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  • O Mapa de Transformações

    O Mapa de Transformações

    Mude antes que seja forçado” é um dos mantras mais famosos de Jack Welch. O que está vivo muda – tenta se adaptar – na marra, na sorte ou por querer. Se para melhor ou pior, o tempo dirá; No caso dos negócios, os clientes julgarão.

    A mudança é uma certeza muita incômoda em tempos de tantas incertezas. Existem estratégias e ferramentas mil para a redução dos desconfortos e riscos. Este artigo apresenta uma, o Mapa de Transformações.Com certeza você já viu negócios que se fingem de mortos. Seus sinais vitais – balanços e balancetes – estão normais. Há um vermelhinho ali e outro acolá, mas não é nada que um bom plano de contenção de despesas não corrija. O predador (Amazon, Netflix, Uber, AirBnb, Marfrig, <coloque seu favorito aqui>) circula, cada vez mais próximo. Mas é preferível acreditar no mágico escudo invisível das barreiras de entrada (legislação, cultura) e permanecer quietinho – quase morto.

    Um pouco mais raros, mas não menos folclóricos, são os empreendimentos do tipo “metralhadora giratória sem controle”. Porque esse papo de “controle”, dizem, é coisa vintage. TUDO vira hipótese factível; TODOS merecem ser ouvidos; TODAS as balas devem ser disparadas. Geralmente, um único recurso é escasso: a paciência. E dá-lhe barulhentas saraivadas de experimentos seguidos de meia-volta-volver (pivotagens). No final das contas, na imensa maioria das vezes, registram-se um incalculável aprendizado e prejuízos muito bem mensurados. E só.

    Entre esses extremos circula a grande maioria de nossas firmas. Assustadas, mas cientes ou temerosas daquela bipolaridade.

    E Por Falar em Bipolar

    Nosso mundo, em quase todas as searas e assuntos, anda perigosamente viciado em dilemas. É a vitória do OU em detrimento do E. É a onipresença do cobertor curto, a bandeira dos novos tempos.

    Ao que tudo indica, foi-se a era d’O Dilema da Inovação (Clayton Christensen – M. Books, 2011). Porque o presente – o mercado e clientes atuais – não é mais uma zona de conforto onde podemos pendurar nossas redes. Aliás, será que em algum momento na história das organizações essa zona realmente existiu? Muito antes de Christensen, muita gente falou e escreveu¹ sobre a necessidade de escutar o amanhã – particularmente aquele que vinha soprado por novas tecnologias – sem descuidar do aqui e agora.

    Essa conversa se renova e foge da retórica rasa em Dual Transformation, de Scott D. Anthony, Clark G. Gilbert e Mark W. Johnson (HBR, 2017). Resumindo: ? = A + B + C

    Duas Transformações e um Bebê

    O diagrama ao lado, o Mapa de Transformações, guiará esta breve apresentação. Ele foi surrupiado do livro citado acima, onde é apresentado como “Opções estratégicas para líderes”.

    O eixo vertical representa o QUE a  empresa faz. São os Trabalhos a Executar (ou JTBD – Jobs to be Done, como apresentados no artigo anterior). No eixo horizontal temos COMO a empresa realiza aqueles trabalhos. O COMO são os produtos e serviços, o know-how aplicado e os componentes financeiros (modelos de precificação e cobrança, por exemplo). O quarto de círculo menor representa o núcleo do negócio, o core business atual. As três grandes setas nos ajudam a pensar as transformações viáveis.

    Você espera um exemplo e eu vou te apresentar o Agostinho Carrara, famigerado motorista de táxi. Sua empresa é de um homem e um JTBD só: levar alguém de algum lugar para outro. Agostinho anda p da vida com a concorrência do Uber e afins. E mais p da vida com ele mesmo, por ter ignorado o conselho do Jack. Agora, precisa mudar na marra.

    Agostinho cogita o primeiro caminho (Adjacências) porque adora atalhos. Em outras palavras: ele considera agregar outro JTBD sem mudar nadinha seu modus operandi. “Além de transportar alguém, por que não levar coisas de um lado para outro?” Passado o entusiasmo de dois segundos, repara que entraria em concorrência com seu ex-inimigo favorito, o motoboy. E desiste da ideia, resmungando: “O mar não tá azul e nem pra peixe nas adjacências”.

    Mudar COMO o trabalho é executado é o que fazemos com a Transformação A. Significa reinventar o hoje. E Agostinho viaja nas possibilidades: melhorar o condicionador de ar; nada de funk no rádio, só os 3 B’s da música clássica (Bach, Beethoven e Bezerra da Silva); balinhas sortidas e água gelada; uma cervejinha, talvez (dá pra colocar um frigobar no porta malas?); serviço de agendamento via app ou 0800 (neste caso, a menina tem que ter a voz da Camila Pitanga!). Agostinho viaja e faz contas – com uma única certeza: “como tá não pode ficar”.

    Dezesseis segundos de ânimo renovado e nova ducha d’água fria: com exceção da Camila Pitanga, todo o resto pode ser copiado facilmente pela concorrência. “Preciso mudar o hoje, mas isso não garante o amanhã”.

    Criar o amanhã é a motivação da Transformação B. Além de agregar novas responsabilidades (novos JTBD), Agostinho também precisa mudar o COMO (trabalha, precifica, cobra etc). Ele admira o case da Amazon: “caraca, os caras foram do varejo para serviços na nuvem! E hoje abocanham 30% desse mercado!!”

    “Trocar essa carroça por um SUV bem chique e oferecer passeios por pontos turísticos sem a chatice dos guias tagarelas; Montar um roteiro exclusivo para paparazzis iniciantes e fãs enxeridos- casas, bares e praias dos famosos; o bilhete único do agostinho: táxi, parapente, prancha de surf e 500ml de água de coco”…

    Enquanto o Agostinho sonha, é preciso fechar a equação proposta acima: ? = A + B + C.

    C é de Capacidades. Quais ativos existem hoje e precisam ser aproveitados e replicados em todas as transformações. Não se trata de qualquer ativo, mas aqueles difíceis de copiar. O Agostinho conhece bem os seus: simpatia, criatividade e domínio ímpar dos roteiros exóticos da cidade. Numa empresa menos modesta, ATIVO deve ser interpretado da forma mais ampla possível: posses, patentes, informações, conhecimento, processos e por aí vai.

    Léxico

    Há pistas indicando que “Gestão de Mudanças” está caindo em desuso. O termo “Transição” já aparece aqui e acolá. Não é apenas uma troca de palavras. A Gestão de Transições é mais ampla, entende a Complexidade e abraça o Pensamento Sistêmico². Falaremos em Gestão de Transformações? Não creio. Mas é bom ficar de olho.

    Na seara Enxuta (Lean), o glossário original nos dá três tipos de mudanças: Kaizen (melhoria contínua), Kaikaku (mudança radical) e Kakushin (mudança total). A primeira é condição inegociável de qualquer ser ou sistema que se pretenda viável. As demais, com alguma boa vontade, podem ser relacionadas com as Transformações A (Kaikaku) e B (Kakushin).

