Tag: Habilidades

  • Para Trabalhar

    Para Trabalhar

    O artigo anterior mostrou a escalada dos dados até a sabedoria, passando por informações, conhecimento e compreensão. Hoje subiremos em outra escada, das ferramentas até as metodologias. São novas entradas em nosso glossário comentado. Definições e redefinições necessárias em tempos de muita confusão.O gancho para este artigo apareceu na definição de conhecimento – “a capacidade de agir”. Se com informações respondemos as questões o que, quem, quando, onde e quanto, é com conhecimento que respondemos como (know-how). Para a realização de um trabalho qualquer, basta saber como executá-lo?

    Você seguiu passo a passo a receita daquele prato fantástico. Ficou tão gostoso quanto o da sua avó? João pensa ter executado os mesmos movimentos clássicos de Leônidas e Pelé. Fez o gol de bicicleta? Maria tentou se lembrar de todas perguntas essenciais ao desenvolver alguns requisitos. Os engenheiros entenderam o que ela quis dizer?

    Pois é, entre a teoria e a prática – dependendo do trabalho – pode haver um abismo. E não existem atalhos. Só praticando, errando, aprendendo e repetindo tudo de novo é que desenvolvemos habilidades.

    Inventamos ferramentas para facilitar os trabalhos. Podemos contar a nossa história através delas. Um dia tivemos pedras lascadas. Hoje carregamos smartphones repletos de apps. Existem ferramentas físicas (martelo, carro, liquidificador) e ferramentas conceituais (matemática, lógica e teoria da informação, por exemplo).

    Quando falamos sobre técnica, nos referimos ao modo de realizar um trabalho e/ou utilizar determinada ferramenta.

    Um método é um guia que nos ajuda a selecionar ferramentas e técnicas. Neste ponto nós bagunçamos bastante o coreto. Passamos a falar de processos, frameworks, metodologias e métodos como se esses termos fossem intercambiáveis.

    Processo pressupõe repetição: mesmas entradas, mesmo trabalho, mesmas saídas. Confundi-lo com projetos não cai bem. Porque cada projeto, por definição, é único: tem entradas, trabalho e saídas diferentes. “Processos são à prova de idiotas“, escreveu Dave Gray¹. Alguém tomou todas as decisões antes; Seu executor está dispensado de pensar. Ainda não inventamos uma maneira de abrir mão de cérebros em um projeto. Por isso, para estes, faz mais sentido falar em método – guia. 

    Framework, algo como “modelo de trabalho”, deveria ir para o mesmo balaio dos offs, sale, black fridays, stakeholders, ideation, elicitation, embromation e afins.

    Chegamos, enfim, em metodologia. Uma metodologia traduz para a prática uma teoria. Toda metodologia parte de princípios. E orienta a seleção de métodos de trabalho. Metodologia também significa o estudo dos métodos. Por definição, ela sempre propõe melhorias. Deveria…

    Resumindo: uma metodologia nos ajuda a escolher métodos. Métodos guiam a seleção de ferramentas e técnicas. Ferramentas, quando utilizadas com a devida técnica, nos ajudam a realizar um trabalho de forma produtiva.

    O trabalhador do século 21 é um atencioso curador e colecionador de métodos e ferramentas. Mas não se limita a utilizá-los. Ele também os combina, altera e até inventa novos. Quando chega nesse nível, nem o céu é um limite.

    “O bom trabalhador é conhecido pelas suas ferramentas.”
    – Provérbio

    Notas

    1. A Empresa Conectada, p. 201 (Novatec, 2013).
    2. Russell Ackoff é a fonte do texto acima, pra variar.
    3. Stairway to Heaven é o título da inspirada imagem de hoje. Por svenwerk, no flickr.
      Ooh, it makes me wonder…
  • Para Trabalhar

    Para Trabalhar

    O artigo anterior mostrou a escalada dos dados até a sabedoria, passando por informações, conhecimento e compreensão. Hoje subiremos em outra escada, das ferramentas até as metodologias. São novas entradas em nosso glossário comentado. Definições e redefinições necessárias em tempos de muita confusão.O gancho para este artigo apareceu na definição de conhecimento – “a capacidade de agir”. Se com informações respondemos as questões o que, quem, quando, onde e quanto, é com conhecimento que respondemos como (know-how). Para a realização de um trabalho qualquer, basta saber como executá-lo?

