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Não acredito que um dia o núcleo duro do {FAN} seja alterado. Desde o longínquo junho de 2007, quando foi apresentada ao público pela primeira vez, esta oficina está estruturada em torno de duas grandes disciplinas: Modelagem de Negócios e Requisitos. Aprendi depois de um tempo que deveria utilizar uma explicação relativamente simplista para justificar a estrutura: a primeira disciplina nos ajuda a entender um negócio; a outra concentra-se no entendimento das necessidades e restrições de usuários e outros interessados. Cada uma merece 50% da carga horária. A divisão arbitrária – um dia para cada disciplina – tem fins didáticos. Os participantes devem entender que lançam mão de ambas simultaneamente durante toda a sua participação em um projeto. Eles entendem.
Assim como entendem o fato deste evento não se basear na estrutura proposta pelo BABoK®. É fácil fazer um ‘de-para’ quando necessário. Como o foco da oficina não é a certificação, mas o trabalho prático com a Análise de Negócios, nunca ninguém reclamou. Cito o corpo de conhecimentos oficial quando necessário, seja para destacar algum problema ou boa solução. Tanto que falo até hoje sobre a versão 1.6 e seu bom capítulo sobre “Elicitação” de requisitos.
Deixo a impressão, até aqui, de que não mudou muita coisa no {FAN}. É que comecei pelo que não mudou. Vamos às alterações. A versão anterior, que utilizei até outubro deste ano, tinha 200 slides no arquivo de apresentação. A nova versão conta com exatos 299! Um acréscimo de praticamente 50% e a mesma carga horária? Como isso seria possível?
Fiz um levantamento de todos os tópicos que, a partir da interação com os participantes, exigiam improvisos em um quadro branco. Apesar de gostar de toda aquela dinâmica, percebi que perdia um tempo precioso rabiscando. Pior: ficava muito tempo de costas para a plateia. Todos os improvisos que ficaram frequentes mereceram slides. Praticamente todo um novo tópico sobre estimativas, priorização e definição de escopo brotou dessa decisão.
Eliminei também o ridículo “ditado” de uma especificação de caso de uso que servia como exemplo. Mantenho a apresentação passo-a-passo de um caso, mas agora os alunos ficam livres para prestar atenção no que de fato interessa. Três atividades práticas os deixam rabiscar e abusar do novo modelo que apresentei no artigo anterior.
E por falar em atividades práticas: são 11 no total. E, a partir de agora, nenhuma é opcional. Elas totalizam cerca de 240 minutos, quatro horas de um total de quatorze. Ou seja, cerca de 30% da oficina é totalmente prática. Parece pouco, mas me lembro dos tempos em que o {FAN} era FAN e tinha apenas 4 atividades. E de sua “pré-história”, quando não havia exercício algum.
Todos os exercícios são posicionados de forma a reforçar ou demonstrar a parte teórica recém apresentada. E são baseados em um mesmo problema de negócio. Mantenho a estratégia de não fixá-lo nas apresentações ou na apostila. Isso permite que a cada turma eu possa sugerir um novo. Também possibilita que em cursos fechados sejam utilizados projetos reais dos clientes. Na última edição eu ressuscitei o imbróglio do ‘seu’ Moreira – português fabricante de pãezinhos que precisa dobrar a produtividade de seus vendedores. Em PoA eu devo trocar a nacionalidade do preocupado e seu produto: de pão para vinho.
Outra mudança significativa está no número de ferramentas apresentadas, particularmente no módulo de modelagem. Incorporei novas sugestões, inspirado principalmente por dois trabalhos: Business Model Generation¹ (o ‘canvas’) e Gamestorming². Mantenho o Pensamento Visual como método de modelagem, mas sem a ênfase que ele mereceu nas versões anteriores. Ao ‘esconder’ o método e apresentá-lo apenas no final do primeiro dia eu consegui, por incrível que pareça, facilitar seu entendimento.
No final do segundo dia também acontece um momento flashback, desta vez revendo todo o evento e demonstrando um método para definição do escopo inicial de um projeto. Conto uma história onde o analista tem dez dias úteis para entender um problema e, junto com o time, tentar descobrir a melhor solução. Funciona realmente como uma grande revisão da oficina, da famosa fotografia 2km X 2cm até o detalhamento de casos de uso. É uma das partes que eu costumava improvisar e que ficou muito melhor com o apoio visual pré-concebido.
Agora deixei a impressão de que foi tudo perfeito no ‘teste beta’ que executei, o que não é verdade. Peguei uma turma que ficou muito silenciosa (assustada?) no primeiro dia. No segundo, se soltaram e interagiram bem mais, comigo e entre eles. Mas fiquei com a pulga atrás da orelha: a sobra de trinta minutos em cada dia é real? Só terei certeza depois das duas oficinas no BA Brazil. Encontrei um bug mais sério só no segundo dia, o mal posicionamento da atividade #8. Mas foi muito pouco para evento tão extenso. Sorte de principiante? Hehe… pode ser.
Outro probleminha: a apostila está mais bonita, melhor diagramada. Agora ela tem espaço para a resolução dos exercícios. Não pretendo mais distribuir blocos separados para eles. Acontece que o pessoal ficou com dó da apostila. Muitos não quiseram rabiscá-la. Mesmo com minha promessa de que a versão digital está disponível para download. O que fazer? Ah, se eles vissem como trato meus livros de papel…
Mudanças cosméticas; inserção pontual de ferramentas; maior cuidado com atividades práticas. O {FAN} nunca ficou parado no tempo e em seus quatro anos e meio de vida sempre apostou que podia ser bem melhor. Mas a nova versão traz uma mudança maior, não citada até agora.
Em meu entendimento, a “onda” em torno da Análise de Negócios passou. Assim como já ficou para trás a “moda” Scrum. É uma aposta que torno pública: vocês verão muitos entusiastas de primeira hora vestindo novas roupas, estampando novas cores e reciclando promessas. Trata-se do melhor momento de todas as ondas. Porque o que fica é o que de fato interessa. O que passou era entusiasmo (e oportunismo) e nada além disso.