    O Mapa de Transformações é uma ferramenta para pensar, uma ferramenta conceitual³. Ele nos ajuda a apreciar nosso portfólio de produtos e serviços de uma maneira diferente – nos ajuda a avaliar melhorias e oportunidades. Ele parte da ferramenta JTBD e a enriquece. Este mapa é uma das 22 ferramentas apresentadas na oficina Design de Negócios Viáveis. (Pegue aqui sua versão em PDF).

    Por fim, 1100+ palavras passadas, me diga uma coisa: você sentiu falta dos termos inovação e disrupção? Sério?

    Notas

    1. E dois caras, diferentes em quase tudo, merecem destaque: Peter Drucker e Stafford Beer. O mundo merecia um debate entre os dois, que tinham “inimigos” comuns: a ignorância e o Milton Friedman.
    2. Não se trata de uma contradição – não estou propondo outro duelo: Gestão de Mudanças X Gestão de Transições. São coisas distintas e, no meu modo de entender, complementares.  
    3. Por favor, me ajude a definir qual é o melhor nome para esse tipo de ferramenta: Para Pensar ou Conceitual? Qual funciona melhor?
    4. Crossroads é o nome da foto no topo, de autoria de Eric Fischer. A imagem do Agostinho foi surrupiada do Sensasionalista.
  • Mal Educados

    Mal Educados

    Hoje comemoramos o Dia Mundial da Educação. Comemoramos? Como ninguém ganha dinheiro com isso – com a data – você não deve ver muita coisa por aí. Aqui, uma pequena anticomemoração. Provocações surrupiadas de três caras mal educados.

    Peter Drucker

    A primeira coisa a ser dita – e que vale a pena repetir – é que o sistema educacional não está em crise por ter piorado subitamente. O sistema educacional está em crise porque seu papel para o indivíduo e para a sociedade mudou radicalmente, porque ele passou a ser muito mais importante do que jamais foi.

    O “aprendizado” é um processo que ocorre ao longo de toda a vida e não no limbo especial para aqueles velhos demais para “brincar” e os novos demais para “trabalhar”.

    A “escola”, como a instituição na qual se “aprende” – enquanto em todos os outros lugares se “faz”, independentemente de se “brincar” ou “trabalhar” -, está se tornando indefensável.

    O aprendizado de amanhã, da pré-escola até a educação continuada mais avançada para adultos, utilizará e aplicará o ritmo do próprio indivíduo, sua própria velocidade de aprendizado, seu próprio padrão.

    Em seus métodos, a escola de amanhã não será “comportamental” nem “cognitiva”, não será “centrada na criança” nem “centrada na disciplina”. Ela será eclética. Para aprender tudo, precisamos da tríade comportamental de prática, reforço e feedback. De outra forma, tudo o que tentarmos aprender nunca será alojado na memória de longo prazo e nunca será aprendido.

    Russel Ackoff

    Muitas escolas colocam uma tampa na cabeça das crianças. Curiosidade e criatividade são suprimidas. Aprendizado é confundido com memorização, convertido em trabalho e distanciado da diversão. São poucos os que conseguem reunir trabalho, divertimento e aprendizado em fases futuras da vida.

    A escola de hoje é modelada como uma fábrica. O estudante que chega é tratado como matéria prima que deve entrar em uma linha de produção e ser convertido em um produto final. A matéria prima é muito variada mas o processo é uniforme. O sistema tenta minimizar a variedade para manter os custos de produção bem baixos. O processo educacional é considerado um sucesso se o produto final for vendido bem caro. O sistema até estampa marcas e números em seus produtos.

    Escolas são organizadas em torno de disciplinas. É uma maneira conveniente de rotular e “entregar” conhecimento. Mas o mundo não é organizado da mesma maneira que as escolas. Não existem problemas de física, química, biologia, psicologia, sociologia etc. Nomes de disciplinas depois da palavra “problema” não revelam absolutamente nada sobre o problema; revelam apenas o ponto de vista que quem o observa.

    A educação da Era dos Sistemas não deve ser organizada em torno de disciplinas rigidamente definidas e distribuídas em um calendário. Ela deve ser orientada a desenvolver o desejo de aprender e as habilidades necessárias para tal.

    A educação da Era dos Sistemas é um sistema que aprende e se adapta.

    Ricardo Semler

    Se eu fosse estudante hoje faria milhares de bótons com a hashtag #chegadetortura para ostentar na sala de aula. Hoje, terça-feira (28), é o Dia Mundial da Educação, e cá estamos nós tentando melhorar a gestão – reciclagem e firulas – de um sistema medieval.

    Paremos de culpar professores, acusando-os de corporativistas e letárgicos. Cessemos o giro da engrenagem da tortura que mói os alunos, vítimas da ditadura das aulas maçantes. O conceito da escola atual caducou. Fim.

    A escola que temos é resultado da ideia iluminista de que tudo precisa ficar guardado na cabeça. Na era do Google, é um crime insistir no método da decoreba. Argumenta-se que a meninada está aprendendo a aprender. Que balela: quem tem filho sabe que eles aprendem a andar e até a falar sem ajuda – já chegam de fábrica com a capacidade de aprender a aprender.

    O tal de mercado de trabalho, então, é um algoz de pijama. Ou alguém acredita que passar por uma escola rigorosa, usar uniforme e decorar a tabuada prepara alguém para trabalhar nos Instagrams da vida? Queremos preparar nossos filhos para trabalhar na General Motors de 1952?

    Notas

    1. As palavras de Drucker são de uma palestra de 1971. Estão disponíveis em Drucker em 33 Lições (Saraiva, 2011).
    2. O artigo original de Ackoff é de 1974 e pode ser encontrado em Ackoff’s Best (Wiley, 1999).
    3. A “colaboração” do Semler foi surrupiada de um artigo publicado na Folha de São Paulo de hoje, 28/abr/2015.
    4. Na Escola Rural” é o nome da foto, compartilhada no Flickr por Eduardo Amorim.
    5. Mais uma longa greve de professores. Luan Santana cantando “Another Brick in the Wall pt. 2”. O bilionário mais besuntado de Pindorama tentando comprar outra escola. Papais conferindo o cardápio “orgânico” (nada daquele ketchup!!) e o CV da professorinha de dança. São algumas paisagens com a hashtag #EducaçãonoBrasil.
  • Definindo Meios

    Definindo Meios

    No artigo anterior nós desenhamos a empresa ideal, Planejando Fins. Destacamos as principais características da organização que deveria existir hoje. Entre o ideal e o real há diferenças e distâncias. Hora de ver como eliminá-las ou encurtá-las. A conversa de hoje é sobre meios.Fins e meios, no dicionário, são coisas bem diferentes. No dia a dia de um negócio são intercambiáveis, o que gera certa confusão. Para vender mais (fim) alguém decide investir em publicidade (meio). Ele quer vender mais (meio) para aumentar os lucros (fim). Muitos parariam por aqui: “o lucro é tudo”, diriam. Para o obrigatório Drucker, o lucro é para uma empresa o mesmo que o oxigênio é pra gente. Deve haver um fim maior – uma missão, uma causa. Sendo assim, o lucro é apenas um meio.

    No curto prazo, todo meio é um fim (fazer três pontos na próxima rodada do campeonato). No longo prazo, esses três pontos são um meio de alcançar o objetivo maior (conseguir uma vaga na Libertadores do ano que vem).

