Apesar de tentar obedecer o padrão, minha noção de “Ano Novo” não ocorre entre dezembro e janeiro. Começo a visualizar o próximo ano ‘letivo’ em julho ou agosto. Até dois meses depois eu preciso ter um bom desenho sobre como eu quero estar quando o próximo ano acabar. Tão ou mais importante que as metas financeiras (que, no final das contas, nunca se realizam mesmo) são os objetivos de estudo e das conversas que ele pode gerar. Há uma década adquiri o hábito de desenvolver um tema por ano. Faço uma imersão e depois tento repassar o que aprendi em artigos e eventos. Como já fiz no ano passado, neste artigo vou escancarar (um pouquinho) meus planos para 2011.

Planos que devem ser especiais porque em 2011 completo 25 anos de relacionamento com esta área chamada genericamente de Tecnologia da Informação. Pois é, Bodas de Prata! No namoro fui programador. Noivado na marra se deu quando me converteram em gerente de projetos. Há cinco anos, quando voltei para minha terra natal e me converti em consultor independente (sem patrão nem sogra), resolvi que era casório mesmo.

Ano especial significa um pouco mais de ambição. Boa ambição. Ao analisar a evolução histórica das visitas ao finito foi fácil perceber uma inevitável estabilização. Não posso forçar a barra ou questionar convicções e estilo para tentar conquistar quem não gosta de meu trabalho. Não. Em relação ao finito a minha principal preocupação será não perder quem eu consegui atrair. Para isso eu sei que devo continuar entregando o que eles esperam, em torno dos temas já consolidados (Análise de Negócios, Gerenciamento de Projetos e Engenharia de Software, principalmente).

Mas quem me conhece sabe que esse papo de estabilização e mesmice não tem nada a ver comigo. No início do ano passado tentei explorar algumas ideias diferentes, em artigos e eventos. Falo principalmente dos fracassados “Jogo dos 7 Erros” e do épico do “Seu Moreira”. Quebrei a cara. Como sou teimoso como um bom burro mineiro, tentarei lançar o jogo novamente. Motivado principalmente por participantes do FAN que falaram: “eu quero”. Mas meu cardápio, como eu antecipei em meados de 2010,  tem novas opções:

  • FDP – Formação de Donos de Produtos: único produto que já testei em 2010 (com resultado pra lá de positivo). Ele seguirá em testes beta por mais duas ou três edições. O que eu não havia contado até agora é que este evento foi um chute de longa distância para testar outro lançamento, o
  • FAN4Scrum: sim, a formação de analistas de negócios para trabalho específico com o framework Scrum. Ele se sobrepõe de certa maneira ao FDP, mas tem um perfil bem diferente. Enfatizo técnicas de desenvolvimento de requisitos e histórias. O ‘4’ no nome tem outro significado: celebra o 4º ano do programa FAN. A primeira versão (aberta) será uma oficina com 7 horas de duração.
  • FLiP – Formação de Líderes de Projetos: há tempos ensaio meu retorno ao tema Gerenciamento de Projetos. É meu tiro mais arriscado porque se trata de uma área em fase de estranha ebulição. O alto risco justificará uma estratégia de testes diferente daquela que utilizei no lançamento do FDP. Conto mais em breve.
  • Análise de Negócios – Linguagem Chave para Executivos: oficina que desenvolvo a quatro mãos com o Sérgio Storch, da ContentDigital. Em quase todas edições do FAN ouvi o seguinte: “Queria muito que meu gerente estivesse aqui”. Este evento foi desenhado para eles e outros executivos, de TI ou não. Melhor dizendo: está em fase de desenho. Mas sairá ainda no primeiro semestre.

Outros temas ‘xodó’ passaram todo o ano de 2010 clamando por um pouco de atenção: Gestão do Conhecimento; o “i” de TI; Software como Negócio; Software como Ativo; e, jogando no ventilador, TI, Vida Digital, Carreira e Negócios de uma maneira geral. Confesso que não sei o que pode sair daqui. Talvez eu lance alguns artigos e palestras sobre alguns desses temas. Minha única certeza é que ressuscitei o GRAFFiTi para que ele possa servir como um repositório de assuntos aleatórios. Conto neste artigo um pouco das minhas intenções. Aquelas que já conheço, hehe. Ah, migrei para lá a sequência da conversa que comecei ao comentar o livro “Capital Intelectual“. Aquele papo sobre fábricas de software e coisa e tal. Está em “Cadeia, Rede ou Oficina de Valor?

Muita coisa para uma cabecinha só? Depende: 2011 é o ano do Coelho, e Coelho é símbolo de agilidade e fertilidade. Saber aproveitar e utilizar melhor o tempo é uma qualidade cada vez mais necessária (particularmente depois de determinada idade). E, como já dizia o poeta, “Disciplina é Liberdade”. Aquele modelinho que utilizo há tempos – Lucro | Troco | Truco – ajuda bastante. O novo GRAFFiTi ainda é apenas um “truco”. Merecerá só 10% de meu tempo. O restante seguirá aqui, nos estudos, artigos e eventos do finito. Precisa dizer que seguirei contando com você? Feliz 2011. Inté!

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Observações:

  1. É muito difícil escrever e pensar de verdade em um “Feliz 2011” vendo o terror dos últimos dias na região serrana do Rio, em São Paulo e aqui no Sul de Minas. Entristece mais a certeza de que daqui poucos dias a grande mídia mudará de assunto (Carnaval!) e só voltará a se preocupar quando desgraças começarem a marcar o próximo verão. Quem pensa que é o “4º Poder” e que como tal tem poder de fiscalização deveria entender que é tão responsável pela inexistência de políticas de prevenção quanto os governos. Repito: tão responsável quanto. Nossa “grande” mídia não é só babona, interesseira e pobre não. É irresponsável também.
  2. A imagem utilizada, No 11 – black on white, é da Kirsty Hall.

Comments

2 respostas a “2 0 1 1”

  1. Avatar de Jefferson
    Jefferson

    Boa sorte neste ano cheio de metas que você inicia Paulo. Eu, particularmente, fico decepcionado com a ausência de uma meta (você já sabe bem qual é… :D).

    Sobre os fracassos, acho muito interessante a sua forma de tratá-los. Em especial me pergunto se a minha participação na epopéia do Moreira teve alguma coisa a ver com o abandono da idéia, que uma excelente idéia para quem lê, mas uma baita armadilha para quem escreve…

    Enfim… te aguardamos mais seguido aqui no sul, ansiosos por poder provar dos novos produtos.

  2. Avatar de admin
    admin

    Obrigado Jefferson!

    Não citei o fatídico livro porque, como já te contei, estou perdido. O único alívio que consegui nos últimos tempos foi saber que “Management 3.0”, um livraço de Jurgen Appelo que ainda estou estudando, demorou 10 anos para ficar pronto. Ainda estou no 4º ano com meu “Beócio”, hehe…

    Fracassos costumam ser bons professores. Daí minha forma de tratá-los. Mas saiba que suas participações não atrapalharam em nada a saga do Moreira, muito pelo contrário. O aborto da saga teve a ver com o não lançamento do jogo. As duas coisas estavam ligadas. Eu errei na saga, talvez pela verborragia. Mas, como eu disse, ainda não desisti do formato.

    Espero mesmo retornar em breve para o Sul. Aguarde notícias. E mais uma vez muito obrigado pela força.

    Abraços,

    Paulo Vasconcellos

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