O {FAN} 2012 incorpora esse espírito. Entende que a Análise de Negócios, que a necessidade dela, sempre existiu e sempre vai existir. Mas há um tanto de mea culpa no novo discurso. Motivado, principalmente, pelo advento dos Arquitetos de Negócios. Eles não seriam sugeridos se nós, envolvidos com a formação de analistas de negócios, tivéssemos feito um bom trabalho. Mas é só outra moda. Não deve preocupar.
Preocupa, isso sim, que os bons analistas de negócios não desanimem. Para isso acho que é fundamental provar sua criticidade no cotidiano de uma organização. Não apenas na solução de problemas de TI. Analistas de negócios não dão manutenção em sistemas! Analistas de negócios não são “tiradores de pedidos”! Analistas de negócios apoiam a descoberta e o desenvolvimento de soluções para problemas de negócios. Qualquer tipo de problema.
Posicionados a partir da definição acima os analistas de negócios se verão desafiados por domínios cognitivos de maior dificuldade. Não basta a análise – o estudo das diversas partes de um todo (Houaiss). O analista não é nada menos que fundamental na síntese – na destilação da tese proveniente daqueles que têm problemas e da antítese colocada pelos eventuais provedores de soluções. É peça fundamental – meio e mensagem – em um diálogo verdadeiramente produtivo.
Enfim, o {FAN} 2012 traz uma mensagem otimista embalada em belos desafios. Desenha-se em torno de duas disciplinas que definem as habilidades técnicas que um analista de negócios deve desenvolver. Mas é guiado por um conjunto que, por falta de termo melhor, tenho chamado de Habilidades Essenciais: Solução de Problemas, Análise, Síntese, Gestão do Conhecimento e Aprendizagem Organizacional, Comunicação Corporativa, Pensamento Criativo, Pensamento Sistêmico, Pensamento Visual, Teoria da Complexidade etc. Eu sei, assusta. Mas posso garantir: é apaixonante. Por isso seguirei teimando que essa é uma das melhores profissões do século XXI. Quem sobreviver (à onda), verá.
Extensões do {FAN}
Há meses brigo com uma ideia: liberar módulos curtos, com três horas de duração, para apresentação e aprofundamento de tópicos específicos do programa {FAN}. Como é impossível prever sua aceitação, farei testes reais em janeiro do próximo ano. Não exigirei participação prévia no {FAN} tradicional de 14 horas. Esta primeira geração do que estou chamando {FAN Fast} é formada por quatro módulos:
Todos os módulos são ‘levemente acoplados’. Ou seja, você contrata apenas aquele ou aqueles que te interessar. Não haverão (muitas) referências cruzadas, nem mesmo com o {FAN} tradicional. Nesta primeira leva, apenas uma restrição: os módulos acontecerão durante a semana, em dias consecutivos e em período noturno. Em breve publico as páginas dos eventos e divulgo a agenda.
Em 2010 ofereci, de graça, um FAN Upgrade. Foi muito curto e serviu para rever amigos. Passados quase dois anos, hora de agendar uma nova atualização. E ela se dará através da participação no evento tradicional, com 14 horas de duração! Desta vez o evento será pago (assim quem se inscreve realmente participa, né?) Mas terá descontos progressivos. Quanto mais antiga sua participação no FAN, menos você paga. Quem participou das turmas de 2007 e 2008, por exemplo, tem desconto de 50%.
O Upgrade está agendado em programação especial de férias: acontecerá em São Paulo, nos dias 13 e 14 de janeiro. O site da Tempo Real Eventos já está recebendo inscrições: http://www.temporealeventos.com.br/?area=15
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Observações:
Planos que devem ser especiais porque em 2011 completo 25 anos de relacionamento com esta área chamada genericamente de Tecnologia da Informação. Pois é, Bodas de Prata! No namoro fui programador. Noivado na marra se deu quando me converteram em gerente de projetos. Há cinco anos, quando voltei para minha terra natal e me converti em consultor independente (sem patrão nem sogra), resolvi que era casório mesmo.
Ano especial significa um pouco mais de ambição. Boa ambição. Ao analisar a evolução histórica das visitas ao finito foi fácil perceber uma inevitável estabilização. Não posso forçar a barra ou questionar convicções e estilo para tentar conquistar quem não gosta de meu trabalho. Não. Em relação ao finito a minha principal preocupação será não perder quem eu consegui atrair. Para isso eu sei que devo continuar entregando o que eles esperam, em torno dos temas já consolidados (Análise de Negócios, Gerenciamento de Projetos e Engenharia de Software, principalmente).
Mas quem me conhece sabe que esse papo de estabilização e mesmice não tem nada a ver comigo. No início do ano passado tentei explorar algumas ideias diferentes, em artigos e eventos. Falo principalmente dos fracassados “Jogo dos 7 Erros” e do épico do “Seu Moreira”. Quebrei a cara. Como sou teimoso como um bom burro mineiro, tentarei lançar o jogo novamente. Motivado principalmente por participantes do FAN que falaram: “eu quero”. Mas meu cardápio, como eu antecipei em meados de 2010, tem novas opções:
Outros temas ‘xodó’ passaram todo o ano de 2010 clamando por um pouco de atenção: Gestão do Conhecimento; o “i” de TI; Software como Negócio; Software como Ativo; e, jogando no ventilador, TI, Vida Digital, Carreira e Negócios de uma maneira geral. Confesso que não sei o que pode sair daqui. Talvez eu lance alguns artigos e palestras sobre alguns desses temas. Minha única certeza é que ressuscitei o GRAFFiTi para que ele possa servir como um repositório de assuntos aleatórios. Conto neste artigo um pouco das minhas intenções. Aquelas que já conheço, hehe. Ah, migrei para lá a sequência da conversa que comecei ao comentar o livro “Capital Intelectual“. Aquele papo sobre fábricas de software e coisa e tal. Está em “Cadeia, Rede ou Oficina de Valor?”
