Tag: Albert Einstein

  • Pra Pensar

    Pra Pensar

    Nosso cérebro gosta de organização. Ele classifica, rotula e relaciona tudo o que decide guardar. Assim, o ato de lembrar fica mais econômico. Sofisticado como ele só, o cérebro é um recurso caro. Tem apenas 2% de nosso peso,  torra 20% de nossas energias. Por isso evoluímos obedecendo, pianinhos, a lei do menor esforço. Por isso carregamos por aí um sistema bem lerdo e preguiçoso, como mostra Daniel Kahneman em Rápido e Devagar (Objetiva, 2012).

    Neurônios ligados disparam juntos¹. E quanto mais são acionados, mais ágeis e eficientes se tornam. É como aquela trilha que se destaca no gramado por ser muito usada.  O bom pensador é um colecionador de variadas trilhas. Ele cuida de sua especialidade. Mas apreende, com igual interesse, o que é essencial nas principais áreas do conhecimento.  

    O professor e psicólogo Edward De Bono – que nos deu, entre outras coisas, o Pensamento Lateral e o Método dos Seis Chapéus – vive reclamando a falta da disciplina PENSAMENTO. Ele tenta impulsionar uma área de conhecimento que nos ensine a pensar. Ela teria caráter técnico; Seria diferente da Filosofia e Psicologia. Nunca precisamos tanto de uma matéria assim: multidisciplinar, prática, sistêmica. É difícil dizer como ela seria estruturada. Mas é fácil chutar que ela nos ensinaria Modelos Mentais: ideias, padrões e heurísticas que agilizam e melhoram nossos pensamentos. 

    Modelos mentais são como apps para o nosso cérebro. Eles agregam funcionalidades. As possibilidades são tantas que é fácil criar confusão. Assim como bagunçamos nossos smartphones. Por isso é fundamental uma classificação dos modelos. Desconheço uma sugestão de taxonomia que tenha sido replicada em mais de um trabalho. Torço para que prevaleça uma organização baseada no tipo de pensamento que queremos provocar. É assim que está estruturada a aula Modelos para Pensar, com três partes: Curiosidade, Crítica e Criatividade. 

    Curiosidade

    “A curiosidade é a cura para o tédio;
    Não há cura para a curiosidade.”
    – Dorothy Parker


    A curiosidade nos empurra para novos conhecimentos. É ela que nos faz descobrir novos campos, oportunidades e ferramentas. Por isso a aula começa com um modelo sugerido por Warren Buffett², o Círculo das Competências. Proponho um autoexame enfileirando modelos. Minha intenção é mostrar como essas ideias funcionam em conjunto. Estou com Scott Page, em The Model Thinker (Basic Books, 2018): precisamos de diversos modelos para pensar melhor. Page não cita, mas está apenas respeitando a Lei de Ashby: só a variedade absorve variedade

    A mistura de ideias acaba virando um exemplo prático de outro modelo mental: Juros Compostos. “A maior força da natureza”, teria dito Einstein. Experimente: aplique a ideia de juros sobre juros em sua estratégia de estudos. 

    Opa! Não há uma estratégia? Você está confusa/o? Quem não está? Segundo Tom Peters, só não está um tanto perdido “quem não está prestando atenção”. Nosso cérebro, o mais complexo sistema conhecido, não está bem preparado para tanto ruído, desinformação e mentira. O que justifica o segundo bloco da aula: crítica. 

    Crítica

    “Cadê a sabedoria que perdemos com o conhecimento?
    Cadê o conhecimento que perdemos com a informação?”
    – T.S. Elliot (1934)

    Cadê a informação que perdemos com o big data? Porque “informação é a diferença que faz diferença”, avisou Gregory Bateson. Desses zilhões de bits que nos bombardeiam incessantemente, quantos de fato prestam? 

    Este hardware extraordinário que carregamos entre as orelhas tem bons filtros que vêm instalados de fábrica. Dos oito bilhões de bits que chegam aos nossos sentidos a cada segundo, ficamos com apenas algumas centenas. Todo o resto é ignorado. Depois, quando dormimos, outro filtro entra em ação. E faz uma faxina para eliminar tudo o que não deve nos fazer falta porque não lhes pagamos a devida atenção enquanto despertos. Há quem ache que a gente só dorme pra isto mesmo: limpar a cuca, rever e reforçar as boas relações entre neurônios. 

    A configuração dos filtros nos atendeu bem até pouco tempo atrás. Mas está falhando feio neste século da infobesidade. Tanto que está virando questão de saúde pública e prateleira de livros com títulos curiosos. Sim, precisamos de mais e melhores fodasses. Que não são uma arte nem precisam ser sutis. 

    Existem, por exemplo, as navalhas de Occam, Hanlon, Taleb e Caetano. O princípio de Pareto também é um tipo de navalha. Navalhas também são um tipo de modelo mental. Dos mais funcionais. Dispensam o manual de operação. O mesmo não pode ser dito do Facão de Bayes. Que não deixa de ser muito útil por causa disso. 