    No passo anterior desenhamos fins – o estado desejado de diversos aspectos do nosso negócio. Entre aquele sonho e nossa realidade existem diferenças (gaps). São três tipos de diferenças:

    • Coisas a Acrescentar: perfis a contratar, habilidades e conhecimentos a adquirir, equipamentos a comprar etc.
    • Coisas a Eliminar: chatos improdutivos a demitir, comportamentos a abandonar, sistemas a aposentar etc.
    • Coisas a Mudar: processos a redesenhar, recursos a realocar, sistemas a adaptar etc.

    A classificação sugerida acima nos ajuda a organizar os meios. Ao posicionar cada diferença cogitamos formas de eliminá-la ou reduzi-la. Em alguns casos, o meio é inequívoco (manda embora o Firmino Vacila!). Outros pedirão estudos de viabilidade, pesquisas, experiências e reflexão.

    Assim como a bagunça é um sistema de problemas, o planejamento é um sistema de decisões. Sistema que visa a dissolução da bagunça, mais que a simples solução dos problemas. E se estamos desenhando um sistema, é imprescindível a apreciação do todo. Ao enxergar os meios em conjunto aumentamos as chances de sermos sábios – de vislumbrarmos as consequências de cada decisão (pôxa, aquela turma adora o Firmino. Como eles receberiam a notícia?)

    Infinitos Meios

    Os fins podem ser alcançados através de uma infinidade de meios. É importante saber que eles podem ser de seis tipos diferentes:

    • Ações: algo atômico e único que deve ser executado. Como a demissão do esculhambado Firmino, por exemplo.
    • Procedimentos: um conjunto ou sistema de ações. Uma sequência de passos a executar. Para a contratação de um prestador de serviços, por exemplo.
    • Processos: conjunto ou sistema de procedimentos encadeados de forma a gerar as mesmas saídas repetidas vezes. Fabricação e vendas são exemplos.
    • Políticas: conjunto ou sistema de regras que definem e norteiam o comportamento da organização como um todo. A política de descontos, por exemplo.
    • Projetos: conjunto ou sistema de procedimentos executados simultaneamente ou em sequência. Ao contrário dos processos, todo projeto é único e finito. Por exemplo, o desenvolvimento ou adaptação de um sistema para automação da força de vendas.
    • Programas: sistema de projetos que visa a produção de uma série de resultados interdependentes. O redesenho da estrutura e dos processos da área de vendas é um exemplo de programa.

    A lista obedece uma ordem de magnitude, mas não de importância. Uma simples ação (manda o Firmino embora de uma vez!) pode ter mais valor do que todo um programa no sentido de alcançar determinado(s) objetivo(s).Ao cogitar meios (criar opções), é importante posicioná-los de forma a facilitar a tomada de decisões. Nada como uma prática e ágil análise Benefício/Custo¹. A matriz ao lado pode dar uma ajuda e tanto. As alternativas são posicionadas no eixo vertical de acordo com seu benefício, ou seja, com o quanto contribuem para a realização do objetivo maior.O custo de implementação indica a posição de cada opção no eixo horizontal. Podemos utilizar unidades relativas (escala de Fibonacci, por exemplo) enquanto estivermos distantes de orçamentos (em) reais. Elas também serão úteis quando quisermos avaliar benefícios ou custos não financeiros (o impacto da demissão do Firmino no ânimo do time, por exemplo). Enfim, para cada fim podem existir infinitos meios. Não devemos ficar satisfeitos com a primeira ideia que pintar.

    Os Fins Justificam os Meios?

    Matar o desgraçado do Firmino seria uma alternativa? Dar uns trocados para aquele diretor favorecer sua empresa na concorrência é uma opção? Montar um cartel? E quanto a cortar 20% da força de trabalho? Ou cortar 60% do preço de venda de determinada linha de produtos e assim levar a concorrência ao desespero?

    Quando conversamos sobre fins e meios algumas questões éticas e morais podem ser colocadas. Sabemos diferenciá-las? A ética separa bem e mal. Matar o Firmino seria um crime aqui e em qualquer outro lugar do planeta. É uma questão ética. A moral distingue certo e errado. E pode variar de cabeça pra cabeça, de país pra país. Vide, por exemplo, como as mulheres são tratadas em alguns países do meio e do extremo oriente.

    Para diversos mestres (Ackoff, Drucker etc) a opção de demitir parte da força de trabalho, sob quaisquer circunstâncias, é questionável. Imoral? Anti-ética? Talvez não importe muito porque, acima de tudo, as demissões provam que a empresa fracassou. Porque uma das funções primordiais de qualquer negócio é gerar empregos produtivos.

    Fins e meios devem ser avaliados em conjunto, como um sistema que são. Serão considerados bons (viáveis, sustentáveis, responsáveis etc) se entregarem aquilo que a missão promete.

    Estratégia X Estrutura

    Que tal uma ligação para a primeira parte desta interminável série? Lembra-se do rabisco ao lado, que sugere uma estrutura com três partes? Parece bobeira, mas agora colocamos fins e meios em seus devidos lugares. Parafraseando Raulzito, é correto dizer que a Operação é o início de tudo.O Início, o Fim e o Meio – essa é a sequência do planejamento interativo e iterativo. O Maluco Beleza tava certo! E o redivivo Ripongo sambou o rock’n’roll da alegria.Se o processo original fosse seguido ipsis litteris, os próximos artigos seriam sobre planejamento de recursos, implementação e controle. Mas este parece ser o momento adequado para apresentar uma ferramenta que deve suportar todo o método de planejamento. O  “mais bem guardado segredo” finalmente será revelado. Na próxima semana. Inté!

    Notas

    1. Se colocamos os custos antes dos benefícios somos mesquinhos. E se pretendemos analisar números, então a operação correta é a divisão e não o que é sugerido em “custo x benefício” ou “custo – benefício”.
      Esse Ovo de Brunelleschi, claro, não é meu. É de Tom DeMarco e Timothy Lister (Peopleware – Makron Books, 1990).
    2. l? cong?ttur? d? Arl?cch?no, a imagem do topo, é outra contribuição surrupiada de Jef Safi.
  • Estruturas, Guerras e Ripongos (de novo!)

    Estruturas, Guerras e Ripongos (de novo!)

    O artigo anterior mostrou como o tempo pode determinar a estrutura de uma organização. Operação cuida do presente, Propósito vislumbra o futuro e Transição é o caminho entre as duas. Como colocado, tal classificação raramente é formalizada. São outros os critérios que normalmente caraterizam o desenho de um negócio. Este artigo os apresenta e comenta.

    Antes, porém, uma questão meio boba: por que estruturar? Uma empresa divide o trabalho para ganhar produtividade e escala. Imagine um sujeito fabricando um carro sozinho. Baita trampo, não? E se não fosse só a fabricação? E se ele tivesse que cuidar da propaganda, da venda do carro, da contabilidade, dos livros fiscais… Paro por aqui, você já entendeu.