Muita coisa para uma cabecinha só? Depende: 2011 é o ano do Coelho, e Coelho é símbolo de agilidade e fertilidade. Saber aproveitar e utilizar melhor o tempo é uma qualidade cada vez mais necessária (particularmente depois de determinada idade). E, como já dizia o poeta, “Disciplina é Liberdade”. Aquele modelinho que utilizo há tempos – Lucro | Troco | Truco – ajuda bastante. O novo GRAFFiTi ainda é apenas um “truco”. Merecerá só 10% de meu tempo. O restante seguirá aqui, nos estudos, artigos e eventos do finito. Precisa dizer que seguirei contando com você? Feliz 2011. Inté!
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Observações:
O programa para Formação de Analistas de Negócios é um eterno trabalho em desenvolvimento. Aliás, eu acho que todo programa de treinamento é ou deveria ser assim. Sempre encontraremos algo que pode ou precisa ser melhorado. Durante os dois primeiros anos o conteúdo foi diferente em todas as turmas, para desespero do pessoal que confecciona as apostilas. A primeira grande alteração se deu após a quinta edição, quando dobramos a carga horária. A principal reclamação que recebíamos via fichas de avaliação era: “Puxa, a gente gostaria de exercitar suas sugestões”. Esticamos a duração do treinamento para poder incluir os módulos práticos.
Alteramos também o material didático. Além das apostilas, os alunos também recebiam material de apoio para execução dos exercícios. Não bloquinhos de rascunho, como de costume, mas modelos que, apesar de extremamente simples, apoiavam o aprendizado ao reforçar os conceitos apresentados.
Depois veio “The Back of the Napkin”, de Dan Roam (Portfolio, 2008), e com ele um novo método para o trabalho de modelagem de negócios. O núcleo das sugestões, baseado no uso da UML e sua extensão EPBE (Eriksson-Penker Business Extensions), foi mantido. Mas o método do pensamento visual facilitou tanto o aprendizado quanto a aplicação prática e imediata da modelagem de negócios.
Só em agosto de 2009 eu resolvi “congelar” o conteúdo do FAN. Queria testar sua estabilidade em turmas abertas e fechadas. O “descanso” e relativo distanciamento do material foi proveitoso. Há pouco mais de um mês, quando o reencontrei, sabia exatamente o que alterar.
A sequência do treinamento é madura, está bem resolvida. Mas slides envelhecem! Cerca de 70% dos slides têm a idade do FAN! De tanto apresentar o material, sempre com alguma variação, aprendi uma separação mais adequada entre o que vai na apresentação e o que é falado. É uma reengenharia gostosa de fazer, cheia de surpresas. Tem momentos em que 5 slides vão para o lixo. No momento seguinte, 7 novos slides berram para ver a luz. Ou seja, o tamanho da apresentação utilizada seguirá parecido: imenso.
Aproveitei o esforço para “dar um tapa” no visual do material didático. Se os slides já eram minimalistas pra caramba, agora eles ficaram mini-minimalistas. Influência viciante de duas obras: “Presentation Zen”, de Garr Reynolds (New Rider Press, 2008) e “The Presentation Secrets of Steve Jobs”, de Carmine Gallo (McGraw-Hill, 2010). Treinamentos como o FAN são muito cansativos. Dois dias inteiros consecutivos fazem com que os alunos percam muita coisa, principalmente ao final dos dois dias. E a gente sabe que bullets, cores, efeitos e muita ladainha escrita e falada cansam. É claro que um treinamento assim tem muito pouco em comum com os imbatíveis keynotes do Steve Jobs, por exemplo. Mesmo assim, as duas obras citadas ajudaram a desenvolver um material de apoio que: i) Cansa menos; ii) Registra aquilo que é estritamente fundamental; iii) É de fato *Visual*; e iv) Foge das perigosas e feias armadilhas do Powerpoint e afins. Estou muito satisfeito com o produto final. Tanto que em breve, finalmente (!), vou liberar uma versão light na área de downloads deste site e também no Slideshare. Só peço que aguardem um pouquinho, até a conclusão do teste de verdade que farei neste final de semana.
A distribuição dos exercícios também ajuda a tornar o evento mais produtivo e agradável. Distribuídos de maneira homogênea e com duração fixa, eles acabam ditando um ritmo. Sim, tô surrupiando aqui uma prática muito eficaz dos projetos guiados por métodos ágeis. O ritmo constante, estou apostando, deve tornar os exercícios ainda mais produtivos e eficazes. E, de quebra, os alunos mergulharão um pouco mais no modelo iterativo e incremental de desenvolvimento. As versões anteriores do FAN também tinham essa intenção. Mas existiam módulos muito extensos de teoria, seguidos de dois ou três exercícios consecutivos. Consegui encontrar um formato mais equilibrado. E sem nenhum prejuízo para a parte teórica. Ok, chega de blablablá. Que venham os testadores! Inté.
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“Pô Paulo, que sacanagem! Se você tivesse avisado a gente teria aguardado essa nova versão…”
Pessoal, a AUI! (angústia pelos upgrades infinitos) veio para ficar. Você acaba de gastar aquela bela grana num celular novinho e daqui a uma semana aparecerá um melhor e mais feito pra ti. Será sempre assim. No caso fo FAN não se preocupem porque: i) Todo o material estará disponível para vocês, através de nosso grupo AN.br; e, ii) Estou programando dois eventos de atualização que serão disponibilizados para todos os 2.000+ participantes das turmas anteriores do FAN. Um deles será “na faixa”, “vasco”, “grátis”. Aguardem!
]]>O Jogo dos 7 Erros para Líderes de Projetos é um dos novos. É uma oficina (workshop) com duração de um dia e formato um pouco diferente. Brincamos com o velho jogo dos 7 erros – aquele onde devemos descobrir diferenças entre duas imagens. Na oficina cada erro aparecerá em uma situação diferente. E cada situação tratará de um tema desafiador e recorrente na vida dos líderes e gerentes de projetos.
É um jogo mas está longe de ser brincadeira de criança. Os exercícios, elaborados individualmente, são de médio ou alto graus de dificuldade. E são baseados em situações reais. Cada situação terá duração de uma hora e será encerrada com um bate-papo entre os participantes.
