Derek Cabrera – PAULO FERNANDO VASCONCELLOS NOGUEIRA https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br My WordPress Blog Fri, 29 Apr 2016 14:29:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 DSRP: 4 Regras Simples https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/29/dsrp-4-regras-simples/ https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/29/dsrp-4-regras-simples/#respond Fri, 29 Apr 2016 14:29:08 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5127 Apesar dos 60+ anos de estrada, o Pensamento Sistêmico ainda está muito distante da popularidade. Não é fácil se livrar da mentalidade e dos vícios acumulados em mais de cinco séculos. Depois de alguns voos de galinha¹, a área ganha novo impulso. Será que temos, pela primeira vez, uma linguagem realmente universal? O DSRP cumprirá sua promessa de tornar o Pensamento Sistêmico acessível para todo mundo? Literalmente? Vejamos.

Antes, porém…

Preciso cobrir um buraco que deixei, por querer, naquele pequeno glossário dos sistemas complexos. Saca só: a complexidade emerge da interação entre agentes autônomos que são guiados por regras simples. Complexo? Exemplos devem ajudar.

Insisto que você é um sistema complexo. Lá no fundo (!) você é resultado da combinação de apenas 4 moléculas orgânicas – ATCG – que formam o seu DNA. Sem ofensas. A Luana Piovani também é. Mas apelemos para outras ilustrações.

O jogo de xadrez tem apenas 6 tipos de peças. Elas têm regras simples de movimentação. Cada jogador conta com 16 delas. Mas só os primeiros dez movimentos têm 1,7 x 1029 possibilidades.

Com apenas 4 cores (ciano, magenta, amarelo e preto – CMYK) podemos gerar todas as outras. Partindo de 7 notas musicais Hendrix, Page, Lennon, McCartney, Chico e Beethoven compuseram maravilhas mil.

Enfim, lá no fundo da “alma” de qualquer sistema complexo há um conjunto de agentes interagindo segundo regras simples. Essa é a base da proposta de Derek Cabrera, criador do DSRP. Ou seja, existem regras simples orientando o Pensamento Sistêmico.

Pensamento Sistêmico = {Quatro Regras Simples}

Um dia elas foram expressas assim:Mas ficam mais acessíveis quando colocadas da seguinte maneira:

Distinção: qualquer coisa ou ideia pode ser distinta de outras coisas ou ideias.
Sistema: qualquer coisa ou ideia pode ser o todo ou uma parte de outra coisa ou ideia.
Relacionamento: qualquer coisa ou ideia pode se relacionar com outra coisa ou ideia.
Perspectiva: qualquer coisa ou ideia pode ser o ponto de vista ou aquilo que é visto.

Tudo o que é estudado foi delimitado antes. Traçamos fronteiras e determinamos o que está dentro e o que está fora; Definimos o que aquilo é e, consequentemente, o que aquilo não é. Nesse mundo de polos cada vez mais distantes (e pouco sistêmicos), o que é petralha não pode ser coxinha e vice-versa. Apesar do mal uso, distinções são inevitáveis.

Tudo pode ser quebrado em partes. Em todos os sistemas há uma hierarquia (apesar de algumas modas insistirem na possibilidade de eliminá-la). E tudo, qualquer sistema, é parte de um sistema maior. Não vou falar sobre seu esôfago de novo.

Para toda ação há uma reação. Existem diversos tipos de relacionamentos (causal, fidbeque, influência, correlação etc) e em todos há ação e reação. Eles existem dentro e entre qualquer sistema (coisa ou ideia).

Qualquer coisa ou ideia pode ser vista a partir de diversas perspectivas. Aliás, ela (coisa ou ideia) pode ser também uma perspectiva, um ponto de vista. Para alguns autores da velha guarda, como Churchman², o Pensamento Sistêmico “começa quando você enxerga o mundo pelos olhos de outra pessoa”.

