Brasil – finito https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br o que precisa ser feito? Wed, 10 Jan 2018 18:05:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/wp-content/uploads/2021/01/head_512x512-150x150.png Brasil – finito https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br 32 32 Conquistando o Mundo https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/10/conquistando-o-mundo/ https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/10/conquistando-o-mundo/#respond Wed, 10 Jan 2018 18:05:30 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6810 No início eram as trevas do código de máquina. Nos rebelamos e criamos interpretadores e compiladores. Insatisfeitos com a ditadura dos editores genéricos, demos à luz as nossas IDEs. Brincamos com bibliotecas de componentes nunca reutilizados só porque pareciam uma boa distração.Mas havia algo de insano em nosso reino. Éramos comandados por gente que não entendia nossas línguas. Pior: eram pessoas que tinham muita dificuldade em perceber valor em nossos patterns, frameworks e afins. E que, apesar disso, achava que podia impor checkpoints, deadlines e um método de trabalho. Insano…

Criamos nossos métodos e desinventamos os gerentes. Gente criativa precisa de E S P A Ç O, sabe? Você acha que Bach, Kubrick e Malmsteen tinham restrições de prazo, orçamento e escopo?

Ficamos fortes. Afinal, software roda o mundo. Nada mais justo que seja assim.

Então nos deparamos com outra barreira. Mais perniciosa que os gerentes. Mais sufocante que a mamãe. Mais desmotivadora do que papo de gente do RH. Tínhamos mesmo que trabalhar para o negócio dos outros? Essa gente não tem visão. Aliás, não tem nem mesmo um Canvas que explique aquela bagunça toda. Representam um sistema complexo e não sabem nada sobre complexidade. Nunca tinham ouvido falar no Cynefin! Enfim…

Criamos nossos próprios negócios. Startups finíssimas, focadas no crescimento e na experiência dos clientes e no bem estar dos colaboradores e no rendimento dos acionistas e… Ágeis como prego no angu, com CEOs que não tropeçam no javascript, não se intrometem nos devops e sabem configurar hadoops. O paraíso na terra, bem representado em nossos escritórios descolados.

No paraíso surgiu uma cobra balbuciando ‘dinheiro’. Estamos condenados a nos deparar com gente que só traz restrições? Inventamos nosso próprio dinheiro! Toli-toli-tolá, a cobla ficou lá¹… Ou, para os pós-modernos: #chupacobra!

Agora surge essa gente inútil – políticos – falando em regulamentação. Eles não perdem por esperar…As dicas do artigo anterior – Lendo o Amanhã – precisavam de um contraponto. Aqueles três livros, de uma maneira ou de outra, pintam um futuro muito bonito. Existem riscos. E eles não podem ser ignorados.A pequena crônica acima foi inspirada por The Know-it-Alls: The Rise of Silicon Valley as a Political Powerhouse and Social Wrecking Ball (The New Press, nov/2017), de Noam Cohen. O autor descreve os riscos da perigosa combinação “da arrogância dos hackers com a ganância de empreendedores”. Não é nada condescendente com gente como Zuckerberg, Peter Thiel, Jeff Bezos, a dupla do Google e Marc Andreessen, dentre outros. World Without Mind: The Existential Threat of Big Tech (Penguin, set/2017), de Franklin Foer, aponta especificamente para Amazon, Apple, Facebook e Google. E mostra como esses gigantes podem fazer muito mal. Aliás, já estão fazendo. Enquanto a Europa parece atenta e gulosa nas multas aplicadas, do lado de cá do Atlântico essas empresas nadam de braçada. E começam a participar do jogo político de todas as formas imagináveis. E além!Um olhar de dentro, um pouco mais divertido mas não menos preocupante é oferecido por Antonio García Martínez em Chaos Monkeys: Obscene Fortune and Random Failure in Silicon Valley (Harper, jun/2016). Martínez trabalhou no Facebook e Twitter e descreve suas aventuras na região de San Francisco entre 2010 e 2014. Conta tudo e só não revela os nomes dos “verdadeiramente culpados”. Para protegê-los.Pindorama não oferece ameaças. Não por falta de arrogância e ganância. Talvez seja só por carência de ideias mesmo. Mas a gente merecia: 1) receber os títulos acima em pt-br, não apenas aqueles que pintam horizontes cor de rosa; e 2) um livro sobre o lado negro da pseudo-força da TI nacional. Recife, Rio, Floripa, Blumenau, Fortaleza, Campinas, Itajubá, Sta. Rita, SJC, Sampa… todos pólos cheios de boas histórias. Basta de press-releases na imprensa chapa branca orientada ao jabá. A gente também aprende com o caos. E ainda pretende conquistar o mundo. Ou, se tudo der certo, aquele cantinho em Angra.

Notas

  1. Para quem não faz a mínima ideia do que estou falando: conheça a Cobrinha Azul.
  2. html php java source code, a foto no topo, foi compartilhada no flickr por Markus Spiske.
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Conquistando o Mundo https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/10/conquistando-o-mundo-2/ https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2018/01/10/conquistando-o-mundo-2/#respond Wed, 10 Jan 2018 18:05:30 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6810 No início eram as trevas do código de máquina. Nos rebelamos e criamos interpretadores e compiladores. Insatisfeitos com a ditadura dos editores genéricos, demos à luz as nossas IDEs. Brincamos com bibliotecas de componentes nunca reutilizados só porque pareciam uma boa distração.Mas havia algo de insano em nosso reino. Éramos comandados por gente que não entendia nossas línguas. Pior: eram pessoas que tinham muita dificuldade em perceber valor em nossos patterns, frameworks e afins. E que, apesar disso, achava que podia impor checkpoints, deadlines e um método de trabalho. Insano…

Criamos nossos métodos e desinventamos os gerentes. Gente criativa precisa de E S P A Ç O, sabe? Você acha que Bach, Kubrick e Malmsteen tinham restrições de prazo, orçamento e escopo?