A outra novidade tem o mesmo formato: O Jogo dos 7 Erros para Analistas de Negócios. Não é requerida participação no FAN. Mas é desejável que os participantes tenham experiência em Análise de Negócios.
Os dois jogos estão sendo lançados em caráter “Beta”. Ou seja, trata-se de um teste realmente. Daí o precinho especial (R$ 199 para clientes da Tempo Real Eventos e R$ 249 para estreantes). Além disso, cada evento contará com a presença de 5 convidados especiais. Na linha de uma famosa revista de informática, talvez estejamos inventando uma nova profissão: Crítico de Oficinas! Será esta a função dos convidados. Se você se interessou pelo desafio, tente sua estréia aqui, deixando um comentário crítico / criativo sobre os novos eventos. Se for aprovado, a vaga é sua.
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E o velho FAN dá as caras novamente, rumo ao seu 3º ano de vida. Será a 18ª turma em São Paulo – com certeza um dos recordes da Tempo Real Eventos. Legal que se trate de um velho (na nossa área 3 anos pode ser muito tempo) que ainda está sabendo envelhecer. Esta turma marcará a estréia da versão 1.1 do programa. Em números absolutos, trata-se da 4ª versão diferente desta oficina de 14 horas.
Aliás, vale lembrar que é o mesmo evento que será apresentado pela primeira vez em Brasília, nos dias 9 e 10 de abril.
Críticas, dúvidas ou sugestões podem ser colocadas aqui mesmo, na forma de comentários. Ou através do email: [email protected]
Desde já agradeço. Inté!
]]>Seguem os convites:
Se você quiser entender um pouquinho mais a importância do cara, veja a série de artigos que publiquei aqui no finito em 2006. Se gostar, não deixe de comprar o livro. Se comprar o livro, lembre-se de uma provocação do Brooks:
Eles falam que o livro é a Bíblia da Engenharia de Software… é por isso que todo mundo o lê mas ninguém o usa!
A gente se vê num dos dois eventos acima. Inté!
]]>É a primeira vez que cito um evento fechado aqui no finito. Já levei o programa FAN (Formação de Analistas de Negócios) para empresas dos mais diversos portes e ramos de atividade. De empresas com 5 funcionários até “monstros” com cerca de 8k “colaboradores”. Não disfarçarei nunca minha preferência pelas menores. Além de saber o que querem, são mais corajosas. Em empresas maiores é muito comum encontrar o detestável “sempre foi assim – não vai mudar”. Um conformismo diretamente proporcional ao tamanho do abacaxi que deve ser descascado diariamente. Pior: um tipo de alienação que só faz aumentar os problemas.
Talvez eu me arrependa, mas preciso destacar outro ponto: as pessoas. Agora não falo dos eventos, mas das cidades como um todo. É um choque, particularmente para um mineiro, a transição Sampa – Rio – Sampa no intervalo de 3 dias. Não parece que as duas cidades são separadas por meros 400km. Não fosse a língua eu poderia dizer que são dois mundos totalmente diferentes. Tenho “traumas” anteriores na Cidade Maravilhosa. Mas eles estavam, de certa forma, esquecidos. As últimas visitas os ressuscitaram. Não causa espanto o fato de muitas empresas e associações saírem de lá. Ok, tô no limite (da auto-censura). Encerrarei assim: detesto o Diogo Mainardi. Salvo engano, ele vive no Rio. Então agora entendo uma obra dele: o Rio parece sim “Cronicamente Inviável”. Não fosse aquele oceano de petróleo que acham por lá… Não fosse aquele mar de beleza… Mas talvez sejam esses mesmos os motivos para tantos problemas. Ok, vamos ao que interessa.
Atendendo diversos pedidos, Tempo Real Eventos e eu programamos mais um par de oficinas do FAN em sábados (dias 11 e 18). A grande maioria dos 40 e tantos participantes contratou os dois eventos. Desta vez utilizamos uma sala da Globalcode. Apesar de legal, ainda não é a ideal para esse tipo de oficina. Engraçado, mas por que será que é tão difícil encontrar cadeiras soltas em salas de aula? Bem, o fato é que tirando um ou outro desconforto, as oficinas foram memoráveis!
Finalmente encontrei o “ponto” do módulo I, a “Modelagem de Negócios”. Halex, um dos participantes, escreveu em nosso grupo de discussão que o evento foi um “divisor de águas” para ele. Exageros à parte, realmente acredito que consegui trazer esta primeira oficina para o mesmo nível de maturidade em que se encontra o módulo II, “Engenharia de Requisitos”. Sei lá qual a contribuição da minha chatice, mas eu devo ter repetido dezenas de vezes que nós “modelamos um negócio para entendê-lo, não para gerar documentação“. Seria só retórica se as ferramentas apresentadas não fizessem sentido. Engraçado é que, em relação a todas as edições anteriores, eu só acrescentei um novo tipo de diagrama-ferramenta: o PUCS (Process Use Case Support). Mais sobre ele em um futuro (não muito distante) artigo.
No segundo encontro, sábado passado, a turma dispensou “quebra-gelos” e afins. Desde muito cedo demonstraram sua “fome”. Fui no embalo… Pois bem: tradicionalmente consigo aplicar o primeiro exercício ainda antes do almoço, lá pelas 11h30. Desta vez ele só foi possível quando meu relógio já berrava 15hs! Foi-se o “pulmão” (buffer de 1hr) e mais da metade dos exercícios. Um ponto tomou boa parte dos debates: o desenvolvimento “Iterativo e Incremental”. Mas eu consegui completar o programa, encerrando a oficina lá pelas 18h15. Em pleno sabadão chuvoso! E ninguém saiu da sala antes do fim!?! Foi realmente uma turma diferente. Boa, antenada e super sedenta. Mas eu sei que falhei feio na administração do tempo. Não tive coragem de “podar” assuntos paralelos. Na verdade, não vi o tempo passar. Tenho que dar um jeito de “pagar” os exercícios não executados. Sei que eles cobrarão…
* Obs.: Outubro “foi”? Mas ainda é dia 21! Pois é, o ritmo me fez abreviar o mês. E adiar uma oficina previamente programada para o próximo dia 30. Acontece que o backlog aqui tá vazando pelas bordas… Se eu não segurar agora, sai do controle. Inté!