    Três dos nossos ativos mais valiosos são atenção, confiança e tempo. Se nós não os protegermos, ninguém o fará. Nós filtramos – nos liberamos – para ter tempo e espaço para exercer o que nos torna mais humanos: criar.

    Criatividade

    “Criatividade é a inteligência se divertindo.”
    – Albert Einstein

    Traiçoeiro terreno. Porque muita gente acha que criatividade é uma característica inata, um talento: ou você nasce com ele ou estaria condenada/o a uma vida sem sal nem graça. Outros tantos parecem defender que esse papo de criatividade é para quem faz arte; o atributo não teria muita utilidade no dia a dia nem no mundo sério – o do trabalho. Há uma frase anônima que incomoda por ilustrar bem esse preconceito: “o adulto criativo é a criança que sobreviveu”. 

    Tento driblar essas restrições lançando mão de um funil sugerido por Ken Robinson em Somos Todos Criativos (Benvirá, 2019): a inovação que todo mundo parece buscar – ainda que da boca pra fora – não é possível sem criatividade que, por sua vez, não existe sem uma imaginação bem solta. Não é mera coincidência o fato desta sequência ser muito parecida com o Funil do Conhecimento sugerido por Roger Martin em Design de Negócios (Alta Books, 2010). 

    Os modelos mentais apresentados nesta parte da aula não tentam provar a relevância da criatividade. Para isso bastam dois ou três empurrões/citações. Os modelos aqui apresentados tentam mostrar como é natural criar. Em trabalhos solitários ou em times; lidando com grandes ou pequenos problemas. A gente complicou bastante nos últimos séculos. Mas não é nada que a gente não consiga desaprender ou desfazer com um pouco de criatividade

    Conclusão

    Os três traços – Curiosidade, Crítica e Criatividade – foram escolhidos porque são atributos que ainda nos diferenciam das inteligências sem vida. Reforçá-los através de bons modelos pra pensar parece ser um bom investimento. 

    Notas

    1. Tradução mequetrefe de neurons that fire together wire together.
    2. Não é mera coincidência: Charlie Munger, sócio de Buffett, ajudou a impulsionar esse papo sobre Modelos Mentais. Em várias palestras e no seu Poor’s Charlie Almanack (Donning, 2005).
  • Um Almanaque para Tempos Difíceis

    Um Almanaque para Tempos Difíceis

    Tratar este trabalho como um almanaque é uma forma esperta de me isentar de certas responsabilidades. Pare por um instante e pense em como você receberia um Manual ou Guia para tempos difíceis. O que dizer das enciclopédias e bíblias? Um almanaque promete menos, muito menos. 

    Um bom almanaque é obrigatoriamente informal, prático e objetivo. Devo adiantar que sigo Kurt Lewin¹, para quem “não há nada mais prático do que uma boa teoria”. Este almanaque está cheio delas, das teorias. Se são boas ou não você dirá. É essa base teórica que justifica e viabiliza a organização deste trabalho. A mesma base vai te ajudar a desenvolver uma caixa de ferramentas para esses tempos difíceis. 

    Todos os bons almanaques têm outra característica inevitável: são obrigatoriamente amplos e responsavelmente rasos. 2 km de extensão por  2 cm de profundidade. Neste almanaque não faltarão dicas e referências para todos que quiserem ir além dos 2 centímetros. Os almanaques tradicionais têm periodicidade anual. Este não tem prazo de validade.

    Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas, afinal, do que é feito este almanaque? Quais assuntos ele trata? Para quem? Por quê? 

    Quatro Volumes

    O almanaque.digital está organizado em quatro volumes:

    • O TODO: concentra as teorias e ferramentas fundamentais, aplicáveis em todos os demais níveis. É o alicerce ou framework teórico que dá sentido e utilidade para as demais sugestões apresentadas.
    • A ORGANIZAÇÃO: qualquer organização, seja ela pública ou privada, minúscula ou imensa. Neste volume tratamos da empresa e sua co-evolução com o ambiente que a cerca. 
    • OS TIMES: são as células que dão forma e sentido para uma organização. Há boa ciência por trás dos times de verdade e seus diversos relacionamentos.
    • A GENTE: porque sem a gente nada disso faria sentido.

    A sequência tem uma lógica, é fractal. O modelo que prova a viabilidade de uma organização é o mesmo que atesta a nossa viabilidade e de nossos times. Ele é recursivo. 

    Por isso esse trabalho não será desenvolvido de maneira linear. Os quatro volumes vão evoluir em paralelo. Se for fácil escrever assim, será fácil ler assim. Assim espero. 

    E você, o que pode esperar? Este almanaque te convida para alguns desafios.

    Três Desafios

    Se há alguma chance para nós humanos, ela passa obrigatoriamente pelo bom uso do que nos torna… humanos. O que nos diferencia dos outros seres vivos? 