Ficamos fortes. Afinal, software roda o mundo. Nada mais justo que seja assim.

Então nos deparamos com outra barreira. Mais perniciosa que os gerentes. Mais sufocante que a mamãe. Mais desmotivadora do que papo de gente do RH. Tínhamos mesmo que trabalhar para o negócio dos outros? Essa gente não tem visão. Aliás, não tem nem mesmo um Canvas que explique aquela bagunça toda. Representam um sistema complexo e não sabem nada sobre complexidade. Nunca tinham ouvido falar no Cynefin! Enfim…

Criamos nossos próprios negócios. Startups finíssimas, focadas no crescimento e na experiência dos clientes e no bem estar dos colaboradores e no rendimento dos acionistas e… Ágeis como prego no angu, com CEOs que não tropeçam no javascript, não se intrometem nos devops e sabem configurar hadoops. O paraíso na terra, bem representado em nossos escritórios descolados.

No paraíso surgiu uma cobra balbuciando ‘dinheiro’. Estamos condenados a nos deparar com gente que só traz restrições? Inventamos nosso próprio dinheiro! Toli-toli-tolá, a cobla ficou lá¹… Ou, para os pós-modernos: #chupacobra!

Agora surge essa gente inútil – políticos – falando em regulamentação. Eles não perdem por esperar…As dicas do artigo anterior – Lendo o Amanhã – precisavam de um contraponto. Aqueles três livros, de uma maneira ou de outra, pintam um futuro muito bonito. Existem riscos. E eles não podem ser ignorados.A pequena crônica acima foi inspirada por The Know-it-Alls: The Rise of Silicon Valley as a Political Powerhouse and Social Wrecking Ball (The New Press, nov/2017), de Noam Cohen. O autor descreve os riscos da perigosa combinação “da arrogância dos hackers com a ganância de empreendedores”. Não é nada condescendente com gente como Zuckerberg, Peter Thiel, Jeff Bezos, a dupla do Google e Marc Andreessen, dentre outros. World Without Mind: The Existential Threat of Big Tech (Penguin, set/2017), de Franklin Foer, aponta especificamente para Amazon, Apple, Facebook e Google. E mostra como esses gigantes podem fazer muito mal. Aliás, já estão fazendo. Enquanto a Europa parece atenta e gulosa nas multas aplicadas, do lado de cá do Atlântico essas empresas nadam de braçada. E começam a participar do jogo político de todas as formas imagináveis. E além!Um olhar de dentro, um pouco mais divertido mas não menos preocupante é oferecido por Antonio García Martínez em Chaos Monkeys: Obscene Fortune and Random Failure in Silicon Valley (Harper, jun/2016). Martínez trabalhou no Facebook e Twitter e descreve suas aventuras na região de San Francisco entre 2010 e 2014. Conta tudo e só não revela os nomes dos “verdadeiramente culpados”. Para protegê-los.Pindorama não oferece ameaças. Não por falta de arrogância e ganância. Talvez seja só por carência de ideias mesmo. Mas a gente merecia: 1) receber os títulos acima em pt-br, não apenas aqueles que pintam horizontes cor de rosa; e 2) um livro sobre o lado negro da pseudo-força da TI nacional. Recife, Rio, Floripa, Blumenau, Fortaleza, Campinas, Itajubá, Sta. Rita, SJC, Sampa… todos pólos cheios de boas histórias. Basta de press-releases na imprensa chapa branca orientada ao jabá. A gente também aprende com o caos. E ainda pretende conquistar o mundo. Ou, se tudo der certo, aquele cantinho em Angra.

Notas

  1. Para quem não faz a mínima ideia do que estou falando: conheça a Cobrinha Azul.
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Uma Carreira Viável https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/11/uma-carreira-viavel/ https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/08/11/uma-carreira-viavel/#comments Fri, 11 Aug 2017 12:36:41 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6463 Dentre as várias coisas tristes que nos rodeiam, uma é frequente e bastante incômoda. São aqueles pedidos de socorro que surgem nas redes sociais, particularmente no LinkedIn. Saltam aos olhos por atrapalhar o tráfego de conquistas e anúncios, pelo número de compartilhamentos e, principalmente, pelo desespero confessado sem rodeios. Em sua maioria, são mensagens de mães e pais de família. Gente que há meses garimpa oportunidades. Elas causam um choque diferente daquele que sentimos nas ruas. Paradoxalmente, ele parece mais próximo. Porque, de certa maneira, nossos contatos nos espelham.No curto prazo, não há muito o que fazer. Compartilhar o apelo; indicar para amigos; ajudar a revisar o currículo; oferecer vagas em treinamentos. Além, claro, da palavra amiga, um incentivo e algum conforto. A situação pede urgência e não há tempo e muito menos ânimo para conversas chatas do tipo “sua carreira é viável”? Remediado o caso, ainda que com um frila-band-aid, podemos puxar o assunto. E é inevitável o começo pelas más notícias.