]]>10 e 24/set – Sampa: a dupla de oficinas. De todos os participantes, 40 e poucos contrataram o par. Este formato de comercialização torna as oficinas mais produtivas. Mas minha memória tem me enganado (“falei sobreisso na oficina anterior?”). O formato também me dá uma segunda chance, a oportunidade de reverter alguma situação. E como eu precisei da 2ª chance. Sei lá porque o encerramento da oficina do dia 10 foi um atropelo só. Claro que deixei uma má impressão. Como praticamente todos os participantes voltaram no dia 24, creio que consegui ‘multiplicar por menos um’ aquela situação.Foi uma turma mais ‘morna’ que a média, mas acho que a culpa é só minha. De qualquer forma, as avaliações foram muito boas.
12/set – Floripa: Só “Engenharia de Requisitos”. Na realidade, um evento ‘bandaid’ que tentou minimizar acidentes comerciais que não merecem nosso tempo. Saí de 34°C em Sampa para uns 12°C em Floripa. Na hora do almoço acusei o baque, pensando que era só cansaço. Não era! Era a 3ª gripe do ano, o que forçou uma drástica revisão de meus hábitos (e dietas). A turma, muito boa, mesclava Floripa, Blumenau, Criciúma e Itajaí. Contei com o apoio do Ronan e do Jefferson, além da visita do Kerber e seus companheiros de escritório de AN. Foi uma turma mais ‘brigona’ que aquela de Sampa – o que sempre enriquece os eventos. As ‘brigas’ tratavam dos temas de sempre: Casos de Uso, Especificação, Documentação…
Aliás, aproveitamos o evento para um breve duelo “Casos de Uso versus Estórias de Usuários (User Stories)”. O Ronan foi ‘convocado’ especialmente para esse teste. A figura ao lado mostra a estória escrita pelo Ronan. Abaixo o caso de uso (surrupiado da turma de Cascavel).
O duelo foi exaustivamente debatido em nosso fórum. A velha conclusão de sempre (“é uma questão de gosto”) é um perigo! Insisto em uma especificação de casos de uso que se limite exclusivamente ao domínio do problema – ao que o usuário precisa fazer. Assim aproximo, conceitualmente, as duas sugestões. Assim a equipe de construção não se vê constranginda por uma especificação fraca (e falsa). Mas as diferenças merecem destaque.
A estruturação da especificação de casos de uso não é uma questão de burocracia. O modelo que sugiro incentiva que o Analista de Negócios (AN) registre alguns dados básicos sobre os requisitos que estão sendo apre(e)ndidos, como seu valor para o negócio (ou Grau de Importância), o dono (responsável) dos requisitos e seu ponto de vista, o processo de negócio em questão etc. São informações que não visam a redução da comunicação da equipe. Pelo contrário, objetivam o enriquecimento dos debates e do conhecimento repassado pelo AN para o restante da equipe. E, como ilustrei no artigo O Parlamento, são informações bastante úteis em alguns processos de tomada de decisões.
O Ronan já disse que gosta de minha sugestão. Outros ‘xispeiros sem preconceito’ também devem gostar do modelo. Se for o caso, não precisa nem chamar de ‘casos de uso’. Que tal “histórias semi-estruturadas”? hehe.. ah… não dá pra colá-las em paredes? Paciência…

26 e 27/set – Cascavel: E que belíssima surpresa foi o evento de fechamento do mês. Não só porque Cascavel é muito bonita e agradável, mas principalmente porque ‘enfrentei’ uma turma muito boa – com 70 participantes! O evento foi promovido pelo APLTIC (Arranjo Produtivo Local – Tecnologia da Informação e Comunicações) do Oeste do Paraná e patrocinado pelo SEBRAE local. Aliás, devo registrar a excelente organização e agradecer toda a atenção que recebi.
O primeiro dia foi de ‘quebra-de-gelo’ – a turma ficou meio quietinha. Mas como é legal quando as oficinas ocorrem em dois dias consecutivos! O dia seguinte, um sabadão ensolarado, foi superquente. Principalmente depois que uma turma de AN’s descobriu que tava fazendo o trampo de alguns Analistas de Sistemas (AS). Foi engraçado mas, se bem entendi, ambos os lados estavam meio insatisfeitos: Os AN’s pelo excesso de trampo; os AS’s pela falta de espaço; ambos pelo volume de atritos. Não sei o que deu, mas muitos falaram que eu havia “mudado suas vidas para sempre”, hehe. Não sabem que também mudaram as oficinas para sempre… Mas isso eu conto depois. Por hora resta dizer que, por uma questão de logística (meu avião estava a 140km de distância, em Foz), a oficina teve 1 hora a menos. E a hora não fez falta? Nenhuma!
Tanto que, depois de muito tempo, tivemos uma turma completando todos os 6 exercícios propostos. E eu prometi registrar aqui qual proposta eu comprei… que dureza! Os grupos eram muito nivelados. O grupo 7, dos Paulos, elaborou protótipos bastante criativos. Mas economizou um pouquinho no caso de uso. O grupo 6, do Ricardo, caprichou mais no caso de uso e fez um protótipo bonitão (com logo da Visa?). O Grupo 9, da Fafita – o grupo que praticamente monopolizou as AN’s, também fez um bom trabalho na especificação de caso de uso. Mas não conseguiu gerar um documento de visão “vendedor”. Aliás, a objetividade do grupo 5 (Tiago) na elaboração da visão merece destaque. Assim como a especificação de caso de uso do grupo 8 (Callian). Resumindo: um grande empate técnico!…Quem faz mais barato? O grupo 5, que deu uma bela torcida na contagem de pontos por caso de uso. Quero ver entregar…
Inté!