    Você seguiu passo a passo a receita daquele prato fantástico. Ficou tão gostoso quanto o da sua avó? João pensa ter executado os mesmos movimentos clássicos de Leônidas e Pelé. Fez o gol de bicicleta? Maria tentou se lembrar de todas perguntas essenciais ao desenvolver alguns requisitos. Os engenheiros entenderam o que ela quis dizer?

    Pois é, entre a teoria e a prática – dependendo do trabalho – pode haver um abismo. E não existem atalhos. Só praticando, errando, aprendendo e repetindo tudo de novo é que desenvolvemos habilidades.

    Inventamos ferramentas para facilitar os trabalhos. Podemos contar a nossa história através delas. Um dia tivemos pedras lascadas. Hoje carregamos smartphones repletos de apps. Existem ferramentas físicas (martelo, carro, liquidificador) e ferramentas conceituais (matemática, lógica e teoria da informação, por exemplo).

    Quando falamos sobre técnica, nos referimos ao modo de realizar um trabalho e/ou utilizar determinada ferramenta.

    Um método é um guia que nos ajuda a selecionar ferramentas e técnicas. Neste ponto nós bagunçamos bastante o coreto. Passamos a falar de processos, frameworks, metodologias e métodos como se esses termos fossem intercambiáveis.

    Processo pressupõe repetição: mesmas entradas, mesmo trabalho, mesmas saídas. Confundi-lo com projetos não cai bem. Porque cada projeto, por definição, é único: tem entradas, trabalho e saídas diferentes. “Processos são à prova de idiotas“, escreveu Dave Gray¹. Alguém tomou todas as decisões antes; Seu executor está dispensado de pensar. Ainda não inventamos uma maneira de abrir mão de cérebros em um projeto. Por isso, para estes, faz mais sentido falar em método – guia. 

    Framework, algo como “modelo de trabalho”, deveria ir para o mesmo balaio dos offs, sale, black fridays, stakeholders, ideation, elicitation, embromation e afins.

    Chegamos, enfim, em metodologia. Uma metodologia traduz para a prática uma teoria. Toda metodologia parte de princípios. E orienta a seleção de métodos de trabalho. Metodologia também significa o estudo dos métodos. Por definição, ela sempre propõe melhorias. Deveria…

    Resumindo: uma metodologia nos ajuda a escolher métodos. Métodos guiam a seleção de ferramentas e técnicas. Ferramentas, quando utilizadas com a devida técnica, nos ajudam a realizar um trabalho de forma produtiva.

    O trabalhador do século 21 é um atencioso curador e colecionador de métodos e ferramentas. Mas não se limita a utilizá-los. Ele também os combina, altera e até inventa novos. Quando chega nesse nível, nem o céu é um limite.

    “O bom trabalhador é conhecido pelas suas ferramentas.”
    – Provérbio

    Notas

    1. A Empresa Conectada, p. 201 (Novatec, 2013).
    2. Russell Ackoff é a fonte do texto acima, pra variar.
    3. Stairway to Heaven é o título da inspirada imagem de hoje. Por svenwerk, no flickr.
      Ooh, it makes me wonder…
  • 7 Habilidades Essenciais do Analista de Negócios

    7 Habilidades Essenciais do Analista de Negócios

    Visão do Todo

    Em um mundo cada vez mais imediatista e cheio de gente focada¹ no próprio umbigo, é preciso alguém que veja o lá e o amanhã além do aqui e agora. O analista sabe que melhorias locais podem piorar o resultado global. Entende que mudanças, por melhores que sejam, sempre vão desagradar alguém. Ele precisa enxergar o todo.

    Se vai chamar isso de análise de impacto ou gestão de mudanças não faz muita diferença. Mas a adição do Pensamento Sistêmico ao seu cinto de utilidades não é nada menos que fundamental.