A médio e longo prazos, várias profissões deixarão de existir ou serão totalmente redesenhadas. Em que pé anda a sua? Fazendo a análise proposta neste artigo, quantas tarefas sobrevivem aos movimentos de padronização, automação e externalização?

Além disso, considere o seguinte: as empresas estão aprendendo a se virar sem aquele pessoal que foi demitido. Nossa economia vai se recuperar uma hora¹. Quando acontecer, é pouco provável que todas aquelas vagas sejam reabertas. Apenas um salto absurdo e quase instantâneo do PIB justificaria contratações em massa. Isso não vai acontecer, seja qual for o salvador da pátria escolhido no ano que vem. A recuperação será lenta. E é preciso aceitar que alguns postos de trabalho se foram para sempre. Quem está escrevendo isso é tido como um otimista incurável. Que a sequência do artigo comprove isso.

Redesenhando a Carreira

Nossa evolução, até aqui, significou um emaranhado de silos e caixinhas. Se você quer se especializar em alguma coisa, tem à sua disposição um cardápio com mais de oitenta mil disciplinas. As organizações – sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor – oferecem milhares de funções diferentes. A princípio, não há nada de mal nem de errado nisso. Se você precisar de uma cirurgia no cérebro, é lógico que não vai se contentar com um clínico geral. Especialistas, em qualquer área, continuarão necessários.

Mas a especialização não basta. Ela não é suficiente para garantir uma carreira viável. Você já viu esse papo antes, sobre a tal carreira em T. O traço vertical indica uma especialização. Na horizontal, seus “conhecimentos gerais ou genéricos”. É fácil chegar até essa sugestão. Mas precisamos ir além da página três. Afinal, o que significa a horizontal? Que você é culto, eclético e está em dia com as notícias? A visão holística² de um negócio? Que garantia isso dá para um profissional? Onde se aprende isso? Basta ser curioso, atento e antenado?

O Complexo do Eco³

“Quanto mais coisas uma pessoa sabe, menos coisas deram certo para ela.”

Umberto Eco nos deixou essa provocação em seu último livro publicado em vida, Número Zero (Record, 2015). Conclusão curiosa de um bem sucedido sabedor de muitas coisas. Nos serve como alerta: amplitude de conhecimentos e experiências não se constrói com uma metralhadora giratória. Não é uma questão de agregar hobbies e interesses diversos ao currículo. Não basta prestar serviços comunitários ou conseguir uma cadeira em um conselho de administração. Mas eu não estou sugerindo que você seja um porco-espinho³.

Quanto tempo você tem de estrada?

Se já rodou bastante, saiba, você pode ter algumas vantagens. Aliás, várias. Qual é o seu portfólio de habilidades? Quais e quantas você conseguiria transferir para outro contexto – para uma área que não seja a sua? Quantas vezes você experimentou isso? Entenda: é explorando que você desenha e amplia o traço horizontal do T. Tem uma vida dedicada à iniciativa privada? Quais conhecimentos e habilidades seriam úteis na administração pública ou em uma ONG? Passou uma vida inteira no varejo? O que você pode agregar para a indústria ou para uma empresa de serviços? Está enferrujado na contabilidade? Que tal uma transferência para TI? O que você pode levar para lá?

Você não é o sênior que de repente virou estagiário porque mudou de área ou função. Se os seus conhecimentos, habilidades e ferramentas não fizerem nenhum sentido naquele novo contexto, então você não está desenhando um T. Está colocando uma trema no Ï. Pode ser divertido. Se é isso o que você procura, tudo bem. Mas não se esqueça que a ligação de pontos muito esparsos pode não ser trivial nem factível.

Então é isso, uma questão de levar uma mochila repleta de habilidades para outras áreas? Claro que não. Esse é o ponto de partida, não o de chegada. Quem faz esse movimento deve estar preparado para aprender muito. E rápido. Fazer com que essa aprendizagem signifique a ampliação dos dois traços do T é o desafio.

E a turma nova? O que significa uma carreira em T para quem está começando agora? A possibilidade de expandir as duas linhas de forma quase simultânea. Entretanto, há duas grandes barreiras no caminho: a escola e a empresa. A escola força uma escolha muito cedo e te joga num silo quase sempre hermético. As empresas contratam e continuarão contratando especialistas. Ou seja, se você deseja ter formação e carreira mais amplas – um T ao invés do I –  não conte com muito apoio. A iniciativa deve ser sua. E o plano também.

Conversaremos sobre isso no próximo artigo. Inté!