    São três os critérios utilizados na hora de dividir o trabalho. O primeiro é a função. Temos unidades organizacionais (áreas, departamentos, seções) que cuidam de funções específicas. Por exemplo: contabilidade, RH, produção, marketing etc. Entre elas há uma divisão importante. Algumas se dedicam a serviços internos (dois primeiros exemplos) enquanto outras estão diretamente ligadas ao núcleo do negócio (core business), cuidando de alguns processos primários (produção e marketing). Por falta de um termo melhor vamos chamá-las de Unidades de Entrada.

    O segundo critério que pode orientar as divisões internas são os produtos e serviços comercializados. Dessa forma podemos ter uma unidade organizacional cuidando exclusivamente de um produto/serviço ou de uma linha de produtos/serviços. Daí aquela unidade que só vende seguros; a seção de livros de TI na chique livraria; a moça que só sabe falar de pós-pago etc. Essas são as Unidades de Saída.

    Por fim, temos o cliente ou mercado podendo determinar parte da estrutura de uma organização. Por isso existe a subsidiária para a América Latina, a filial que cuida da região Sul ou a loja do bairro tal. Também é bastante comum a divisão entre quem atende pessoas físicas e contas corporativas. Clientes VIP endinheirados merecem unidades personnalité, bem diferentes do tradicional varejão. Trataremos essas como Unidades de Relacionamentos.

    Os três critérios não são mutuamente exclusivos. Em diversas empresas convivem combinações dos três. Convivem? Bem, vamos dizer que tentam. Quando se fala em reestruturação, o que vemos são mudanças do poder de cada um deles. Além, claro, de um tradicional banho de sangue. Melhor explicar.

    Geralmente as organizações são concebidas de cima para baixo. O que aparece logo depois do patrão/presidente/CEO é resultado da aplicação do critério que venceu a primeira queda de braço. Qual deles determinou a divisão das vice-presidências e diretorias? Têm mais poder as unidades de saída (produtos e serviços) ou de relacionamentos? Mesmo em organizações que demonstram certa variação na composição do alto escalão é fácil perceber quem são os queridinhos de fato influentes.

    Organizações matriciais foram propostas para colocar certa ordem na bagunça¹. De forma bem resumida podemos dizer que elas representam o cruzamento de dois critérios. Unidades de Saída X Unidades de Entrada ou Unidades de Relacionamento X Unidades de Saída, por exemplo. Você percebeu, um critério sempre fica fora da brincadeira. Quem dera fosse esse o maior problema. Na proposta original das organizações matriciais uma pessoa tem dois superiores, cada um representando um critério. Nem vou apelar para o ditado sobre o cachorro com dois donos… Muito pior é se imaginar com dois chefes!

    O cada vez mais necessário Drucker² um dia chamou nossa atenção para o fato de a competitividade dentro das organizações ser cada vez mais intensa e menos ética do que com a concorrência externa. Os desenhos tradicionais, todos derivados da estrutura hierárquica, têm muito a ver com essas guerras intermináveis. Toda causa que você conseguir imaginar é facilmente rastreável até a mensagem tácita do modelo hierárquico: olha o pódio – só pode haver um vencedor! Chuck Norris adora isso…Sabia que o Chuck um dia apareceria por aqui. Mas cadê o Ripongo do título? Bom, ele tá louco (!%?) pra dar uns palpites mas ficou com medo do Chuck. Fica pra próxima semana. Inté!

    Notas

    1. A ideia das Organizações Matriciais é antiga e repleta de pais, padrinhos e fervorosos defensores. Por isso posso dispensá-los das referências. Caso necessário, Google!
    2. Peter F. Drucker, citado em Re-Creating the Corporation de Russell Ackoff (Oxford University Press, 1999).
    3. Aliás, acho que posso dizer que o texto acima é a primeira parte de um relaxado resumo de um capítulo do livro do Ackoff. Hã?
    4. A assustadora imagem utilizada – Habitats – é de Benjamin neBen Le Gentil.
  • Como sua Empresa cria Riqueza?

    Como sua Empresa cria Riqueza?

    Em tempos de capitalismo acelerado/financista, algumas questões cruciais parecem deixadas de lado. Fala-se muito em quem vai comprar quem, sobre investidores com bolsos fundos e estreias estrondosas em bolsas de valores¹. Também se conversa bastante sobre cortes de custos. O que sempre deveria nos fazer lembrar de um ensinamento de Drucker²: “As empresas são pagas para criar riqueza, não para controlar custos”. Daí a pergunta: como sua empresa cria riqueza?

    Parece uma questão simples. Não é. Em todas as edições da oficina Arquitetura de Negócios o assunto deu pano pra manga. Principalmente porque, de repente, parece que todo mundo³ se vê como uma Cadeia de Valor. Saca aquele desenho linear – uma sequência reta de processos e atividades – com um pote de riqueza gerado ali no final? Todo negócio deriva deste metamodelo? Toda empresa é ou sonha ser uma azeitada (sic) linha de montagem?

    Fábricas são fábricas, só pedem mesmo pelo azeite. O varejão tradicional se vê apenas como o ponto final de uma corrente maior. Atacados são a vírgula ou ponto e vírgula da mesma frase. É natural que desenhem suas entranhas como cadeias de valor. Criam riqueza sabendo comprar e pouco mais que isso.

    E o resto? Como uma escola cria riqueza? E um escritório de advocacia? E uma clínica de cirurgia plástica? E os bancos, botecos e seguradoras? Esses negócios podem se apresentar como cadeias de valor? Eles podem ser vistos como fábricas? Se não, qual é ou quais são as alternativas? E por que esse papo merece mais espaço?

    Notas

    1. Quer conferir? Dá uma olhada na seção “Primeiro Lugar” de qualquer edição da revista EXAME. Não estou exagerando: 80% das notas ali publicadas NÃO falam de geração de riqueza. E este é apenas um exemplo.
    2. Desafios Gerenciais para o Século XXI, p. 97 – Pioneira, 1999.
    3. Exagerei: uns 12,5% dos participantes não se viam como fabricantes. Um deles, via Facebook, motivou este post alguns minutos atrás.
    4. Wheres the Pot of Gold pergunta J J nesta bela foto publicada no Flickr.
  • Tendências

    Tendências

    A mais nova moda é antever modas. É o que diz Gabriel Louback no artigo Nostradamus 2.0 (publicado na edição de junho da Revista da Cultura). Se fôssemos um pouco mais atentos, teríamos percebido a tendência bem antes. Em Reconhecimento de Padrões (Aleph, 2004), por exemplo, William Gibson apresenta uma protagonista que é coolhunter – uma caçadora de tendências. Aliás, Gibson e outros grandes da ficção científica¹ estão entre os melhores antecipadores de tendências que conheço. Será porque eles pavimentam e indicam caminhos? Somos orientados por profecias?

    Fábio Gandour, da IBM, afirma que sim: “Tendências não acontecem espontaneamente, são criadas! E, normalmente, você caminha, sem perceber, na direção que pretenderam. Quem não acredita nisso é ingênuo ou tolo“. É disso que trata, enfim, todo o blablablá sobre inovação. Antever uma rota e rogar para que os fregueses sigam, como os ratinhos da fábula, os novos flautistas de Hamelin. Há ciência nessa ficção? Ou é tudo chute?