    Biologicamente, é esse intrincado sistema nervoso central chefiado por uma feia e enrugada massa cinzenta. Esse aparato formado por bilhões de células e capaz de trilhões de relações não tem paralelo conhecido no universo. Ele nos dá três habilidades muito especiais. 

    A primeira é a capacidade de pensar sobre nossos pensamentos, de avaliar nossas ações e rir de nós mesmos. Se somos capazes da autocrítica, humildes e honestos, então estamos liberados para criticar todo o resto. O Pensamento Crítico é nada menos que fundamental em tempos de infobesidade². Sem ele não temos condições de compreender nem de priorizar nada. Sem ele não podemos tirar sarro de ninguém. Este é o primeiro desafio proposto neste almanaque: incentivar o pensamento crítico. 

    Nossa segunda capacidade exclusiva é o ato de sonhar acordado, viajar na maionese e imaginar. Veremos neste almanaque que a imaginação é requisito para a criatividade que é condição para a inovação³. Como colocou Einstein, “criatividade é a inteligência se divertindo”. Pode haver algo mais humano? Segundo desafio: estimular o Pensamento Criativo.

    Não há desperdício maior do que ser capacitado para trilhões de sinapses e se conformar com alguns dogmas ou certezas. Não é possível que todo esse poder computacional que carregamos em nossas cabeças não seja capaz de lidar com a complexidade e perceber o mundo da forma como ele realmente funciona. Terceiro desafio: provar que somos capazes do Pensamento Sistêmico4.

    Três desafios: Crítico, Criativo e Sistêmico. Para quem?

    Dois Leitores

    O primeiro é você, que chegou até aqui. Sinceramente, muito obrigado!

    Porque todas as vezes em que apresentei a ideia deste almanaque ouvi a mesma pergunta: quem é o público alvo? Caraca! Primeiro: detesto esse papo de alvo. Segundo: não sei! Não sei mesmo. Este almanaque não pretende ser um livro de negócios e muito menos um manual de auto-ajuda. É o mau de ser antidisciplinar e indisciplinado: você fica sem rótulo e, consequentemente, sem prateleira nem público-alvo. Isso te incomoda? A mim, não. 

    E eu, como aprendi com William Zinsser5, sou o segundo leitor. Só estou desenvolvendo este trabalho porque não encontrei nada parecido em lugar nenhum. Ou seja, é algo que eu gostaria muito de ler. Isso será suficiente para te satisfazer? Não sei. Mas espero, sinceramente, que você me diga. 

    O que nos traz ao último ponto: por quê? 

    Cinco Porquês

    Por que este almanaque?
    Porque a gente precisa aprender a usar melhor a cabeça.
    Por quê?
    Porque talvez essa seja a única maneira de sobreviver e prosperar.
    Por quê?
    Porque o mundo está ficando a cada dia mais complexo e complicado.
    Por quê?
    Porque a gente não está usando bem a cabeça.
    Por quê?
    Porque o mundo está ficando a cada dia mais complexo e complicado.

    Em Suma

    O almanaque.digital pretende nos ajudar a usar melhor a cabeça.

    Provamos isso quando somos mais críticos, criativos e sistêmicos. Não apenas em nossos negócios, organizações e times, mas em todas as situações do dia a dia.


    Notas

    1. Citado em Systems Thinkers, de Magnus Ramage e Karen Shipp (Springer, 2009).
    2. Infobesidade: Neologismo muito criativo para nomear a sobrecarga de informações que caracteriza esses tempos difíceis.
    3. Porque foi assim que aprendi com um cara fantástico, Sir Ken Robinson, em Libertando o Poder Criativo (HSM, 2011).
    4. Neste almanaque vou tratar como Sistêmico um corpo de conhecimentos que inclui Cibernética, Teoria da Complexidade, Teoria Geral dos Sistemas, Dinâmica de Sistemas, Pensamento Complexo etc. Oportunamente tentarei explicar essa bagunça.
    5. Como Escrever Bem (Três Estrelas, 2017). Se sigo escrevendo mal não é por culpa do Zinsser, ok?
    6. Foto de Gaelle Marcel no Unsplash.

  • Sobre Como Chegamos até Aqui

    Sobre Como Chegamos até Aqui

    A gente vive encontrando gráficos semelhantes ao rabisco ao lado. Recentemente eles ilustravam a evolução da pandemia Covid-19. Podemos utilizar a mesma figura para contar diversas outras histórias. A evolução da capacidade de processamento em chips ou o crescimento do número de usuários da Internet desde o seu lançamento, por exemplo.