Notas

  1. Infelizmente, pelo andar da carruagem, não é sensato apostar em ganhos significativos até 2020. Quem comemora a criação de trinta ou quarenta mil vagas em um mês parece se esquecer do universo com 14 milhões de desempregados. Alguém aí comemorou o nosso gol no fatídico 7×1?
  2. O termo “holístico” dá margem (!) para muitas interpretações. Ao falar de uma visão “do todo”, o universo é o limite para muita gente. Saber delimitar ou identificar fronteiras é uma característica chave do Pensamento Sistêmico. E um antídoto contra papos viajandões.
  3. Interpretação minha, ok? Eco não batizou nem qualificou aquela conclusão. Utilizo “complexo” no sentido psicológico – “sou complexado”. Este artigo de Victor Lisboa, no Papo de Homem, sobre o porco-espinho e a raposa, estica bem o assunto.
  4. T, de crodriguesc, ilustra este artigo.
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Educação Corporativa: O Mercado Brasileiro https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/03/07/educacao-corporativa-o-mercado-brasileiro/ https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2017/03/07/educacao-corporativa-o-mercado-brasileiro/#respond Tue, 07 Mar 2017 19:27:03 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=6223 De tempos em tempos, Pindorama cai numa pindaíba danada. O mercado de educação corporativa é o primeiro a perceber. Apesar de ser um dos últimos a aproveitar as ondas de crescimento. Mesmo assim, os números brasileiros não são nada desprezíveis. Muito menos o seu potencial. E a próxima onda já começa a se formar. Preparado para surfá-la?Uma pesquisa da ABTD¹ aponta que, em média, as empresas brasileiras investem 0,46% de seu faturamento bruto em treinamento. As pequenas empresas são mais generosas, alocando quase 1%. Já as grandes comprometem apenas 0,13%. Nos EUA, a média é de 1,49%, o triplo do número tupiniquim. Falemos em reais.As mil maiores empresas brasileiras, segundo a lista Melhores & Maiores da EXAME, faturaram em 2015 um total aproximado de R$ 2,5 trilhões². Considerando apenas aquele percentual mirradinho do investimento das grandes empresas – 0,13% – temos aqui um mercado de R$ 3,25 bi. Ainda segundo a ABTD, 47% dessa grana vai para os bolsos de terceiros. Repare: estou citando apenas as mil maiores empresas e um rateio bastante modesto. Acho que não exagero quando estimo que o mercado gire algo entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões por ano. Tivéssemos aqui o número dos EUA (1,5%), estaríamos falando de R$37,5 bilhões!

Para onde vai esse número se acrescentarmos as pessoas físicas e toda a variedade de treinamentos que elas contratam? Sinceramente, não tenho nem ideia. Só sei que tem um tamanho nada desprezível. E um potencial imenso.

Tirando o Atraso

Numa era em que a complexidade e as incertezas só fazem crescer, uma boa aposta é a aprendizagem. Vale para os negócios. Vale ainda mais para os profissionais. Muitas empresas tupiniquins têm uma postura mesquinha – contabilizam o desenvolvimento como despesa. Ainda se agarram a regulações e barreiras, brigam por preços mínimos e investem fortunas em lobistas e políticos. Deveriam perceber que estão enxugando gelo e apostando no time errado.

Muitos profissionais estão sentindo na pele a cara contrapartida de um período de sossego. Só treinavam quando a empresa pagava. Só se interessaram pelo o que a empresa demandava. O emprego se foi e a dificuldade para tirar o atraso é diretamente proporcional ao tempo de casa.

Potencial

Agora, o caminho feliz em potencial. Muitas empresas já perceberam que 22 horas de treinamento por ano é quase nada. Essa foi a nossa média em 2015. Novas modalidades de treinamentos e um pouco de bom senso (ou boa vontade) podem quadruplicar esse número. Nossa média de investimentos por colaborador é de apenas R$ 624/ano. Nos EUA, R$ 3.980/ano – em um mercado que ainda sente reflexos da pindaíba instaurada em 2008.

Os profissionais, mesmo que por medo, estão aprendendo que não podem entregar suas carreiras nas mãos de uma empresa. Por benévola que ela seja. São esses profissionais que participam de treinamentos em finais de semana, buscam por comunidades, projetos e ferramentas que os mantenham antenados.

Oportunidade

Houve um tempo em que tamanho era documento. Isso ainda vale para alguns ramos, mas são cada vez menos. No mercado de educação corporativa e de treinamentos, definitivamente, o tamanho não diz nada. E uso o meu próprio caso para ilustrar. Sou uma empresa de um homem só estabelecido em Varginha, Sul de Minas Gerais. Isso não me impediu de atender gigantes como Alelo, Bradesco, BrasilPrev, Embraer, Finep, Friboi, Net e Oi, dentre outras. Algum segredo? Nenhum. Você precisa de conteúdo, conversas,  alguns poucos e bons parceiros e preparação. Gostou desse artigo e quer receber mais informações? Deixe seu comentário, assine a newsletter ou curta a página da OPA! no Facebook.

Notas

  1. Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento. Os números foram apresentados n’O Panorama do Treinamento no Brasil (2016).
  2. Isso é quase metade de nosso PIB, que foi de R$ 5,9 trilhões em 2015. Mil empresas representam quase metade da riqueza que criamos? Queria ter um pouco mais de tempo para destrinchar isso. Ou um colega que aponte estudos que comprovem ou desmintam os números citados.
  3. Leandro Mendonça, goodfella, colaborou neste artigo.
  4. 46:365 – Spectrum é o título da imagem de hoje. Foi compartilhada por Phil Wood no flickr.
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O País do Jeitinho não Inova https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2012/07/06/o-pais-do-jeitinho-nao-inova/ https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2012/07/06/o-pais-do-jeitinho-nao-inova/#comments Fri, 06 Jul 2012 19:27:03 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=2675 Lá nos primórdios do Twitter eu escrevi: Chega com esse papo de povo criativo. Somos uma nação de MacGyvers que inventa gambiarras para sobreviver. Criatividade é outra coisa. De lá pra cá, um ou outro exemplo tentou contradizer meu tuíte. Mas foram poucos, raros e ralos. Na última quarta a Folha quase escondeu a notícia que mostra como Pindorama perdeu 32 posições no ranking que mede eficiência em inovação. O Brasil agora é o 39º colocado. China e Índia lideram a lista. Na nossa frente: Paraguai (6º), Estônia (8º) e Sri Lanka (10º), só para citar alguns exemplos. No índice geral, entre 141 países, ocupamos agora o 58º lugar. Perdemos no jeitinho, perdemos no futebol¹. O que deve preocupar é que podemos estar perdendo o futuro.