    Acho que sempre teremos uma combinação das duas coisas, de ciência e intuição. Diferente agora é a ênfase no aspecto intencional (racional) da projeção de tendências. Em O Futuro como um Bom Negócio (Campus, 2011), Daniel Burrus e John Mann oferecem boas provocações². Os autores sugerem a classificação de tendências entre fortes e fracas e que o novo desenho – seja de um negócio, produto ou serviço – as tenha como base. Tratando só de tecnologia, por exemplo, temos três tendências fortíssimas que estão conosco desde o início dos tempos (nossos tempos). Todas relacionadas com o aumento exponencial de : i) Poder de processamento; ii) Capacidade de armazenamento; e iii) Largura de banda. Delas derivaram vertentes do avanço tecnológico, como a virtualização, mobilidade, interatividade e convergência, dentre outras.

    Mas será um grave erro a projeção de tendências que tome por base apenas os avanços tecnológicos. Peter Drucker, em Desafios Gerenciais para o Século XXI (Pioneira, 1999), fala sobre as “questões quentes de amanhã”. Seu escopo de análise é consideravelmente maior. Trata desde a globalização e o avanço de nações emergentes até a mudança no perfil de TI (do T para o I), passando pelo envelhecimento da população mundial e pela necessidade de um novo tipo de gestão e liderança. Drucker sempre foi um observador privilegiado. Por isso a precisão de suas previsões não surpreende.

    Acho que eu poderia listar mais uma dezena de obras seminais sobre o amanhã. Não destacar A Vida Digital (Cia. das Letras, 1995), de Nicholas Negroponte, por exemplo, é quase um pecado. Mas ele, de certa forma, é profecia já realizada. Deve interessar, assim como os livros do Drucker, para que possamos aprender a antever. E é este o ponto. Aliás, é esta a tendência.

    E o que nos ensina a antever? Há uma disciplina ou corpo de conhecimentos que ajude pessoas e organizações a antever e desenhar seu futuro?

     

    Notas

    1. A lista dos grandes escritores de ficção científica é imensa. Perdemos, no início deste mês, um dos maiores: Ray Bradbury. Poderia listar Julio Verne, Isaac Asimov e outros tantos. Me limitarei a destacar meu favorito, o maior porra-loca de todos: Philip K. Dick. Quem se limita a conhecê-lo através dos filmes inspirados por suas obras (Blade Runner, O Pagamento, O Vingador do Futuro etc) não faz ideia do que está perdendo.
    2. Por razões óbvias, há uma provocação que mais me chamou a atenção. Diz mais ou menos assim: Agilidade é coisa da década ou do século passado. Hoje ela não basta. E pode até ser nociva. Hoje precisamos antever e evitar o desperdício de tempo e dinheiro. Mais que isso, precisamos fazer a próxima curva na frente da concorrência.
    3. Não deixarei aquelas duas últimas questões sem respostas. Aguardarei seus palpites e um pouco mais de inspiração.
    4. Crystal Ball, a fotografia que ilustra este artigo, é de Steve Weaver.

     

  • Eu Quero Ser Gerente Quando Crescer

    Você já ouviu uma criança manifestar o desejo de ser gerente? Eu não. Mesmo os filhos de gerentes bem sucedidos não parecem se interessar pela posição da mãe ou pai. Talvez porque eles, durante toda a semana de trabalho, cheguem em casa estafados e aborrecidos. Também pode ser porque raramente apareça em um desenho animado ou filme infantil um gerente ou chefe que não seja pintado como um vilão, mau caráter, interesseiro e desumano. Acho que não veríamos com bons olhos uma criança que desejasse tal papel. O que será que aconteceu com a grande profissão do século XX?

    O gerente é uma invenção da era industrial, um mal necessitado pelos verdadeiros donos de negócios que precisavam ganhar escala. Deveriam funcionar como clones parciais e especialistas do manda-chuvas. Um especialista em vendas, outro em finanças e assim por diante. Os gerentes ocupam a camada intermediária de uma organização, entre o topo e os peões. Na teoria, e quase só na teoria, eles defenderiam o ponto de vista tático. Ou seja, trabalhariam com um horizonte de médio prazo. Quem está acima deles enxergaria mais longe. Quem está na base cuida do dia a dia, provavelmente sob os auspícios e chicotes de um supervisor ou líder técnico – um outro nível de gerente que vive a mirar o andar de cima com desejos inconfessáveis.

    A necessidade de uma organização hierárquica criou na marra uma separação que não fazia sentido no século 18 assim como parece não fazer no século 21. Cérebro e mãos foram apartados artificialmente. Tanto que Henry Ford vivia reclamando que “quando contratava duas mãos, o cérebro vinha junto”. À base de pirâmide não era permitido pensar. Seus ocupantes deveriam apertar porcas e deixar todo o trampo intelectual para quem estivesse acima. E assim a posição do cérebro – do gerente – mesmo que limitada, virou objeto de desejo de todos que tivessem um mínimo de ambição. Não era só o maior salário. Era sobretudo o status, o inequívoco sinal de ascensão social.

    Muita demanda, ofertas teoricamente limitadas. Neste jogo político, assim como em governos com inflada base de apoio, inventam-se cadeiras e postos. E o meio da pirâmide inchou para todos os lados. Na linha do tempo estamos entre os anos 1950 e 1980 (lá fora) ou 2000 (aqui no Brasil). Pois é, tem duas ou três décadas que olhamos para este meio de campo e perguntamos: precisamos de tantos gerentes assim? Aqueles que já passaram da página três têm outra questão: precisamos mesmo de gerentes?

    G de Gerente, G de Gargalo

    Se os proponentes dos métodos ágeis adoram falar que gerentes não são mais necessários, não deve surpreender a ninguém o fato deles – os gerentes –  serem tão pouco receptivos à ideia. Com outras palavras, é isso que diz Jurgen Appelo em Management 3.0, publicado em 2011. Desconfio que também sejam eles, os gerentes, os responsáveis pelo bloqueio do principal requisito das iniciativas BPM: a organização por processos. Não por ação, mas por omissão. Afinal, como aceitar e trabalhar por um modelo que não dê uma atribuição minimamente respeitável para os gerentes? Como acatar uma sugestão que, em sua origem, significou a extinção de diversas cadeiras de gerentes?

    Que sejam sabotadas, sutilmente, as propostas de mudanças nada sutis. E provemos nosso valor mergulhando, com todo o tempo e saúde de que dispomos, nas questões do dia a dia. Pagamos para ver quem sabe mais do que a gente. Queremos ver quem nos tira daqui.

    Não espere que um gerente confesse o parágrafo anterior. E não caia na armadilha da generalização. Os gerentes não são ruins por natureza. Mas estão, neste ponto da história, defendendo sua sobrevivência. Nada mais natural. Nada mais humano.

    Mas, e daí? Devemos aceitar que os gerentes, assim como várias outras invenções do século XX, devem ser riscados do mapa? Eles são de fato supérfluos nos tempos da economia do conhecimento e do autogerenciamento?

    G de Gratificante

    Peter Drucker, ao tratar a organização por processos, sugeriu que os departamentos funcionais seguiriam existindo. Não mais com responsabilidades sobre as funções executadas, mas como formadores e provedores de especialistas. Tom DeMarco e Thimoty Lister, em Peopleware, cruzaram caminho semelhante: “o centro de aprendizagem mais natural para a maioria das organizações reside naquela mal falada instituição, na camada intermediária. Isso bate com nossa observação de que as mais bem sucedidas organizações que aprendem possuem um forte time de gerenciamento”.