    Sejamos mais ambiciosos: é possível contar a história da vida na Terra em todos os seus gloriosos 3,8 bilhões de anos. Para não bagunçar a nossa agenda, façamos como proposto pelo biólogo John Maynard Smith¹: condensando tudo em um filme com duas horas de duração. Nós, homo sapiens, aparecemos no último minuto, tropeçando nos créditos finais. Seguindo com Smith, façamos outra experiência. Vamos pegar apenas a nossa história, de cerca de 200 mil anos, e jogá-la no gráfico-filme de duas horas. Só teríamos deixado a vida de caçadores-coletores nos 30 segundos finais. A revolução industrial apareceria praticamente no apagar das luzes, no último segundo.

    O que isso significa? Que estamos todos na beira do precipício, na ponta mais alta da seta? Afinal, o que o gráfico e respectivas histórias querem nos dizer? Atenção: o que segue é uma interpretação muito livre, meio romântica e pouco formal de uma bela história.

     

    Uma Bela História

    Desde o seu surgimento, há 13,8 bilhões de anos, o universo caminha para um destino certo: o tédio definitivo. Esse fado está cantado na Lei da Entropia², também conhecida como Segunda Lei da Termodinâmica. É uma das leis fundamentais da Natureza que aparecerão neste almanaque. De acordo com o físico Arthur Eddington³:

    “A lei segundo a qual a entropia sempre aumenta ocupa, a meu ver, a posição suprema entre as leis da Natureza. Se alguém lhe disser que a sua teoria favorita do universo está em desacordo com as equações de Maxwell, danem-se as equações de Maxwell. Se for descoberto que ela é refutada pela observação, ora, esses experimentalistas às vezes fazem cagadas mesmo. Mas, se for constatado que a sua teoria não condiz com a segunda lei da termodinâmica, não posso lhe dar nenhuma esperança; a ela só resta desmoronar na mais profunda humilhação.”

    Einstein não deixou por menos: a lei da entropia era a única teoria que, segundo ele, “nunca seria refutada”4.

    Por bilhões e bilhões de anos o universo seguiu assim, um monte de pedra e pó vagando por aí, trombando entre si ou despencando em buracos negros. Nos interessa a terceira pedra contada a partir de um sol que forma um sistema na franja de uma galáxia com milhões de outros sóis chamada Via Láctea. Sabe-se lá porque cargas d’água, elétricas e químicas, naquele planetinha nasceu uma coisa. Aliás, até o verbo nascer era inédito. A novidade que veio dar na praia do caldo primordial não era o máximo: era uma coisa insignificante. Uma célula apenas. Mas era diferente de tudo o que existia até então: porque era VIVA.

    Rebelde, não se conformava com aquela conversa de destino. Na base de incontáveis tentativas e erros, aquele ser unicelular aprendeu a adiar a entropia/morte. Fez mais, cresceu e se multiplicou. Aceitando que só a variedade absorve variedade, variou. Percebendo que o tédio e a caretice antecipavam a entropia, inventou o sexo. 380 milhões de anos depois chegou às drogas e ao rock’n’roll. Antes, porém, precisou dar um salto crucial.

    Salto é jeito de resumir os milhões de passos e anos que foram necessários até a chegada da gente, vulgo homo sapiens. Temos apenas duzentos mil anos de idade. Quase nada se comparada com a idade da terra (4,5 bilhões de anos) ou do universo (13,8 bilhões). Mas foi o suficiente para aprender que, dentre todos os sistemas conhecidos nessa quase infinidade de universos, nós somos o que há de mais complexo. Sofisticados e desastrados, inteligentes e desconfiados. Engenhosos e ingênuos. Aventureiros amedrontados. Convenhamos, não é pouca coisa.

    Chegamos nesse ponto porque continuamos inconformados com a tal entropia. Somos, apesar dos incontáveis pesares, a melhor resposta para ela. E tudo o que fazemos é criar respostas, é contra-atacar. Ferramentas de pedra, fogo, roda e panelas nos tornaram mais eficientes no consumo de energia. Essa eficiência liberou tempo, o mais caro dos nossos recursos. Porque, segundo a Lei da Entropia, o tempo não pára nem volta. Ou seja, tempo vale mais que dinheiro.

    O tempo livre permitiu a criação de filosofias, ciências, crenças e jogos – tudo o que, para o bem ou para o mal, alimentou cabeças. Nos colocamos novos desafios. E respondemos com plantações, cidades, livros, dinheiros, vacinas e piadas. Criamos novos problemas. E tivemos que inventar pesticidas, canhões, aviões, computadores, redes e músicas para elevadores. Esse é o nosso moto: criar problemas e encontrar alguém que pague pelas soluções. É assim há 3,8 bilhões de anos, desde o surgimento do primeiro rebelde.

    Porque até o menor e mais frágil ser vivo é equipado com a resposta para a entropia: a homeostase.