O estudo resumido pela Folha, o Global Innovation Index, é elaborado anualmente pelo Insead (instituto europeu de ensino) e pela WIPO (Organização Mundial de Propriedade Intelectual). O índice leva em conta sete critérios:

  • Instituição: Ambientes político, regulatório e de negócios;
  • Capital humano e pesquisa: Nível da educação, ensino superior e pesquisa e desenvolvimento;
  • Infraestrutura: Tecnologias da informação e de comunicações, infraestrutura geral e sustentabilidade ecológica;
  • Sofisticação de mercado: Crédito, investimento, transações e competição;
  • Sofisticação dos negócios: Trabalhadores do conhecimento, conexões inovadoras e absorção de conhecimento;
  • Conhecimento e tecnologia: Criação, impacto e difusão de conhecimento; e
  • Criatividade: Intangíveis (marcas e modelos de negócio), bens e serviços e criatividade on-line.

Nossa mídia endireitada e viciada, se preocupada com o tema, apontaria o dedão para o governo. A Folha, por exemplo, ao exibir o critério Infraestrutura cita “custo de energia”. Não é isso que é medido no estudo e sim a geração e consumo de energia per capita. No mesmo critério ela ignora o subitem “sustentabilidade ecológica”. Por essas e outras ela nem se preocupou em divulgar o link para acesso (gratuito) ao estudo: globalinnovationindex.org

É claro que o governo tem uma parcela de responsabilidade quando o assunto é inovação. Mas, a menos que estejamos em um lugar estranho como a Coréia do Norte, inovação é coisa da iniciativa privada. São as empresas as principais fontes de inovação. Simplesmente porque são ou deveriam ser as maiores interessadas. Não por acaso, os quatro últimos critérios da lista acima apontam exclusivamente para o mercado e os negócios.

Inovação está no discurso de todo mundo, até de empreendimentos de fundo de quintal. É chique – está na moda falar sobre inovação. Mas olha que coisa curiosa eu descobri no Google Trends. Pensei em um bom contraponto para Inovação (linha azul no gráfico ao lado). Tentei estabilidade. Para minha surpresa, ela é tão ou mais relevante que inovação nas buscas e notícias indexadas pelo Google. Veja a pesquisa original e repare, por exemplo, nas diferenças entre minha conservadora Minas Gerais e o inovador Rio Grande do Sul. Ou compare Caxias do Sul com Manaus. Dá o que pensar.

Berço

É lugar comum apontar para nosso sistema de ensino e dizer, está ali a origem de nossos problemas (independente de quais sejam). Isso é fácil. Como é fácil sugerir soluções simplistas do tipo “queremos uma lei que obrigue os governos a investir 10% do PIB na educação”. Se o problema fosse (só) a falta de grana, ficaríamos bonitos no pedaço em curtíssimo prazo. O buraco, incomensurável, é mais embaixo.

Vimos nos últimos dias alguns estudantes revoltados com a greve nas Universidades federais. Oito em cada dez entrevistados estavam preocupados com a liberação dos documentos necessários para efetivação em cargos que eles conseguiram em concursos públicos. Não é curioso que grande parcela da mesma classe que reclama do estado glutão planeje para si e seus filhos uma vida estável em trincheiras do governo? Não discuto vocações. Mas também não engulo contradições e hipocrisia.

Uma frase pinçada do ótimo A Rede Social, de David Fincher, ilustra bem o outro extremo, uma possibilidade raramente ensinada e motivada em terras tupiniquins: “Estudantes de Harvard acreditam que inventar um trabalho é melhor que encontrar um trabalho“. Não vejo uma única instituição brasileira gerando esse tipo de efeito colateral. Se pouco e mal semeamos, não são as secas e chuvas as culpadas por colheitas tão ruins.

Contatos recentes com Universidades daqui de minha terra me deram exemplos da cultura da estabilidade. Unidades de TI, inclusive uma encubadora de negócios, envolvidas com a obtenção de certificados MPS.br. Nada mais anti-inovação – nada pode ser mais quadrado. Inovação pede, entre outras coisas, instabilidade, diversidade e inconformismo. Infelizmente, não parece ser o que nossas escolas estão fomentando. Apesar de 48% dos estudantes, segundo pesquisa da Endeavor publicada no início deste ano, pensarem em ser empreendedores.

Creche

Quantas vezes ouvimos empresários ou seus representantes reclamando da falta de mão de obra qualificada no Brasil? Quantos desses chorões investem seriamente em capacitação? E quanto eles investem? Respectivamente: n vezes; 52%²; nem Google sabe.

Empresas sinceramente preocupadas com seu futuro não devem aguardar por mudanças no sistema de ensino. Porque, se elas acontecerem, terão reflexo apenas em médio ou longo prazos. Existe o atalho da importação de mão de obra especializada. Mas é ingênuo quem acredita que possa importar 800k, 200k ou mesmo 100k³ trabalhadores do conhecimento. Vão esperar cair do céu?