    Os gerentes não cuidariam apenas de ensinar, mas principalmente de montar e manter um ambiente onde o aprendizado acontece. Será que basta? Claro que não, como demonstra Henry Mintzberg em Managing – Desvendando o Dia a Dia da Gestão (Bookman, 2010). Seu modelo de gestão, ilustrado ao lado, sugere a existência de três planos e duas atividades principais vinculadas a cada um deles: Plano das Informações (comunicar e controlar), Plano das Pessoas (liderar e fazer conexões) e o Plano das Ações (executar e negociar). Repare também que o modelo indica três zonas de atuação: dentro da unidade de negócio, com o resto da organização e fora da organização.

    Não é curioso como Mintzberg parece ignorar ou desconsiderar as sugestões anteriores, de ensinar e prover um ambiente que estimule a aprendizagem? Me arrisco a sugerir a existência de um quarto plano, central, o Plano da Aprendizagem Organizacional. Que também teria duas atividades principais (promover e difundir) e três dimensões (a unidade, a organização e o lado de fora da organização). Creio que este quarto plano responderia as críticas apresentadas por Jurgen Appelo em seu livro (sobre a falta de preocupação, no modelo de Mintzberg, com o Desenvolvimento de Competências e a Melhoria Contínua).

    Não se engane, o modelo seguiria errado. Assim como é equivocada (e simpática) a Martie – monstrinho que representa o modelo Management 3.0 sugerido por Appelo. Porque, como confessa seu próprio criador: “todos os modelos estão errados. Mas alguns são úteis”. O bom gerente desconfia disso. O excelente tem certeza, por isso estuda todos os modelos e tenta colocá-los em prática. Não apenas em busca de paz de espírito e disponibilidade para seus filhos, mas porque ele sabe que seu principal trabalho é fazer com que outras pessoas trabalhem e evoluam. Sua responsabilidade é imensa. Por isso o papel do gerente pode ser tão gratificante.

    Nada disso fará com que seus filhinhos manifestem a vontade de ser gerentes quando crescerem. Não importa. Eles também nunca dizem que serão otorrinolaringologistas.

     

  • Por que Precisa ser Feito?

    Por que Precisa ser Feito?

    Este será um post diferente¹.

    Há algumas semanas participei de uma pequena reunião com especialistas de diversas áreas. Mistura de comunidade de prática com think tank – sem frescuras, pura troca de experiências e dicas. Distribuí meu risque & rabisque e, de bate pronto, recebi a pergunta: por que a questão “o que precisa ser feito?” mereceu tanto destaque? Contei rapidamente a história: Drucker disse, lá no final do século passado, que era a pergunta mais importante que um executivo poderia fazer. Meu interlocutor completou: “Pode ter sido. Hoje, a questão mais importante e difícil é: por que precisa ser feito?

    Não preciso ir muito longe para descobrir inúmeras evidências que provam que meu colega está certo. A amiga Thais, trabalhando na administração pública, não sabe o que fazer para priorizar as demandas de dezenas de secretarias. Um cliente, que é uma SA, também não sabe o que fazer com seu backlog volumoso, amorfo e desordenado. Buscamos pistas no topo do topo da pirâmide – o que estariam dizendo o plano diretor daquela cidade ou a área de relação com investidores daquela empresa? – e seguimos perdidos. Para onde quer que eu olhe é quase sempre o mesmo: tudo é prioritário. Sendo assim, nada é prioritário.

    Não é de hoje que a questão me incomoda. No ano passado escrevi alguns artigos sobre estratégia e priorização {1, 2}. Sugestões inúteis se não temos as diretrizes iniciais. Cada vez mais parece que o buraco “está mais em cima”!?!

    Caramba, se o Capitão não sabe dizer para onde dirige seu barco, quem saberá? E o que dizer dos efeitos imediatos de tamanha falta de sentido? Primeiro, tem um monte de gente correndo adoidado para entregar ou se livrar de tudo o que aparece pela frente. Segundo, esse monte de gente trabalha no automático, sem objetivos. Como saber se um trabalho é bem feito se não conhecemos sua razão? Como acordar de manhã e ir trabalhar se não entendemos a motivação?

    O que a turma lá de cima tanto faz que esqueceu de sua principal atribuição? Será que estão todos presos nos mesmos problemas cotidianos? Se toda a pirâmide de uma organização está concentrada no presente, detonando a única justificativa plausível para uma estrutura hierárquica, quem sobrou para projetar o amanhã e o depois de amanhã?

    Enfim, encerrando a irritante sequência de interrogações, o que poderia ter criado esse mundo repleto de barcos sem mapas nem bússolas?

    ?

    Observações:

    1. Sei lá quando criei a restrição (mania) de publicar apenas artigos longos e (teoricamente) mais elaborados. O fato é que, com a agenda meio insana que assumi, corria o risco de deixar o {finito} às moscas por um longo período. Por isso vou tentar ser menos chato e publicar posts como este, mais curtos. É uma forma de dar sinal de vida, certo?
    2. Experts at Sea“, cartoon que ilustra este post, é um trabalho do HikingArtist.com disponibilizado via Flickr.
  • Capital Intelectual

    Quando publiquei minha lista com “11 Livros ‘Obrigatórios’” confessei uma dúvida: deveria colocar “A Economia da Informação“, de Carl Shapiro e Hal Varian, ou “Capital Intelectual“, de Tom Stewart. Um não serve como alternativa ao outro – eles são totalmente complementares. O primeiro, que acabou ganhando a posição na lista, fala de Economia. O livro de Stewart trata de ativos intelectuais e gestão do conhecimento. Já nem me lembro mais o critério que usei para decidir pelo livro de Shapiro e Varian. Mas desde então, folheando e relendo os dois trabalhos de Stewart, fiquei incomodado com a injustiça que cometi. Daí esta nova entrada em nossa biblioteca.

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    Original: Intellectual Capital (Doubleday, 1997).

    Autor: Thomas A. Stewart é CMKO (Chief Marketing and Knowledge Officer) da Booz & Company. Quando publicou o livro era membro da equipe de editores da revista Fortune. Depois, entre 2002 e 2008, foi editor e diretor da Harvard Business Review (HBR). É um dos papas em Gestão do Conhecimento e um dos principais nomes da administração moderna.

    Editora: Campus, 1998. Tradução (acima da média) de Ana Beatriz Rodrigues e Priscilla Martins Celeste.

    Assunto (direto da orelha): O conhecimento se tornou o fator mais importante da vida econômica. É o principal ingrediente do que compramos e vendemos, a matéria-prima com a qual trabalhamos. O capital intelectual – não os recursos naturais, equipamentos ou até o capital financeiro – tornou-se um ativo indispensável para as empresas.

    Relevante para:

    • Todos que lidam de alguma maneira com a tal “Gestão do Conhecimento”;
    • Empresários e empreendedores envolvidos com produtos ou serviços que i) são conhecimento; e/ou ii) são enriquecidos com conhecimento;
    • Trabalhadores do conhecimento;
    • Em suma, o livro deve servir para todo mundo.