    “A homeostase diz respeito ao processo pelo qual a tendência da matéria a derivar para a desordem é combatida de modo a manter-se a ordem, porém em um novo nível: aquele permitido pelo estado estacionário mais eficiente”, ensina Antonio Damásio. Que continua: “a essência da homeostase é a formidável tarefa de administrar a energia — obtê-la e alocá-la para funções cruciais como reparação, defesa, crescimento e participação na geração e manutenção de descendentes. Esse é um empreendimento monumental para um organismo, e mais ainda para organismos humanos, considerando a complexidade de sua estrutura, organização e variedade ambiental.”5

    James Gleick, em A Informação6, nos dá este presente:

    “Às vezes é como se limitar a entropia fosse nosso propósito quixotesco neste universo.” 

    Em suma, se o roteiro da vida fosse contado de uma forma bem banal, teríamos uma simples história de mocinha-homeostase e bandida-entropia. De diferente aqui, só o detalhe de que lá no final a bandida vai vencer. Esse spoiler está dado desde o big bang.

    Enquanto o the end não chega, tornamos tudo mais complexo e complicado. São as nossas respostas que desenham aquela curva exponencial. São as nossas respostas, conscientes ou não, que nos dão um belíssimo problema.

     

    Um Belíssimo Problema

    Aquela progressão geométrica explica porque quase tudo o que a gente pensa que sabe está errado. Em uma velocidade incrível, ela tornou quase tudo obsoleto, particularmente a gente. Porque somos lentos. Nosso cérebro, por sofisticado que seja, ainda carrega traços e funções que faziam muito sentido na era em que tínhamos que decorar cavernas, catar caqui e cozinhar mamutes. Há nele um componente reptiliano que nos mantém assim, bem bichos. Vêm desse componente o tribalismo, o imediatismo e a total inconsequência – o agir ao invés de pensar, o sonhar ao invés de planejar; O pensamento mágico.7

    Era para ser vergonhoso: não conseguimos mais compreender nem as nossas próprias invenções. É vergonhoso: nem um vocabulário básico e muito menos uma teoria minimamente consolidada e aceita estão à nossa disposição para lidar com esse mundo novo, com aquela curva absurda.

    Talvez agora esteja um pouco mais clara a motivação para Stephen Hawking declarar que “este é o século da complexidade”. Se ela, a complexidade, tivesse uma logomarca, seria aquela curva.

    Este é o nosso belíssimo problema: aprender a lidar com um mundo totalmente novo na medida em que ele vai se desenhando. Aliás, na medida em que nós o desenhamos. Para tanto, vamos precisar de novas ideias, modelos, métodos e ferramentas. E podemos esperar por gente nova lá na frente. Porque será impossível sair dessa do mesmo jeito que nós entramos. Que a gente saia melhor, bem melhor.

     


     

    Notas

     

    1. The Theory of Evolution (Cambridge University Press, 1993).
    2. <https://pt.wikipedia.org/wiki/Entropia> em 25/03/2020.
    3. The Nature of the Physical World (Andesite Press, 1928/2015).
    4. Citado em Thermodynamics in Einstein’s Universe, de M.J. Klein para a Science (1967).
    5. A Estranha Ordem das Coisas: A Origem Biológica dos Sentimentos e da Cultura, Antonio Damásio (Cia das Letras, 2018).
    6. Cia das Letras, 2013.
    7. Trecho inspirado neste pequeno vídeo da School of Life, Por que a humanidade está se destruindo? <https://youtu.be/Yk3QsGzAjKI>. Em 20/03/2020.
    8. Foto de Willian Justen de Vasconcellos no Unsplash

     


     

     

  • A Melhor Era para estar Vivo

    A Melhor Era para estar Vivo

    Esta é a melhor era para estar vivo, quando quase tudo o que você pensa que sabe está errado.

    – Tom Stoppard, Arcadia (1993)

    Talvez seja só uma questão de vaidade. Todo mundo que já pisou aqui na Terra pode ter classificado a sua era como única, especial. No entanto, cá estamos, meio assustados e muito ansiosos, assistindo a uma combinação de crises que se desenvolve numa velocidade a cada dia mais estonteante. Isso nos permite afirmar que, sim, estamos testemunhando um momento especial da história da Terra. Para alguns, o apocalipse. Para outros tantos, uma grande mudança. Daquelas que ficarão na primeira prateleira dos livros de História. Sabe-se lá para onde estamos mudando. Segundo o dramaturgo Tom Stoppard¹, para “a melhor era para estar vivo.” Como assim? Por quê?

    Porque quase tudo o que a gente pensa que sabe está errado

    Não é porque um clã de filósofos pós-modernos niilistas² – contra um mundo melhor – concluiu que está tudo errado e, claro, vai dar merda. Também não é porque o tio do pavê, via whatsapp, vive insistindo que no seu tempo tudo era melhor. O buraco é mais embaixo:

    “A mentalidade que nos trouxe até aqui não será suficiente para nos livrar dessa bagunça³.”