]]>Na penúltima quinta (31/jul), contamos com 73 participantes na Oficina Engenharia de Requisitos, em Sampa. Praticamente todo mundo que esteve no módulo anterior voltou. Foi uma pena, mas apenas aquele ativo participante (defensor de um processo cascata) não conseguiu participar. Gripe ou algo do tipo. Pena mesmo. Espero reencontrá-lo para fechar o debate que começamos no dia 16.
Mas isso não significa que o evento ficou menos quente. Muito pelo contrário. As interações foram tantas que ainda no período da manhã boa parte de meu buffer (pulmão) de 1hr já tinha ido para o beleléu. Isso e outra amolação que não merece espaço fizeram com que a turma não conseguisse executar os 2 últimos exercícios da oficina. Por menos que eles tenham reclamado (e as avaliações foram muito boas), eu sei que a não execução dos exercícios é um prejuízo. São exatamente aqueles que permitem que o Analista de Negócios (AN) coloque os pés, pela primeira vez, no domínio da solução. Fazem falta.
E por falar em exercícios… A sala tinha capacidade para 100 pessoas. E a turma parece ter ocupado praticamente todos os cantos disponíveis. Já escrevi aqui, não é a sala ideal para este tipo de oficina. Mas meu parceiro em Sampa tem encontrado dificuldade para encontrar um local mais adequado. A turma sofre um pouco. Mas se diverte pra caramba.
Um fato tem me chamado a atenção em todas as últimas edições desta oficina: as turmas estão assimilando muito rapidamente minha proposta de especificação de casos de uso. Apesar de continuar gerando uma certa polêmica, o pessoal pega o “espírito da coisa” muito rapidamente. Ainda careço de mais informações de quem está adotando aquela sugestão em seus projetos. Mas os produtos gerados na oficina me surpreendem. Ainda que existam algumas variações consideráveis. Por exemplo: o menor número de requisitos funcionais (ou passos em um caso de uso) foi 4, o maior foi 11. Mas o tal “espírito” (a captura exclusiva *do que o usuário precisa fazer*) foi respeitado em todos os artefatos gerados.
O amigo Kerber, que há uma semana publicou sua prestação de contas, pode ter matado a charada (da rápida assimilação do modelo para especificação de casos de uso). Depois do evento, num “bareco”, ele disse que a 1ª parte da oficina está “muito bem resolvida”. Eu também tenho gostado muito daquela sequência. Mas sua mensagem mostra que a 2ª parte, que concentra grande parte dos exercícios, ainda carece de revisões. Aliás, acho que já me conformei com o fato de que o evento é um eterno “trabalho em desenvolvimento”. Não consigo replicar nem mesmo as apostilas.
Além do Kerber, que foi de Floripa para Sampa com o colega Paulo Bernardi, contamos novamente com a presença de Suzandeise Thomé, do IIBA-SP. Foi com eles que rolou uma revisão pós-evento, ali na Alameda Santos. Papo jóia com o tradicional efeito colateral: o espaço do problema aumentou consideravelmente, hehe. Explico: o horizonte de todo este trabalho para a formação de AN’s foi expandido. Ainda não posso falar muito, só adiantar que ficou mais azul (e bonito). Revisão semelhante já está programa para Floripa: Sabadão, 23/ago. Semelhante em todos os sentidos: num “bareco”, com bom chopp e um tira gosto melhor que aquele de Sampa. Alguém aí disse camarão? Pastel de bacalhau do Box 32?
Na última segunda-feira, 4/ago, apresentei a mesma oficina em Curitiba, no evento Planeta Digital. Turma consideravelmente menor (má divulgação?), mas igualmente interessada. O evento foi legal o suficiente para gerar novas oportunidades, inclusive alguns “passeios” pelo interior do Paraná (Cascavel, Foz) que eu não conheço. Vergonha: conheço até Guaraqueçaba (que muitos paranaenses não conhecem, daí!), mas nunca tive a chance de mergulhar no interior daquele belo Estado. Me perdoem a economia, mas esgotei o espaço dedicado para uma prestação de contas. E seria muito redundante em minhas conclusões. Resta apenas dizer que São Paulo não tem um centro de convenções do nível da Expo Unimed. Um show!
Encerrando: novidades sobre o Projeto Rendiconti foram publicadas hoje no Graffiti. Belas novas, diga-se de passagem. Inté!
]]>Outra pequena alteração que efetuei foi no nome do módulo: tirei a palavrinha “Análise” e dei o braço a torcer para o RUP. Esta primeira metade do programa FAN agora se chama só “Modelagem de Negócios”. Claro que faz mais sentido, já que vendo a Análise de Negócios como a junção da Modelagem de Negócios com a Engenharia de Requisitos. Aliás, visando facilitar o entendimento do escopo dos dois módulos criei uma tagline, um tipo de sobrenome para cada um deles: Modelagem de Negócios – Entendendo o Negócio; Engenharia de Requisitos – Entendendo o Usuário. Ficou meio simplista, até apelativo. Mas não tenho dúvidas que facilitou a apresentação dos módulos.
O programa FAN (Formação de Analistas de Negócios) é um eterno “trabalho em desenvolvimento”. Mas estou tratando a versão atual, publicada há cerca de 2 meses, como um release candidate. Ou seja, ela ficará ‘congelada’ nesta que considero a penúltima iteração do projeto do livro. Uma iteração longa, de 6 meses. As oficinas e cursos sempre antecedem a publicação de uma versão do livro. É o feedback que obtenho ali que direciona as alterações e incrementos que devo fazer em meu texto. A partir de agosto começo a publicar, exclusivamente para os participantes dos eventos, o release candidate de cada capítulo do livro. Minha intenção é liberar um capítulo por quinzena. Em paralelo está acontecendo o projeto Rendiconti – a loja virtual (POD – Print on Demand) que venderá meu trabalho e, se tudo der certo, o trabalho de vários colegas.