O Global Innovation Index mostra outro número que deveria nos (des)orientar. Entre todos os nossos empregos, apenas 19,3% correspondem a “vagas que exigem conhecimento intensivo” (menos da metade da média européia). Isso nos coloca na 72ª posição do ranking global. Temos tão pouco “trabalho do conhecimento” e ainda assim não somos capazes de formar o pessoal necessário? É Ultraje, continuamos inútil!

Apenas 40% dos nossos esforços em Pesquisa & Desenvolvimento são tocados pela iniciativa privada. Ela financia quase 44% dessas iniciativas torrando uma esmola de aproximadamente R$ 22 bilhões. Sim, esmola. As 500 maiores empresas tupiniquins, segundo a Exame Melhores e Maiores de 2011, faturaram R$ 2,6 trilhões em 2010. Zero vírgula oitenta e cinco porcento de qualquer coisa é esmola.  E o que aconteceria se tirássemos da conta Petrobras e Embraer?

Futuro

A única conclusão possível é que o país do futuro não se preocupa com o próprio futuro. No berço – nas escolas – não é ensinado a inovar e empreender. Na creche – nas empresas – não é motivado a criar. Adulto imaturo, vive de trocar o finito patrimônio por serviços, royalties e bugigangas de qualidade questionável. Insustentável sob qualquer ponto de vista.

Futuro – Final Alternativo

Sistemas, nações, organizações, governos, mercados e empresas são abstrações que, entre outras coisas, não têm peso na consciência nem sabem o que é remorso, arrependimento. O quanto você, eu e a Dona Carochinha estamos inovando? Quanto estamos investindo em aprendizagem, pesquisa e desenvolvimento? Como recebemos e incentivamos novas ideias?

 

Notas

  1. Claro que não me referi ao vitorioso Timão. Em outro ranking – o da FIFA, que mereceu mais destaque na mídia que o da inovação, a seleção canarinho aparece em 11º lugar! Há tempos não somos o país do futebol. E a mentira do jeitinho brasileiro cai pelas tabelas. Ainda bem que ainda somos os maiores vendedores de cerveja do mundo, né? De cerveja, chinelinhos e de um ou outro avião (em sentidos literal e figurado). Não por acaso figuramos no antepenúltimo lugar no critério “Exportação de Bens e Serviços”.
  2. Segundo o mesmo Global Innovation Index.
  3. Estes foram os números que, de pouco mais de um ano para cá, empresários gritaram e a mídia ecoou sem verificar (para variar). Tratariam exclusivamente do tamanho do rombo (vagas abertas e não preenchidas) no mercado TIC. Quando falaram em 800 mil vagas eu chorei: o país do samba passará a ser conhecido como a nação do telemarketing sem noção.
  4. Não me esqueci da provocação que deixei no artigo anterior. As respostas ainda aparecerão nesta pequena série mal acoplada.
  5. A foto do fantástico MacGyver Bar – que não fica em Pindorama nem vende cervejas da Ambev – foi tirada por Galdo Trouchky e disponibilizada via Flickr.

 

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Marco Regulatório da Silva https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2012/05/04/marco-regulatorio-da-silva/ https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2012/05/04/marco-regulatorio-da-silva/#comments Fri, 04 May 2012 19:30:07 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=2536 Brasileiros gostam de ser guiados. Encontram segurança quando olham para cima em uma organização hierárquica e encontram autoridades. Acham conforto quando ouvem, lá de cima, um grande conjunto de leis e regras. Conforto não significa obediência, o que invariavelmente resulta em novas leis e novas regras. Esta é uma leitura possível deste estudo de Geert Hofstede, que me foi apresentado por Shane Hastie no final do ano passado. Dá o que pensar, não? O nosso incomensurável e complexo sistema legal seria produto de uma cultura – do gosto por ser regulado.

Estamos bem servidos e já não estranhamos o fato dos poderes executivo e judiciário também legislarem. Afrouxamos regras para a criação de regras – através de medidas provisórias, por exemplo. Só a legislação tributária recebe em média sete novas inserções diárias em seus incontáveis alvos e sabores. E pensar que um dia já tivemos um tal Ministério da Desburocratização. Não espanta que ele tenha durado tão pouco. É causa perdida e de pouco apelo popular. É?

É triste a vida de um povo que depende de leis e respectivas penalidades para saber, por exemplo, onde não é permitido fumar e que não pode dirigir se tiver entornado umas biritas. E parece paradoxal que o desenvolvimento econômico e social da última década não tenha gerado uma redução no número de leis e regras. Pelo contrário, ele aumentou. Até que ponto um sistema tão regulado e restritivo se sustenta?

A metáfora que cabe aqui é a do sabonete molhado. Esprema-o. Em determinado momento ele saltará de suas mãos. Faltou drama? Troque o sabonete por um passarinho.

Nossa legislação tributária, burra em sua essência, já escapuliu das mãos faz tempo. Mas não caio na armadilha do volume da carga e nem pretendo discuti-lo aqui. É sua complexidade que não se justifica. Basta olhar todo o aparato necessário para calcular impostos para perceber que há algo de muito podre no país das maravilhas. Se parte dessa complexidade foi pensada para pegar gatos e gatunos, é hora de entender que a mesma complexidade abre buracos na rede por onde passam vazam cachoeiras.

Mas será o nosso gosto inato por leis e regras desculpa para deixar tudo como está?

Os Outros Três Dedos

É tão fácil apontar para o governo, não é mesmo? Está aqui outro traço da cultura tupiniquim, um que passou desapercebido pelo estudo de Geert Hofstede: o costume de se livrar de responsabilidades, de sempre achar que a culpa é de outro. A autocrítica sincera, definitivamente, não figura entre nossas qualidades. Vivemos ignorando um velho ditado chinês: quando você apontar para alguém, veja para onde apontam os outros três dedos.