    – Albert Einstein

    A mentalidade – o tipo de raciocínio – que nos trouxe até aqui ganhou corpo e força no século XVIII, com o Iluminismo. Movimento que mereceu de Immanuel Kant um manifesto e um slogan: “Ouse entender!” Foi um pulinho depois do famoso e desastrado “penso, logo existo” de René Descartes. Kant:

    “O Iluminismo é a humanidade deixando para trás a imaturidade autoinfligida. Imaturidade é a incapacidade de se valer do próprio entendimento sem a orientação de um outro. Esta incapacidade é autoinfligida quando sua causa não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de resolução e coragem de usá-lo sem a orientação de outra pessoa. Ouse entender! Tenha a coragem de usar o seu próprio entendimento! é, portanto, o lema do Iluminismo.”4

    O Iluminismo foi um grito de liberdade sustentado nas ideias das ciências, da razão e do humanismo. O mundo nunca mais seria o mesmo. Mas…

    … ao que tudo indica, parece que chegou a hora de um novo salto. Porque as ideias que nos trouxeram até aqui não são mais suficientes. Que fique claro: não se trata de jogar fora o pouco que sabemos. O desafio é preencher as imensas lacunas. E ousar questionar alguns dogmas e ideologias. Por que não? Por quê?

    Porque esta é a Melhor Era para estar Vivo

    Porque temos a chance de testemunhar e até de participar da criação de um novo mundo. Convenhamos, não é pouca coisa. Não esperamos por novos Adam Smith, Kant, Marx, Darwin, Diderot etc. Aliás, não esperamos por gênios solitários. Vamos entender que não dá para continuar recortando e embalando problemas de forma arbitrária e artificial: isso é economia, aquilo é saúde etc. O mundo não funciona assim. Uma visão mais inteira vai requerer múltiplos talentos e especialidades. Os novos problemas não pedem por gênios e sim por times. Por belos times indisciplinados e geniais. 

    Antes, porém, é preciso entender as deficiências da mentalidade, do tipo de raciocínio que nos trouxe até aqui e que não é mais suficiente.


    Notas

    1. É interessante contar a história daquela frase. Arcadia é uma peça de teatro e a provocação é dita por um professor. Stoppard foi influenciado pelo livro Chaos, de James Gleick. Este fecha o laço de feedback em edição especial do livro, dizendo que Arcadia é “a mais poderosa encarnação das ideias apresentadas .”
    2. Título de um livro de um dos principais representantes tupiniquins desse clã, Luiz Felipe Pondé (Contexto, 2018).
    3. É uma versão diferente porém respeitosa com o sentido original. O termo bagunça mess em inglês – é muito caro neste almanaque. Russell Ackoff define bagunça como um sistema de problemas. (Ackoff’s Best – Wiley, 1999).
    4. Na edição de 30/09/1784 do jornal Berlinische Monatsschrift. Tradução encontrada em O Artífice, de Richard Sennett (Record, 2009).
    5. Foto de Patrick Tomasso no Unsplash

  • Dentro do Buraco

    Dentro do Buraco

    Não morda o meu dedo, olhe para onde estou apontando.
    Warren McCulloch

    “Para o observador casual, definições do problema podem parecer desperdício. É tempo gasto longe do teclado e a educação ocidental nos ensina que estamos enrolando ou sendo improdutivos quando estamos ‘só conversando’. Mas o Lean é cheio de paradoxos como esse.”

    “Muito do Lean é baseado no Pensamento Sistêmico e uma definição de problema bem colocada pode levar o time para além de suas preocupações com a solução – para uma compreensão mais ampla do contexto.”

    O Lean nos pede para reduzir tensões e inconsistências no sistema. A definição do problema articula um objetivo consistente. São comuns os projetos que sofrem porque seus participantes não estão resolvendo o mesmo problema. Uma definição de problema bem escrita oferece uma visão consistente de direção. Como tal, ela pode ser uma poderosa ferramenta para o time e para a gestão.

    “Uma boa definição do problema pode funcionar como um catalisador para a auto-organização.”

    “Em uma verdadeira organização Ágil aqueles que são responsáveis pela solução do problema participam da definição do problema. Essa definição deve ajudar a canalizar a energia da organização na direção correta.”

    Lean Architecture | James Coplien e Gertrud Bjørnvig
    Wiley, 2010 – Págs. 68~74

    Eu sabia que não estava sendo original quando escrevi que Histórias – de Valor ou de Usuários – são catalisadoras. Só não lembrava a origem.“Antes de iniciar um sprint de criação-de-valor-para-o-cliente precisamos de um backlog inicial do produto. E para gerar esse backlog nós precisamos da visão do produto. Muitas organizações também acham útil a criação de um roadmap preliminar, definindo uma série de releases incrementais. Chamo as atividades que criam esses artefatos de envisioning ou product-level planning.”

    “O envisioning não deve ser confundido com um pesado e cerimonioso processo de planejamento. No Scrum, nós não acreditamos que podemos (ou devemos) conhecer todos os detalhes de um produto antes de começarmos. Entretanto, nós entendemos que o financiamento de um produto não pode começar sem uma visão; sem um entendimento adequado acerca dos clientes, das features e da solução em alto nível; nem sem uma ideia de quanto o produto vai custar.”