Mas, caramba… esta deveria ser a prestação de contas do evento do último dia 16. Vamos a ela. Na teoria minhas oficinas deveriam ter um público máximo de 50 pessoas. Na prática meu recorde é de 72. Coloquei o limite por uma razão muito simples: a possibilidade de interagir e dar atenção para todos os participantes.Tivemos 60 na última quarta-feira, mas acredito que todos que precisaram de atenção foram atendidos. Sem comprometer a duração do evento. Adianto para todos, logo na abertura do evento, que temos um buffer de 1 hora. E explico: se o evento for muito ruim, lá pelas 5 da tarde tá todo mundo indo embora. E confesso que isso já aconteceu uma vez, na 3ª turma do FAN “palestrão”. O tal buffer é utilizado nas interações. E foi totalmente consumido neste último evento.
Turma grande e variada, no sentido de que tínhamos ali vários ramos de atividades representados. De escolas a usinas de álcool, passando por várias empresas de desenvolvimento de sistemas com perfis bastante distintos. Esta heterogeneidade enriquece o evento, principalmente porque permite a exploração e o debate de muitas expectativas e perspectivas distintas. Os exemplos que vêem dos participantes, suas demandas e dificuldades, são parte central da matéria-prima que utilizo em meu trabalho. Tanto que não vejo mais como seria possível escrever um livro deste tipo com um processo diferente.

Apesar de insistir que os dois módulos do programa são “levemente acoplados”, por diversas vezes encerrei um papo dizendo que aquilo era tema para o evento do dia 31. Ficou feio, mas do contrário eu correria o sério risco de estourar o horário. Na verdade o que está acontecendo, intencionalmente, é uma melhor amarração das duas disciplinas. Como aprendi em nosso grupo de discussão, mesmo os participantes mais envolvidos e antenados viviam “me jogando na cara” que a formatação do programa tinha um Q de cascata. Por mais que eu insistissse que as duas disciplinas ocorrem em paralelo em um projeto para desenvolvimento de sistemas, a sensação de “quedas em cascatas” persistia. Por isso amarrei um pouco mais as disciplinas. Tento indicar onde e como há o entrelace. Fico sempre devendo o outro lado da amarração, a parte dos Requisitos. Devendo para o evento seguinte. Não vejo como fazer de outra forma.
Por falar em “cascatas”, confirmei um padrão que demanda atenção. Empresas de software que desenvolvem pacotes apresentam uma grande resistência a processos que preguem a adoção de um ciclo iterativo e incremental. Percebi isso em turmas fechadas que executei nas últimas semanas, no interior de São Paulo e em Santa Catarina. E a coisa ficou ainda mais “quente” neste evento. Os argumentos de quem defende a “cascata” neste tipo de organização são fortes, contundentes. Existem aqui duas variações principais: quem defende “cascatas” com unhas e dentes e quem pensa que iterações com 3 ou 5 meses de duração não configuram uma “cascata”. Com o segundo grupo tive tempo suficiente para descobrir que seu processo carece de revisão – foi em SC. O debate com esta turma de Sampa prosseguirá no próximo 31/jul. Espero entender e registrar melhor seus argumentos. Como a próxima oficina é bem mais prática, espaço para o debate não faltará. Claro, registrarei aqui meus achados (e perdidos).
Sempre recebo uma compilação (anônima) das avaliações. O ponto que mereceu a imensa maioria das críticas ao evento foi uma inserção comercial de 15 minutos. O evento teve um patrocinador, que ganhou um tempinho para deixar sua mensagem. A turma não gostou. Mas acho que foi só um problema de comunicação. Minha parcela é grande. Existem eventos parecidos que custam o dobro deste. A turma precisa entender que a manutenção dos valores atuais dependerá de recursos assim, de patrocinadores. Eu aviso que não endosso nenhum dos produtos ou serviços apresentados pelo patrocinador. Mas também não os ‘detono’. (Só adoro detonar mesmo o Requisite Pro, hehe). Tempo Real, Borland e eu tentaremos tornar o “reclame” mais útil e interessante para os participantes. Uma breve demonstração de produtos / ferramentas é o caminho.
Para encerrar, devo registrar a satisfação de ter contado com a presença da presidente do Capítulo São Paulo do IIBA (International Institute of Business Analysis), Suzandeise Thomé. O amigo Cláudio Kerber nos apresentou, e a convidei para os dois eventos. O Capítulo São Paulo foi fundado no dia 1º de abril deste ano. Sim, a Suzandeise brincou com a data. Além de nos informar que o trabalho ainda está em sua fase inicial, brigando com uma certa burocracia. Mas as perspectivas são boas. Em pvt ela me disse que o interesse é muito grande. Que várias empresas já os procuram para, principalmente, oferecer treinamentos para a formação de Analistas de Negócios. “Hot Commodity” é isso aí. Chute meu: os dois próximos anos serão quentíssimos!
Momento “falha nossa”: 1 mês sem atualizações do finito é muita coisa. Aos amigos que gostam de meus artigos, registro aqui um sincero pedido de desculpas. Tenho em meu backlog quase uma dezena de temas que quero tratar aqui. Mas a correria das últimas semanas mal deixa tempo para uma necessária cervejinha. E os próximos 45 dias seguirão no mesmo ritmo – até pior. Mas tentarei não deixar este espaço tão abandonado. Não por um período tão longo.
]]>Antes, porém, a viagem. É minha segunda ida a Bauru, mais especificamente para a UNESP. A primeira foi em novembro do ano passado. Um passeio maluco que resultou em quase 24 horas dentro de ônibus, de Vga para Bauru via Campinas. A experiência foi legal mas excessivamente cansativa. Desta vez eu encararia um vôo de ATR, CGH – Bauru/Arealva sem escalas. Diz o povo, mineiro não perde o trem (ônibus ou avião). Daí que o mineiro aqui só descobriu em cima de hora que perderia o vôo se não fosse para Sampa na madrugada de domingo. Imprevisto que resultou em horas e horas perambulando feito um zumbi em dois terminais, Tietê e Congonhas. Zumbi? Pois é: desde a última quinta convivo com a 2ª gripe do ano: gripe “Carlinhos Bala”. Não sei se ela pega só corinthianos, mas é devastadora! E não deixa dormir. Azar dos corinthianos que compartilharam ônibus e aviões comigo…
Quando comecei a palestra, na noite de segunda, completava 37 horas sem dormir. Alertei a turma para um risco inédito: o palestrante poderia dormir! Azar deles, não aconteceu. E até que rolou sem grandes acidentes a primeira de duas palestras. Rolou até sorteio de uma caixa de quindins, o que ajuda a “prender” uma platéia. Invertendo a ordem natural de meus eventos, começamos com Engenharia de Requisitos. A mesma turma veria, no dia seguinte, uma palestra sobre Modelagem de Negócios. E um improviso que fecharia com chave de ouro a minha participação naquele evento que é totalmente organizado e tocado pela estudantada, a exemplo da Semana Acadêmica da UFLA.