A parte endireitada de nossa grande prensa vive dando generoso espaço para empresários e seus representantes repetirem, ad nauseam, o mesmo chororô: a) a carga tributária é altíssima; b) a regulamentação é exagerada e complexa; em outras palavras: é difícil fazer negócios no Brasil. Acho que ninguém em sã consciência negaria a verdade dessas reclamações. Elas são corretas. Serão justas?

Não da boca de quem, alegando corte de custos, terceiriza alguns de seus processos primários (atendimento a clientes, por exemplo) contratando empresas que alocam seus teleatendentes em uma das cidades mais caras da América Latina. Tão absurda quanto uma alíquota de 50% de algum imposto qualquer é a contratação de serviços de telemarketing localizados na avenida Paulista. Um contrassenso que só não choca porque não é noticiado. Nem vou entrar na discussão sobre taxas administrativas (de serviços financeiros) e o tal spread bancário. São as regras e a consequente complexidade gerada por elas o assunto aqui.

Toda empresa, em qualquer lugar do globo, está sujeita ao Marco Regulatório imposto por governos e agências reguladoras. Não acredito que chegará o dia em que os negócios confessarão estarem plenamente satisfeitos com o conjunto de regras ao qual está submetido. Sempre existirão aqueles que reclamarão do excesso de regulação ou, na outra ponta, da perigosa porosidade das fronteiras de seu ramo de atividades. Mas para onde apontam os outros três dedos dos reclamantes?

O quão fácil é fazer negócios com a sua empresa? Está aqui um teste que pode envergonhar muita gente. Pense, por exemplo, no setor de serviços. Lembre-se da última vez que contratou uma apólice de seguros ou um serviço de telecomunicações. Ou então pense, agora como colaborador, no conjunto de regras que sua empregadora impõe. Será que a burocracia criada pelos nossos próprios negócios é assim tão diferente daquela que vem das esferas governamentais? É triste reconhecer que, em muitos casos, é cara de um e focinho de outro. Frutos de uma mesma cultura.

Acho que as empresas serão mais eficazes em suas reclamações quando servirem de exemplo. Até lá, seu interminável chororô não passará de pura hipocrisia.

Desobediência Civil

Já reparou no que fazem algumas classes quando querem chamar a atenção sem fazer uso de greves? Elas adotam a Operação Padrão, também conhecida como Operação Tartaruga. E o que ela significa? Que todas as regras serão cumpridas, sem exceção. Não é curioso que o modus operandi tradicional signifique a mais descarada vista grossa para o procedimento formal?

E o que dizer das metodologias, que são abandonadas tão logo surja um primeiro desvio não previsto? E daqueles procedimentos ISO-like que só são seguidos em tempos de homologação?

A quebra de regras, a desobediência civil, é a Regra, não a exceção. Se esses desvios não são inocentes, por outro lado também não são, em sua grande maioria, culpados. Podem ser apenas os sintomas de um sistema que não suporta mais o próprio peso. Um sistema que clama por ordenação e simplificação do jeito que pode. Do jeito que sabe.

 

Notas

Repare novamente a foto utilizada no topo deste artigo. Ela mostra uma rua de Zurique, Suíça, praticamente sem nenhum tipo de sinalização. Nem calçada tem. A ausência de regras tornou a todos, motoristas e pedestres, mais cuidadosos. O que parece ser um descuido por parte do governo é na realidade uma delegação de poderes. Que os elementos daquela parte do sistema definam suas regras de convivência. Lao Zi, um filósofo chinês lá dos idos de 600 a.C., dizia que o controle inteligente se confunde com a falta de controle – também conhecida como liberdade. Aprendi essas provocações em Management 3.0, de Jurgen Appelo.

Está longe deste que aqui escreve propor a desregulamentação ampla, geral e irrestrita. Crianças levadas (como o sistema financeiro mundial) e potes de ouro (como licitações públicas) precisam e seguirão merecendo boas regras e respectivas palmadas. Pessoas adultas e profissionais deveriam merecer o benefício da dúvida. Sempre.

 

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Pistas & Palpites – O Resultado da Pesquisa https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2009/09/28/pistas-palpites-o-resultado-da-pesquisa/ https://paulofernandovasconc1781614199000.0291847.meusitehostgator.com.br/2009/09/28/pistas-palpites-o-resultado-da-pesquisa/#comments Mon, 28 Sep 2009 17:19:41 +0000 http://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/?p=728 A pesquisa que disparei 15 dias atrás só permite concluir uma coisa: nosso povo não gosta muito desse tipo de coisa. Coloquei uma meta muito modesta: 150 participantes. Consegui apenas 131. Entendo que é uma amostra muito pequena, que não permite conclusões. Mas dá boas pistas. E possibilita a elaboração de alguns palpites.

O pessoal que define “o que  precisa ser feito”, os analistas de negócios, empatou com a turma do “como será feito”, os analistas de sistemas. 22% de participação de cada um. Em segundo lugar vieram os coordenadores de projetos, com 15% das respostas. Desenvolvedores e analistas de processos aparecem com 10% e 9%, respectivamente. De curioso aqui nosso coringa, que disse ser analista de negócios, de sistemas, de requisitos, desenvolvedor e arquiteto! Será que o salário é compatível com tantas responsabilidades?