    “Não gastamos muito tempo ou esforço no envisioning porque queremos rapidamente passar do estágio do achismo – quando a gente pensa que conhece as necessidades dos clientes – para as etapas de feedback rápido – para os sprints de criação de valor.”

    Essential Scrum | Kenneth Rubin
    Addison-Wesley, 2013 – Pág. 287

    O primeiro passo no Scrum é a elaboração da Visão do Produto pelo Product Owner.”

    Scaling Lean & Agile Development | Craig Larman e Bas Vodde
    Cap. 12 – Scrum Primer, por Pete Deemer & Gabrielle Benefield
    Addison-Wesley, 2009 – Pág. 311

    1. Uma VISÃO projeta um futuro onde determinado problema deixa de existir. Uma VISÃO assume o entendimento prévio desse problema.
    2. Ignorar a definição do problema e tratar o envisioning como o “estágio do achismo” (guessing, no original) é frágil e perigoso.
    3. Entender que a elaboração da VISÃO é responsabilidade exclusiva de um PO é detonar, logo de cara, uma boa oportunidade de formar um time de verdade.

    “A diretriz fundamental de qualquer sistema verdadeiramente enxuto consiste em estabelecer e entregar valor definido pelo cliente”.

    “ não devemos gastar esforços ou recursos antes de termos um profundo entendimento do valor definido pelo cliente.”

    Sistema Toyota de Desenvolvimento de Produto | James Morgan e Jeffrey Liker
    Bookman, 2008 – Págs. 45~46

    “A característica organizacional definidora do modelo do Spotify é o conceito de squads com ‘baixo acoplamento e alto alinhamento’. A tese central aqui é que ‘alinhamento permite autonomia – e quanto maior o alinhamento, mais autonomia é possível dar’. É por isso que a empresa passa tanto tempo alinhando todos com objetivos e metas antes de iniciar um trabalho.”

    Tempo Talento Energia | Michael Mankins e Eric Garton
    figurati, 2017 – Pág. 163

    1. A distância que separa a Toyota do Spotify é a mesma que separa o Japão da Suécia. Mas uma coisa elas parecem ter em comum: tempo pra pensar.
    2. Não é curioso que esse tempo para pensar não seja considerado trabalho? Repare na frase destacada no último parágrafo acima. Coplien e Bjørnvig, citados lá no início, já haviam alertado para essa característica bem ocidental de não relacionar esse tipo de conversa com trabalho.

    “Quando você dispara qualquer coisa nova, há forças te puxando para todas as direções. Há coisas que você pode fazer, coisas que você gostaria de fazer e coisas que você precisa fazer. Comece pelo que precisa ser feito. Comece pelo epicentro.”

    Rework | Jason Fried & David Hansson
    Crown Business, 2010 – Pág. 72

    “Tome uma grande decisão sobre sua Visão de forma antecipada e todas as futuras pequenas decisões se tornarão bem mais fáceis.”

    Getting Real | 37signals
    37signals, 2006 – Pág. 43

    “Todo o trabalho com requisitos é precedido por algum tipo de processo de iniciação: alguém tem uma ideia de que algo deve ser desenhado e construído.”

    “Se não formos cuidadosos, a ideia inicial vai colocar todo o processo em um caminho improdutivo do qual nunca vamos nos recuperar. Se os participantes não começarem pensando em conjunto, vamos perdê-los antes de ganhá-los.”

    “Como podemos sintetizar a grande variedade de pontos de partida potenciais em uma plataforma única e sólida para a exploração de requisitos? Uma solução possível é entender cada projeto como uma tentativa de resolver algum problema e então reduzir cada ponto inicial a uma forma comum de descrição do problema.

    “Um problema pode ser definido como: A diferença entre as coisas conforme são percebidas e as coisas conforme são desejadas.

    Exploring Requirements: Quality Before Design | Donald Gause e Gerald Weinberg
    Dorset House, 1989 – Pág. 49

    “A palavra problema sempre significa algo ruim, como em ‘Houston, temos um problema’ Mas as inovações bem sucedidas sempre envolvem mais atenção ao problema do que às soluções. Einstein um dia disse, “Se eu tiver 20 dias para resolver um problema, gastarei 19 para defini-lo”.

    The Myths of Innovation | Scott Berkun
    O’Reilly, 2007 – Pág. 127

     

    “O problema não é o problema. O problema é a sua atitude em relação ao problema.”

