Está no ar em alguns canais pagos, inclusive ESPN Brasil.
    2. Diversos participantes do grupo deram uma contribuição danada ao meu trabalho. Sem demagoria, considero-os co-autores. É claro que compartilharei com eles a responsabilidade de escolher um nome para meu (nosso!) primogênito.
    3. Além do conteúdo, a forma do livro me incomodou bastante. Se ele está sendo tratado como um software, como seriam realizadas as atualizações? Como aplicar patches e service packs em um livro texto? Apresento as respostas no próximo artigo. Amanhã! Inté!