Antes da surpresa, porém, vou falar sobre a viagem de volta. Ainda zumbi (tipo aqueles coadjuvantes dos filmes do Corman sobre o tema), me enganei sobre o horário do vôo. Quando cheguei no distante aeroporto de Arealva, certo de mais de uma hora de espera, fui recepcionado por três assustados funcionários: “o senhor vai embarcar?”. Como assim? Meu vôo é o próximo. Quase gelei quando falaram que não tinha próximo… Deve ter gelado mais aquele prestativo atendente que invadiu a pista correndo e pedindo para o piloto esperar: “Tem mais um!”. Foi surreal, mas atrasaram a decolagem e abriram a porta do avião para o zumbi aqui poder embarcar. Agora só falta dizer que eu sou culpado pelo caos aéreo. Bom, para terminar a saga, corri feito louco de Congonhas para o Tietê (Portuguesa) e consegui pegar o último buzão. Lá pelas 2h30 da matina, no meio d’uma neblina igualmente “Corman” e d’um frio daqueles, desembarquei em Vga. Eu e outros 3 zumbis.
Vou repetir o que escrevi depois da primeira ida para Bauru: queria descobrir uma forma de ‘importar’ aquele espírito empreendedor aqui para minha terrinha. Como na semana anterior estive com a estudantada de Lavras, as diferenças ficaram ainda mais nítidas. Não é demérito da turma de Lavras, não é isso. Mas é muito visível a diferença. Todos os participantes do evento de Bauru, do 3º e 4º anos, já trabalham. Na área! E muitos ainda têm fôlego para buscar projetos “por fora”, inclusive iniciativas de software livre. São mais dinâmicos e, de certa forma, mais “famintos” por novos conhecimentos e experiências. Precisa dizer que tal espírito se reflete na universidade e até na cidade? O interior de SP não é mais desenvolvido que o interior das Geraes por acaso, sorte ou força política. Triste (para os mineiros), mas este é outro assunto. Voltemos ao nosso.
Aquele improviso que rolou no evento de ontem é fruto de uma longa história. História de quase 1 ano. Um dos pontos principais de meu trabalho para a Formação de Analistas de Negócios é uma sugestão para a Estruturação de Requisitos. Dois participantes das primeiras edições do FAN, Jean Streleski de Bauru e Reinaldo Castro de São Carlos, gostaram da idéia e começaram a desenvolvê-la. Ontem fomos apresentados, platéia e eu, ao R/Open, uma versão “alpha” de uma aplicação que pega, remixa e estende minhas sugestões. Jean e Hailton, o desenvolvedor que transformou nossos requisitos na bonita ferramenta que aparece aí do lado, fizeram a apresentação. O R/Open (ou RequisiteOpen, nomes ‘temporários’?), foi todo desenvolvido com a dupla dinâmica PHP+MySQL. Usa Ajax e foi arquitetato, de nascença, para atender um nobre requisito: ter seu código aberto. Ou seja, a solução tem uma arquitetura robusta, que soube lidar muito bem com eventuais limitações do PHP. Nas palavras do Hailton, “é bem OO (Orientada a Objetos)”.
A ferramenta respeita integralmente aquele meu rabisco. Ou seja, parte dos Objetivos e Processos de Negócio. E organiza o escopo como um conjunto de casos de uso. E, antenadíssima, sugere a adoção de um processo de desenvolvimento que seja iterativo e incremental. Para tal Jean se baseou no OpenUP para traçar o método de desenvolvimento. Me arrisco a dizer que nenhuma outra ferramenta para desenvolvimento e gerenciamento de requisitos tem um enfoque tão rico, natural e prático. Não sei se a platéia notou, mas fiquei boquiaberto com aquilo que eles chamaram de “versão alpha”.
Claro, ainda há muito por fazer. Jean e outros voluntários de Bauru devem aproveitar as férias de julho para fechar uma versão “beta”, a primeira que deve ser disponibilizada para o público. Espero apoiá-los nesta etapa, inclusive na documentação da aplicação. Mas vou elaborar também uma sugestão de ‘roadmap’, uma coletânea de provocações: a primeira forçará um reencontro com a turma de São Carlos: será que conseguimos acoplar uma ferramenta CASE desenvolvida lá ao R/Open? Outra: vale a pena aproximar o R/Open do Eclipse? Caramba, são tantas possibilidades que só espero não ‘bagunçar o meio de campo’. Estamos todos cientes de que, tão logo seja publicada como software livre, a ferramenta ganhará vida própria. Que seja longa e resulte em produtividade e qualidade para todos os seus usuários.
Momento TKS!: Jean, Léo, Rafael, Hailton e toda aquela cambada que organizou e participou dos eventos merecem os parabéns. A UNESP e todos os seus professores (BSI e BCC) merecem os parabéns por abrir espaço e motivar uma turma tão especial.
Para encerrar, repetirei uma provocação que fiz para todos que vivem atolados em intermináveis congestionamentos: prestem atenção na riqueza que brota longe das capitais. Valorizem quem está gerando talento de verdade. Mas, por favor, valorizar não é plantar “fábricas de software caça-níqueis” em locais onde o salário é mais baixo, ok? Pensem grande. Da mesma forma como a estudantada da UNESP pensa. Inté!
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