    Capitão Jack Sparrow

    1. Pois é, terceirizei a argumentação. Parti dos originais e a tradução é livre, provavelmente enviesada e eventualmente desastrada. Por  favor, não morda o meu dedo.
    2. Se você não entendeu minha motivação, por favor, veja o artigo anterior.
    3. Se tem o que acrescentar, por favor, comente!
    4. Aquela foto bem sacada de dentro do buraco é da Alexandra Brovco.
  • Descarrêgo

    Descarrêgo

    Hora da faxina. Tempo para abrir espaço para ideias e coisas novas. Durante o processo, que a gente aprenda a curar e filtrar mais e melhor. Porque o volume de lixo dedura o tempo perdido. E quem tem tempo a perder? Quem pode se dar esse luxo?

    “Se uma revolução destrói um governo, mas os padrões sistemáticos de pensamento que produziram aquele governo permanecem intactos, então aqueles padrões se repetirão…
    Há muita conversa sobre o sistema. E pouquíssima compreensão.”
    Robert Pirsig, Zen and the Art of Motorcycle Maintenance

     

    OS PADRÕES SISTEMÁTICOS ESTÃO AÍ, INTACTOS. Novamente discutimos nomes. Nenhuma ideia, nenhuma proposta. Mais uma vez o time de (des)governo será apresentado depois de terminado o campeonato-eleição, no jogo fisiológico que condena, logo na largada, qualquer plano ou programa. E pensar que talvez fosse bem fácil ganhar uma eleição apresentando um time de primeira na primeira hora. No mínimo, colocaria o debate em outro nível.

    Quantos debates de baixo nível roubam nosso tempo? Dá medo até de fazer as contas. Dá saudades do tempo em que bastava a gente apagar qualquer estopim relacionado com “futebol, política ou religião”. Hoje parece haver polarização em tudo. Até no formato da terra?!?

    Nossas redes sociais, por ricas que sejam, não estão vacinadas contra três pragas: cupins, chupins e cupinchas. O cupim está sempre destruindo ou desconstruindo algo ou alguém. Abre mão das asas para fazer cocô. O chupim também não cria nada – copia, suga e reclama quando não é de graça. O cupincha não aprendeu que “likes” e comentários que só repetem a mensagem original valem tanto quanto uma nota de três reais. São dados, mas não informam. Informação é a diferença que faz diferença¹. Fidbeque é informação que muda o comportamento do sistema². O resto é diversão ou distração – invariavelmente, desperdício. Mas antes o cupincha estéril do que um cupim babando de ódio.

    “É muito fácil ser um expert numa área sem experts: basta levantar a mão.”
    Eric Lander (biólogo, matemático e economista)

    O requisito fundamental para falar sobre sistemas e complexidade é a humildade. Porque são áreas relativamente novas. Ainda não temos uma base teórica consolidada. Mas vai contar isso para os experts!

    Uma estante de livros não é um sistema. A segunda lei da termodinâmica é meio falsa³. A combinação dos termos “estático” e “sistêmico” não é piada de mau gosto. O mundo ou a sua empresa tem dois tipos de pessoas: X e Y, petralhas e coxinhas, nós e eles. O expert em “antifragilidade” (sic) apoia o Trump!?! Fake news? Chame a coisa pelo nome: MENTIRA! Tem hora que não é questão de expertise. O velho bom senso não ficou obsoleto.

    Uma conversa difícil, com um monte de termos obscuros e aquele sorriso do tipo “eu sei algo que você não sabe e não vou te contar” não são sintomas de expertise. São sinais de fraqueza. São muros de Trump, tão sólidos e reais quanto.

    “… é a melhor era para estar vivo, quando quase tudo o que você pensa que sabe está errado.”
    Tom Stoppard (dramaturgo inglês na peça Arcadia, 1993)

    Por isso erguemos muros trumpianos: quando o que está após a vírgula da frase acima nos fala mais alto do que aquilo que veio antes dela. É medo. É humano.

    O desafio que se coloca é gostar da nossa era. Não das desigualdades,  desequilíbrios e injustiças que a caracterizam. Mas gostar da luta contra tudo isso. Cientes de que há muito o que aprender. E, pelo visto, muito mais a desaprender… Descarrega!

    Notas

    1. Gregory Bateson.
    2. Stafford Beer, se pudesse, escolheria outra palavra para descrever a retroalimentação de um sistema. Para ele, fidbeque (ou feedback) lembra vômito. E é erroneamente interpretada como uma resposta. (The Heart of the Enterprise, p. 59. Wiley, 1979).
    3. Albert Einstein disse que a segunda lei da termodinâmica deve ser a única que nunca será destronada. Sir Arthur Eddington escreveu que “se sua teoria vai contra a segunda lei da termodinâmica eu não posso te dar nenhuma esperança – seu destino é a pura humilhação”.
      Mas, caramba, isso é ciência. E se um caro colega descobriu uma forma de fazer só metade de cocô, alterando sua entropia pessoal enquanto mantém uma dieta diária de 2k calorias, sorte dele. Ou azar, vai saber. Eu não quero saber. É muito cocô para um artigo só. 
    4. Heavy weights!, a foto acima, foi liberada por Abhishek Sundaram no flickr.