    Tenta ensinar:

    • O que é Capital Humano, Capital do Cliente e Capital Estrutural;
    • Como mapeá-los e gerenciá-los como Ativos de Conhecimento da organização;
    • Como utilizar esses ativos para se diferenciar;
    • Como lidar com aquele tipo de capital que vai embora todo dia, ao fim do expediente;
    • Como o detentor daquele tipo de capital tem sua vida pessoal e profissional afetada neste ‘novo’ mundo dos negócios.

    Prós:

    • Texto muito bem fundamentado e amparado. Stewart não abre mão nem de citar Peter Pan ou Alice no País das Maravilhas. Ou seja, sua cultura ampla e diversificada torna o texto agradável e rico – isento de jargões e armadilhas efêmeras (lembre-se, o texto é de 1997);
    • As pesquisas e estudos de caso também ajudam a apoiar o texto e a tese de Stewart;
    • Não reinventa a roda: o trabalho de Takeuchi e Nonaka na área são fundamentais? Então apresente-os como tal!
    • E, sempre que possível ou necessário, estenda outros trabalhos provando que você não está simplesmente copiando e colando boas ideias.

    Contras:

    • A Campus raramente é tão infeliz na escolha das fontes e na diagramação. Não chega a comprometer a leitura, mas fica feio pra chuchu.
    • Não sei se é correto dizer que Stewart negligenciou o tema “arquitetura do negócio” (como o valor é criado – em alto nível) neste trabalho. O fato é que ele ‘corrigiu’ a falha no livro seguinte, “A Riqueza do Conhecimento” (mais sobre ele abaixo).

    Gotas (de conhecimento):

    “Os mercados são implacáveis. Recompensam o que cria valor e ignoram ou castigam o que não cria. Nada pessoal.”

    “O Capital Intelectual é o conhecimento útil em nova embalagem.”

    “As ideias são livres. são também um recurso abundante, provavelmente infinito. Qualquer pai ou mãe que já tenha deixado um filho de dois anos sozinho por um minuto sabe que ter ideias é uma característica humana inata que não requer treinamento nem educação especiais; o desafio gerencial está no desenvolvimento organizado de ideias construtivas.”

    “Estamos acostumados a pensar em funcionários em termos de seu salário – seu custo. Mas qual é o seu valor? Quanto vale realmente um emprego?”

    “Há um paradoxo no âmago da organização da Era da Informação: enquanto os empregadores enfraqueceram os laços da segurança no emprego e da lealdade, mais eles dependiam do capital humano.”

    “Quando o conhecimento é o principal recurso e resultado – a entrada e a saída, a matéria-prima e o produto acabado – a propriedade desse conhecimento torna-se indistinta, compartilhada: o trabalhador é parcialmente proprietário, assim como o capitalista e o cliente.”

    “As empresas precisam muito mais dos trabalhadores do conhecimento do que eles precisam delas.”
    (Stewart citando Peter Drucker)

    “Há um paradoxo na economia da informação e tanto o comprador quanto o vendedor estão sujeitos a ele: o comprador não pode julgar se vale a pena pagar por um pedaço de informação antes de possuí-la; mas, depois que a possui, ele não precisa mais comprá-la.”
    (Ah, como eu gostaria que alguns prospects entendessem isso…)

    “Quando se trata do trabalho criativo, não existe correlação econômica significativa entre o insumo do conhecimento e o produto do conhecimento: o valor do capital intelectual não está necessariamente relacionado ao custo de sua aquisição, o que impossibilita o uso de uma medida do que você faz como um meio de revelar como você está se saindo.”

    Agora, de bons e necessários que são, vou citar dois trechos do outro livro do Stewart, “A Riqueza do Conhecimento“:

    “As empresas são organismos vivos; os documentos são como defuntos.”

    “Conexões primeiro, coleções depois: esta é a essência da gestão do conhecimento.”

    A Riqueza do Conhecimento

    Como sempre acontece, um bom trabalho puxa outro. Thomas Stewart publicou, em 2001, uma sequência obrigatória para “Capital Intelectual”. “A Riqueza do Conhecimento” (Campus, 2002) completa o primeiro trabalho, com mais casos e exemplos e, principalmente, com um fator que era mais nebuloso em 1997 (data do primeiro): a Internet (e respectivas intranets, groupwares, páginas amarelas etc). Como chamei atenção acima, Stewart também aproveitou o novo trabalho para explorar um pouco mais os modelos para criação de valor. Seu primeiro livro trabalha com profundidade as Redes de Valor. Aqui ele compara este ‘meta-modelo’ com as Cadeias e Oficinas de Valor. Este será o tema de um dos meus próximos artigos.

    Aperitivo: fábricas de software (e várias outras organizações) estruturam-se como cadeias de valor. Segundo Stewart, esta é “uma metáfora tão poderosa que, por vezes, até nos esquecemos que ela aplica-se sobretudo aos contexto de fabricação e que não se adapta muito bem a muitos setores. Estendê-la a serviços, principalmente àqueles intensivos em conhecimento, pode envolver distensões, amputações e entorses tão procustianas que acabam confundindo em vez de esclarecer a situação real”. A gente vai conversar mais sobre isso. Inté!

  • 11 Livros “Obrigatórios”

    Desconfio que listas só são elaboradas para criar polêmicas. Falta de assunto? Talvez. Listas de melhores filmes, músicas ou discos, por exemplo, sempre conseguem mais discordâncias do que aprovação. Natural que seja assim, afinal cada um tem seus gostos e desgostos. Mas é muito difícil justificar ou explicar uma lista que se apresenta como “10 Livros Obrigatórios para Executivos“. O problema começa com o termo ‘obrigatório’. E termina com uma lista sem lógica e com alguns títulos no mínimo questionáveis. Não estou julgando o valor ou a qualidade dos textos sugeridos, mas sua ‘obrigatoriedade’. Qual era a intenção, afinal? Recomendar leituras básicas para executivos? Se sim, então peço licença para apresentar minhas sugestões.

    Os Bruxos da Administração
    John Micklethwait e Adrian Wooldridge (Campus, 1998).

    O subtítulo diz tudo: “Como entender a Babel dos gurus empresariais”. Funciona como um guia para a leitura de livros de negócios, particularmente daqueles já apresentados como ‘clássicos’. Aqui você entende porque deve desconfiar das dicas e conselhos de recordistas de vendas como Tom Peters (de “Vencendo a Crise” e “Re-imagine”, dentre vários outros) e Stephen Covey (aquele dos “7 Hábitos das Pessoas Muito Eficazes” e derivados). Os autores fazem parte do time de editores da revista The Economist, famosa por sua independência (de verdade, não a falsa imparcialidade de algumas famosas publicações tupiniquins).

    Desafios Gerenciais para o Século XXI
    Peter Drucker (Pioneira, 1999).

    Como justificar uma lista de livros de negócios que não tenha um título do Mestre? Complicado. E não estou falando dos trabalhos clássicos (aka antigos) do Drucker. Ele nos deixou em 2005. Antes, publicou ensinamentos importantes para os novos tempos, particularmente neste “Desafios…” Gerência, estratégia, mudanças, produtividade do trabalhador do conhecimento e “gerenciar a si mesmo” são alguns dos temas. O subcapítulo chamado “Do ‘T’ para o ‘I’ em ‘TI’” é de particular interesse para todos que por aqui passeiam.