    Imparcialidade

    Se o analista tomar partido – ficando sempre na defesa de uma das partes envolvidas – condena todo o seu trabalho. Empatia não significa apoio incondicional. O que deve nortear suas decisões e sugestões são os objetivos do negócio e de cada projeto. Nada além disso².

    Pragmatismo

    É natural, portanto, que o analista seja bastante pragmático. Se há um objetivo colocado e em dado momento acordado, é pra lá que ele vai. Se surgiu alguma discordância em relação ao objetivo, é ela que ele tenta entender e desfazer. Se não há um objetivo e ninguém sabe para onde vai, o analista pragmático briga pela sua definição. Se ele perder a briga, sai em busca de outra.

    Saber Ouvir

    Qualidade cada vez mais rara. Saber ouvir não é saber esperar a vez de falar. É prestar atenção e demonstrar respeito. É entender que cada vírgula, expressão corporal ou suspiro pode conter informação. Por isso o analista ouve com os olhos pregados em seu interlocutor e não em um bloco de anotações. Ele sabe que 75% das informações não estão nas palavras que são ditas. Seus olhos captam mais que os ouvidos. Seus olhos o ajudam a ouvir direito.

    Modelagem

    Quanto tempo você demora para entender o significado da seguinte definição: “superfície plana limitada por uma circunferência, cujos pontos são equidistantes do centro”?

    Não importa, você teria sido bem mais rápido se eu tivesse simplesmente desenhado um círculo³. Nosso cérebro é melhor equipado para processar imagens do que palavras. É por isso que o analista rabisca e desenha o tempo todo. É por isso que a Modelagem de Negócios não pode ser um apêndice ou puxadinho no corpo de conhecimentos do analista de negócios. Se o nosso grande desafio é promover comunicações eficazes, saber modelar é imprescindível.

    Síntese

    O analista não se deixa enganar pela incompleta alcunha que recebeu. Ele não faz só exames e estudos. Sua análise não significa nada – não agrega valor algum – quando não é seguida da síntese. Pelo pai dos burros, síntese é a reunião de diversas partes diferentes em um todo coerente. Para o analista, na prática, significa colocar seu cérebro para trabalhar. Síntese não é resumo nem coletânea de melhores momentos. Síntese é criação. Se ela não ocorreu, então o cara tirou um pedido. E isso não tem nada a ver com análise (e síntese) de negócios.

    Comprometimento

    Que graça tem o trabalho que se encerra nas preliminares? E quão eficaz pode ser uma documentação – por bons modelos que contenha – se desacompanhada de seu autor? O papel ou qualquer meio mais moderno, digital, não consegue capturar todo o conhecimento adquirido e desenvolvido por um analista. É triste insistir nisso até hoje. Mas o analista só prova seu valor quando participa de cabo a rabo de qualquer iniciativa ou projeto. Sua disponibilidade para quem está criando a solução significa conhecimento transferido em tempo real via banda larga. Sua participação nos testes significa qualidade. E quem melhor do que ele para preparar o ambiente que receberá as mudanças? Enfim, o analista termina o que começou. Mais que isso: se compromete com a qualidade da entrega. Ciente de que cada entrega causa novos desarranjos e mais oportunidades de aprendizado e melhoria.

    Conta de Mentiroso

    Aqui no interior de Minas se diz que 7 é conta de mentiroso. Por isso preciso citar uma oitava habilidade essencial: o analista de negócios gosta de gente. Ele é um animal social e incorpora todas aquelas qualidades que costumamos chamar de “habilidades sociais”. Ficou por último mas, dentre todas listadas acima, esta é a habilidade mais importante que um analista de negócios precisa mostrar. Gostar de gente é seu ponto de partida.

    Há exatos 7 anos o FAN era lançado. Muita coisa mudou desde então. Menos a essência da Análise de Negócios. Este artigo é uma pequena comemoração.

    Notas

    1. Só utilizei o termo focada porque a intenção era ilustrar algo ridículo. Metacrítica?
    2. Mas, se você quiser ou precisar, inclua aqui ética, honestidade e outras questões morais.
    3. Exercício proposto por Penny Pullan e Vanessa Randle em Business Analysis and Leadership (Kogan Page, 2013).
    4. Seven about to happen three different ways, de John Watson, ilustra este artigo.