Um participante cobrou, não perguntei sobre rendimentos. Falha minha. Não sei se por sorte ou azar, no mesmo período, a revista Você SA da Abril liberou uma pesquisa sobre o assunto. Cobre mais de 130 profissões, sendo 14 específicas da área de TI. Vou destacar aqui apenas um ponto: analistas de sistemas ou analistas-programadores (chamados naquela publicação de analistas de desenvolvimento) ganham praticamente a mesma coisa que analistas de negócios. Até os 5 anos de experiência. Depois disso, mostra a pesquisa, os analistas de negócios apresentam salários consideravelmente maiores. A diferença chegaria a R$ 5 mil entre profissionais com mais de 15 anos de experiência. Nesta faixa de tempo de estrada, o salário de analistas de negócios em pequenas e médias empresas seria maior até do que dos gerentes de projetos. Estranhei muito o número, mas não tenho como questioná-lo. A empresa que executou a pesquisa, a Robert Half, fez mais de 30 mil entrevistas. É uma pena que tenha se limitado aos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro.

São Paulo de fato concentra a grande maioria das vagas. Em minha pesquisa, 58% dos participantes são de lá. Rio, Santa Catarina e Minas aparecerem na sequência, com quase 10% cada um. Profissionais do sexo masculino também confirmam outro tipo de concentração: são 81%, contra 19% de mulheres. 70% dos participantes têm idade entre 23 e 34 anos. Com mais de 40 tivemos 11%. Curiosidades: 44% disseram se apresentar como “Sêniores”, contra 39% que são “plenos (ocasionalmente vendidos como sêniores)”; 5% estão “loucos(as) para mudar de profissão”.

Mais da metade dos participantes, 57%, trabalha em empresas de TI. 30% em serviços de desenvolvimento e manutenção de sistemas. A maioria, 28%, conta com mais de 100 profissionais na área de TI. Mas, que espanto, 48% de todas as empresas contam apenas com algo entre 1 e 5 profissionais trabalhando com análise de negócios. Na questão eu ainda tive a preocupação de especificar que seria qualquer profissional que executasse: modelagem de negócios, modelagem de processos, desenvolvimento de requisitos etc. O desequilíbrio parece ser muito grande.

Sobre Projetos

Repetiu-se neste levantamento um número que tem cara de “default”: 62% dos projetos têm algum tipo de problema. 21% seriam “muito mal sucedidos (muito atrasados e gerando prejuízos)”. Para dizer a verdade, o número até que é um pouquinho melhor do que aqueles que vemos em outros lugares. Mas ainda é muito comprometedor.

Nada de novo também no front dos principais problemas: mudanças de requisitos (18%), requisitos mal definidos (17%) e mudanças de regras de negócios (13%) são os principais. Pouco envolvimento de clientes e usuários, metodologia mal aplicada e equipe mal preparada respondem por 9% cada um.

61% das empresas estão cientes dos problemas e tomando providências. As principais seriam: treinamento da equipe (31%), implantação de novas tecnologias e ferramentas (23%), implantação de nova metodologia (21%).

E quais metodologias, processos ou padrões são utilizados? Algumas surpresas: PMBoK (23%), Scrum (18%), RUP (16%), CMMI (10%) e XisPê (8%) são os destaques. Fiquei com pulgas atrás do orelhão: com tanto Scrum, como ninguém se apresentou como ScrumMaster ou Product Owner? O número do RUP também surpreendeu.

O que não surpreende é que 71% ainda utilizem editores de texto para tarefas de descoberta, descrição e gerenciamento de requisitos. E 61% depositem suas esperanças em planilhas eletrônicas. A relação não fica explícita, mas tenho certeza que essas ferramentas colaboram diretamente com os problemas listados acima.

Mas 68% utilizam especificações de casos de uso. Parece um bom sinal. Mas o número não bate com os levantamentos informais que faço em meus eventos. Será que estão falando de casos de uso de verdade, ou daquelas extensas descrições de telas e de como a solução deve ser construída? Infelizmente seguirei sem resposta. Mas desconfiado de que estamos falando de casos diferentes.

Perguntei se praticavam a modelagem de negócios. 38% disseram que sim, “e percebem o valor dela”. 35% disseram que praticam, mas “só um pouquinho”. 73% praticam a modelagem de negócios?!? Outro número que não bate de forma alguma com o que vejo nos eventos e empresas. Ainda mais com 59% dizendo utilizar a UML para tal. Para se ter uma ideia, são 23% aqueles que utilizam a BPMN. Pouco mais que os 20% que já estariam utilizando o método do “Pensamento Visual”.

Uai cara pálida: você faz uma pesquisa para depois questionar os números obtidos? Entendam, por favor: a culpa é da pesquisa e do número de respostas. Minha críticas acima servem apenas para destacar pontos da pesquisa que parecem estar bastante distorcidos. E uma das causas das distorções é óbvia e também foi levantada: 55% de quem participou da pesquisa já participou de algum evento FAN.

Mas, de qualquer maneira, pistas e palpites podem ser observados e colocados. Resta esperar que futuras iniciativas como esta sejam melhor elaboradas e mereçam um número bem maior de participantes. Aos que aceitaram meu convite e doaram preciosos minutos, registro aqui meu muito obrigado. E boa sorte no sorteio!

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A foto utilizada acima, “Torcedor Solitário“, foi devidamente surrupiada do Rodrigo Moraes.

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