    Reengenharia – Revolucionando a Empresa
    Michael Hammer e James Champy (Campus, 1994).

    Como assim, “Reengenharia”? Livro, autores e proposta não foram considerados o grande desastre do mundo da administração no final do século XX? Sim. Cometeram uma carnificina escondidos na teoria da reengenharia. Mas a culpa dos autores foi exagerada. Não importa. Acontece que esta é a primeira obra a colocar processos de negócios em seu devido lugar (no topo da agenda de preocupações). Hoje, quando vemos tantos BP* por aí, vale a pena ler ou reler os conceitos originais de Hammer e Champy. E aplicá-los? Com moderação sim, por que não?

    A Execução Premium
    Robert Kaplan e David Norton (Campus, 2009).

    Poderia citar três ou quatro trabalhos de Kaplan, do ABC (Custeio Baseado em Atividades) aos Mapas Estratégicos passando pelo BSc (Balanced Scorecard). Costumo dizer que ele ajudou a criar algumas das principais ferramentas administrativas dos últimos 20 ou 30 anos. Neste título temos a oportunidade de rever seus trabalhos. Não numa espécie de coletânea, mas mostrando como as operações podem ser guiadas por estratégias bem formuladas e muito bem comunicadas.

    A Economia da Informação
    Carl Shapiro e Hal R. Varian (Campus, 1999).

    Título que já apareceu por aqui, em nossa biblioteca. Leitura essencial para a compreensão da (velha) economia dos novos tempos. Lê-se no subtítulo: “Como os princípios econômicos se aplicam à era da Internet”. Não serviu para evitar a bolha do ano 2000. Mas servirá para você não atuar como um bolha na hora de administrar e precificar seus ativos de conhecimento. Este livro ganhou por pouco de “Capital Intelectual“, de Thomas Stewart (Campus, 1999). Mas isso aqui não é corrida. Leia ambos!

    O Novo Jogo dos Negócios
    Shoshana Zuboff e James Maxmin (Campus, 2003).

    O título original é “The Support Economy”. A Campus não deveria ter cometido esta infeliz ‘tropicalização’. A Sra. Zuboff, professora na Harvard Business School, e seu marido, ex-CEO da Volvo, escreveram um verdadeiro manifesto para um novo Capitalismo. Todos que queiram entender o mundo que se desenha deveriam folhear estas páginas. Com calma – são quase 500. E três grandes temas: i) Desafio: Novas Pessoas, Novos Mercados; ii) Crise: Velhas Organizações se encontram com novas pessoas; e iii) Surgimento: A nova lógica empresarial. Texto surpreendente e contundente.

    O Futuro da Administração
    Gary Hamel com Bill Breen (Campus, 2008).

    Parece que Hamel quer se tornar o Peter Drucker do século XXI. Está no caminho certo. Neste livro ele fala especificamente sobre os processos de gestão e conta porque eles são a última fronteira da administração. Antenado, fugiu bem da perigosa palavrinha “governança”. Sabe que o buraco é mais embaixo. E se preocupa, por exemplo, com a criação de “comunidades de objetivos” e “democracia de inovação”. Não, a exemplo do título anterior, não se trata de uma obra neo-hippie. É administração moderna mesmo. A última do Hamel, não disponível ainda na forma de livro texto, é dizer que “colaboradores são mais importantes que os clientes”. Vem chumbo grosso por aí.

    Virando a Própria Mesa
    Ricardo Semler (Rocco, 2002).

    E por falar em chumbo grosso… Pelo menos um autor tupiniquim merece um lugar na lista. E não poderia ser outro se não o Semler. Mês passado este título foi colocado em nossa biblioteca. Mais que merecido. Afinal, são pouquíssimos os autores realmente práticos e inovadores. Aqueles que fazem da própria empresa a base para estudos são mais raros ainda. É uma pena que Pindorama aproveite tão pouco o potencial desse cara. Lá fora eles sabem aproveitar. Por exemplo…

    REWORK
    Jason Fried e David Hansson (Crown Business, 2010)

    Os autores citam e agradecem Semler neste livro. Não é por menos: suas ideias ‘radicais’ são muito inspiradas nas experiências e proposições do Ricardo. O que me deixa curioso em saber se um dia eles já se encontraram. O livro, o único desta lista ainda não disponível em PT-br, fala da vida, do universo e tudo mais. Falando sério: marketing, estratégia, produtividade, concorrência, pessoas e cultura, dentre outros assuntos. É uma REvisão do mundo da administração sob um ponto de vista ímpar e inovador. Trocando em miúdos, um sutil e necessário tapa na cara.

    O Futuro não é mais o mesmo
    Seth Godin (Campus,  2007).

    Revendo a lista pensei – pô, falta um livro de marketing. Apesar do tema aparecer em alguns trabalhos relacionados, queria ter um título só de marketing. Vou fazer mais que isso e citar O Cara de marketing que mais admiro e cito, Seth Godin. Seu livro é sobre o futuro e “182 outros paradoxos do mundo dos negócios”. Não espere uma leitura natural e linear. O livro compila o resultado de seis anos de publicação em um blog. E Seth cometeu o disparate de colocar os “paradoxos” em ordem alfabética. Por isso ele alerta: “Não leia este livro de uma vez só”. Não faria muito sentido. Deve ser saboreado como uma boa cachaça mineira, com moderação e aos pequenos goles.

    O Princípio Dilbert
    Scott Adams (Ediouro, 1997)

    E nenhuma lista é completa sem um item que a (con)teste ou renegue de alguma maneira. Feijoada sem a laranja não é completa. Se você vai listar discos, por exemplo, precisa contrapor Led Zep ao Clash. Cidadão Kane também não é o mesmo sem a oposição de Cães de Aluguel (ou Titanic, blergh!). Por isso nosso querido Dilbert encerra esta lista, com seu primeiro e principal título. Administração e negócios podem ser engraçados. Aliás, eles são engraçados! Mas não é todo mundo que sabe contar piadas. Scott Adams sabe e por isso o seu trabalho é tão duradouro (e necessário).

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    Desde que vi a lista da EXAME fiquei ansioso para publicar a minha (juro, não por falta de assunto). E repito: não estou dizendo que os livros lá recomendados são ruins ou algo do tipo. Aliás, tem uns 2 ou 3 livros lá, como “Estratégia do Oceano Azul”, que quase ganharam a 2ª divisão aqui. Acontece que alguns trabalhos ficam mais que seis meses na lista de recomendações – não são voláteis como álcool ou etanol. Acredito que seja este o caso de todos que citei aqui (inclusive REWORK, que é deste ano).

    O sumido Braga de Brotas vivia me dizendo que não via muito sentido nos livros sobre negócios e administração. Provavelmente ele baseava seu julgamento nos 99,75% de puro lixo e modismo que vemos na prateleira assim denominada. Aliás, êta prateleira bagunçada. Na Folha de São Paulo, por exemplo, é apresentada a lista dos mais vendidos em “Negócios e Auto-ajuda”. Pobre e infeliz aquele que não consegue separar as duas coisas. Inté!