Sim, podemos começar pelo P(onto de vista). Ou pelo D, S ou R. A ordem não importa. Mas o Pensamento Sistêmico só ocorre em sua plenitude quando as quatro regras são aplicadas.

Parece uma Coisa à Toa

A velha guarda enfatizava os sistemas. Cabrera propõe que o Pensamento tenha a mesma importância. Os avanços recentes da neurociência e das ciências cognitivas nos permitem melhor entendimento sobre o funcionamento de nossas cucas. Possibilitam até que discordemos de Churchman: o Pensamento Sistêmico começa quando refletimos sobre e revemos nossa maneira de pensar – quando hackeamos nosso cérebro. A gente voa quando começa a pensar³ (sobre o nosso pensar).Um artigo de 600+ palavras não pode ter a ambição de mostrar todo o potencial do DSRP e sua ferramenta de modelagem, o MetaMap. Na OPS! (Oficina de Pensamento Sistêmico) você mergulha e voa com eles. Inté!

Notas

  1. O mais notável voo de galinha aconteceu no início dos anos 1990, com a publicação do livro A Quinta Disciplina, de Peter Senge (Best Seller, 1992). Foram vendidas mais de um milhão de cópias no mundo todo. Senge, meio sem querer, nos levou a crer que o Pensamento Sistêmico se limitava à uma visão bem particular da Dinâmica de Sistemas. Posteriormente, ele pediu desculpas por ter abusado do termo (Systems Thinkers, pág. 121 – Springer, 2009). Pelo bem ou pelo mal, devemos a ele o voo mais promissor da disciplina até hoje.
  2. Citado no mesmo livro, Systems Thinkers.
  3. Trecho surrupiado de “Felicidade”, que não é de Caetano, Tom ou Vinícius (como aparece em diversos sites de letras e cifras). Quem disse que a gente “voa quando começa a pensar” foi o gaúcho Lupicínio Rodrigues.
  4. Citação tupiniquim, foto idem. Quatro é de autoria de Fernando Prado.
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O Pensamento Sistêmico https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/26/o-pensamento-sistemico/ https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2016/04/26/o-pensamento-sistemico/#respond Tue, 26 Apr 2016 18:13:02 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=5092 Alinhar nosso jeito de pensar com a forma como o mundo realmente funciona. Essa é a motivação pra gente aprender a Pensar Sistemicamente. Mas quem disse que nossos pensamentos não batem com a realidade? Por que eles estariam desalinhados? E o que pode haver de tão diferente nesse tal Pensamento Sistêmico?

Antigas Lentes Desfocadas

Quebre o problema em partes menores, gerenciáveis e mais fáceis de resolver.
Ache a causa desse (d)efeito. No caminho, aponte possíveis culpados.
Deixe o processo bem azeitado, funcionando como um relógio suíço.

Reducionismo, determinismo e mecanicismo – são os nomes dos três comandos acima, respectivamente. Representam uma forma de enxergar o mundo que vem de longe: da Renascença, de Descartes e Newton. São produto de uma época gloriosa, na qual o homem aumentou sua autonomia criando máquinas e mostrando a força do intelecto.

Essa Era das Máquinas, que nos tirou da lavoura arcaica para nos jogar em plantações de arranha-céus, prescreveu – está vencida. Mas ainda predomina. Vide os currículos escolares e as disciplinas que não se comunicam. Veja os processos de planejamento que seguem lógicas lineares e ignoram o acaso. Lembre-se de quantas vezes viu uma máquina sendo usada como metáfora para algum sistema sociocultural (negócio, escola, time de futebol). Nossos problemas gritam por um enfoque diferente, por outro modo de pensar.

Sempre que esse papo é colocado alguém acha que está sendo proposto o esquecimento de tudo o que aprendemos até agora. Triste engano. Fruto dessa forma de ver o mundo que privilegia o “ou” em detrimento do “e”. A adoção do Pensamento Sistêmico não requer o abandono da análise (da quebra do todo em partes). Pelo contrário. Seria tão ingênuo quanto sugerir a superioridade do lado direito do cérebro. Você precisa do cérebro inteiro!

Quatro Famílias

Existem quatro famílias de sistemas¹. Cada uma pede por um modelo pra chamar de seu:

Família Partes Todo Exemplo
Determinística Sem Propósito Sem Propósito Máquinas
Viva Sem Propósito Com Propósito Você
Social Com Propósito Com Propósito Negócio
Ecológica Com Propósito Sem Propósito Mundo

Sistemas determinísticos não têm vontade própria, missão ou propósito (ainda²). Eles têm funções. A batedeira, o carro e o sistema de gestão de relacionamentos são exemplos. Nenhuma de suas partes nem o todo têm propósito ou condições de fazer escolhas.

O todo de um sistema vivo tem propósito – nem que seja simplesmente sobreviver. Há quem exclua as pobres jacas e demais plantas dessa família. Eu não faria isso³. Por fim, preste atenção: suas partes (esôfago, fígado) não têm propósito. Você sim.

Quando você junta dois ou mais sistemas vivos obtém outro tipo de sistema, o social. É a única família em que tanto as partes quanto o todo têm propósito e fazem escolhas. Aqui a porca torce o rabo. Leia-se: a complexidade é inevitável. Os conflitos também.

Por fim, mas não menos importante, temos a natureza e nossa sofrida Terra. Nós temos propósitos e fazemos escolhas. Ela não. Mas sabe dar o troco.

Quando utilizamos o modelo de uma família (ex: determinística) para analisar e melhorar um sistema de outra (ex: social) começamos mal. Se e quando terminarmos, o resultado será sofrível – repleto de novos problemas a resolver. Quantas vezes vimos esse filme?

Uma Linguagem

Se tudo é sistema, deve existir uma linguagem universal, não? Mesmo que tenhamos modelos específicos para cada família, deve existir um denominador comum – um metamodelo (o modelo dos modelos). A busca por ele vem desde a Grécia antiga e ganha impulso decisivo nos anos 1950. É quando começam a brotar as ciências de Sistemas, Cibernética, Teoria Geral dos Sistemas, Dinâmica de Sistemas, Teoria da Complexidade etc.

Esse universo de escolas e propostas é rico, diverso, promissor e… ainda confuso. Dá um desconto. As certezas da física e química são seculares. Tratamos aqui de uma ciência ainda em sua infância. E isso deveria nos estimular.

A última proposta de metamodelo é muito nova. O DSRP (Distinções Sistemas Relacionamentos Perspectivas) foi apresentado no ano passado, no livro Systems Thinking Made Simple, de Derek e Laura Cabrera (Odyssean Press, 2015). É uma proposta inclusiva (“e” ao invés de “ou”) e com boas chances de pagar a promessa feita no título: tornar o Pensamento Sistêmico simples. O DSRP é a espinha dorsal da OPS! (Oficina de Pensamento Sistêmico). Mais sobre ele no próximo artigo. Inté!

Notas

  1. Adaptado de Ackoff – Ackoff’s Best
    Russell L. Ackoff (Wiley, 1999).
  2. O temor de muita gente é que estejamos próximos de dotar alguns sistemas de propósito e da capacidade de fazer escolhas. A isso chamam Inteligência Artificial. Uma nova família de sistemas nasceria. Deveria vir com um botão de pânico. E não deveria ser tão bela e sedutora como a protagonista de Ex_Machina.
  3. O próprio Ackoff, no livro acima, não classifica a jaca e outros vegetais como um sistema vivo (animado). Discordo. Se não tivessem propósito (sobreviver), as plantas não teriam chegado até aqui; Se não fizessem escolhas, não teriam evoluído.
  4. Thinking é o título da foto.
    Postcards from Inside a compartilhou no flickr.
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